domingo, 9 de setembro de 2012

Governo pode baixar IR de mais aplicações financeiras

Governo pode baixar IR de mais aplicações financeiras

Pacote beneficiaria quem investe em fundos imobiliários, FIDC e ETF

Por Diego Lazzaris Borges • João Sandrini 

|15h17 | 04-09-2012

SÃO PAULO – O governo federal estuda uma série de medidas tributárias para reduzir os impostos sobre as aplicações financeiras, beneficiando produtos como os fundos imobiliários, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e os ETFs (fundos de investimentos com quotas negociadas em bolsa de valores).

Segundo apurou o InfoMoney, representantes do mercado financeiro solicitaram a redução da alíquota de Imposto de Renda cobrado das aplicações em fundos imobiliários com quotas negociadas na BM&FBovespa. Hoje os dividendos mensais distribuídos por esses fundos já são isentos de impostos para pessoas físicas, mas sobre o ganho de capital na negociação de quotas incide uma alíquota de 20%.

O mercado pede que o IR seja reduzido para 15% - alíquota igual à da maioria das transações com ações e incidente também sobre a valorização dos imóveis físicos no momento da venda. Outro pleito é isentar o investidor do pagamento de IR sempre que ele vender menos de R$ 20 mil em quotas de fundos em um único mês – a mesma regra é válida hoje para as ações negociadas na BM&FBovespa.

“Existe alguma demanda no sentido de equiparar com as ações não apenas na alíquota (de 20% para 15%) como na possibilidade de isentar vendas de até R$ 20 mil”, disse o advogado especialista em fundos imobiliários Arthur Vieira de Moraes.

O gestor de um grande fundo imobiliário, que preferiu não se identificar, confirmou as negociações. “Existe sim essa conversa junto à CVM e aos órgãos do governo federal. Hoje os fundos imobiliários são tributados de maneira diferente do mercado acionário, mas eles têm o mesmo risco de uma ação, apesar de oscilarem um pouco menos. Daí vem o pedido de equiparação das alíquotas”, disse.

O fundador do site Fundo Imobiliário, Sérgio Belleza, afirma que a tributação atual dos fundos imobiliários já é benéfica para o investidor, mas ainda pode melhorar. “Só nos falta baixar o IR de ganho de capital de 20% pra 15%”, pontuou.

ETFs de fundos imobiliários
Outro ponto que está sendo discutido com o Governo é a criação de ETFs de fundos imobiliários e a possibilidade de aplicar uma tributação diferente. “A discussão está em andamento. Existem questões que precisam ser trabalhadas para o lançamento de um ETF de fundos imobiliários, mas é algo que já está no radar da BM&FBovespa para ser criado”, disse o gerente de produtos da Bovespa, Paulo Cirulli, durante o lançamento do IFIX (Índice de Fundos Imobiliários) na última segunda-feira (3). Esse mesmo índice poderia servir de parâmetro para a montagem do ETF.

Como os rendimentos pagos pelos fundos imobiliários são isentos de imposto de renda (mas os ETFs, não), o executivo disse que é preciso analisar esta possibilidade de isenção também para um possível ETF de fundos imobiliários. “Essa discussão está na mesa e é extremamente favorável para o investidor. Se isso for conseguido, é o ideal. [Já conversamos com] a CVM, a Receita Federal, abrindo esses fóruns de discussões”, afirmou.

A mudança exigiria outras alterações legais. Hoje a CVM só permite o lançamento de ETFs de ações. Segundo gestores de fundos com quotas negociadas em bolsa, o ideal seria permitir a criação de ETFs de renda fixa e de fundos imobiliários.

Um dos entraves é que a lei não permite a criação de produtos sintéticos, como nos Estados Unidos. Então um ETF que segue o Ibovespa, por exemplo, é montado com a compra proporcional de todos os papéis que compõem o índice. O mercado gostaria que um ativo sintético que seguisse rigorosamente o Ibovespa já fosse suficiente para lastrear o ETF, facilitando a gestão .

FIDC
Em entrevista ao jornal Valor publicada nesta terça-feira (leia aqui) , o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que uma das medidas em estudo pelo governo dentro da proposta de desonerar aplicações financeiras de longo prazo é conceder a isenção para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de obras de infraestrutura.

Hoje algumas debêntures de infraestrutura já contam com essa isenção. A mudança equipararia as isenções para investimentos em infraestrutura por meio de debêntures ou de FIDCs. Com a mudança, o governo acreditaria que haveria mais dinheiro para desatar o nó da infraestrutura no Brasil. Já os investidores poderia ter um rendimento líquido maior, compensando a queda dos juros.

 

 

 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

BB lança fundo de R$ 1,6 bilhão para a compra de 64 agências bancárias

http://www.infomoney.com.br/bancodobrasil/noticia/2547316/lanca-fundo-bilhao-para-compra-agencias-bancarias

Operação representa a maior emissão de fundo imobiliário realizada neste ano e pode colocar o portfólio como o 3º maior do mercado

Por Nara Faria 

|7h22 | 04-09-2012

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SÃO PAULO - O Banco do Brasil (BBAS3) pretende captar R$ 1,592 bilhão por meio do Fundo Imobiliário BB Progressivo II, de acordo com matéria publicada pelo portal Valor Econômico. Segundo a publicação, o fundo terá uma carteira composta por agências bancárias que serão alugadas para o BB.

A operação representa a maior emissão de fundo imobiliário realizada neste ano e pode colocar o portfólio como o terceiro maior do mercado em valor de patrimônio, se as cotas forem integralmente subscritas.

 A oferta é coordenada pelo BB Investimentos e compreende a compra de 64 agências bancárias de propriedade do banco que serão transferidas ao fundo. Os imóveis serão locados para o BB por meio de contratos de locação de 120 meses, renováveis por tempo indeterminado.

 

BB lança fundo de R$ 1,6 bilhão para expandir agências

Por Silvia Rosa | De São Paulo

 

O Banco do Brasil pretende captar R$ 1,592 bilhão por meio do Fundo Imobiliário BB Progressivo II, que terá uma carteira composta por agências bancárias que serão alugadas para o BB. A operação representa a maior emissão de fundo imobiliário realizada neste ano e pode colocar o portfólio como o terceiro maior do mercado em valor de patrimônio, se as cotas forem integralmente subscritas.

A oferta, coordenada pelo BB Investimentos, compreende a compra de 64 agências bancárias de propriedade do banco que serão transferidas ao fundo. Os imóveis serão locados para o BB por meio de contratos de locação de 120 meses, renováveis por tempo indeterminado. O período de reserva da oferta vai de 7 de novembro a 18 de dezembro, e a aplicação mínima é de R$ 2 mil. De acordo com o prospecto da emissão, pelo menos 50% da oferta serão direcionados para investidores não institucionais. O portfólio será gerido pela Votorantim Asset Management.

O BB informou na semana passada que o lançamento do fundo deverá resultar em um ganho fiscal líquido de R$ 710 milhões com a desimobilização, depois de totalmente vendido para investidores no mercado. Ao pagar aluguel para o fundo, o banco consegue abater a despesa do imposto de renda. O banco subscreveu todas as cotas na oferta primária do fundo, sendo R$ 190 milhões por meio de aporte em dinheiro e R$ 1,4 bilhão via transferência dos imóveis ao portfólio. Agora o banco fará uma oferta secundária, aos investidores, das cotas que comprou.

O banco tem adotado a estratégia de desimobilização imobiliária como forma de ampliar a rede de agência sem investir recursos próprios e, assim, melhorar a rentabilidade da instituição. O banco contava, em março, com 5.267 agências bancárias e um índice de imobilização de 31,5%, de acordo com dados do Banco Central. "Vejo a estratégia da instituição como uma possibilidade de criação de novos negócios para aumentar a rentabilidade", diz Aloisio Lemos, analista da Ágora Corretora.

Em junho do ano passado, o banco lançou o fundo BB Renda Corporativa, voltado para aquisição de imóveis para posterior locação para o banco, que contava com patrimônio de R$ 153,617 milhões e reunia 13 imóveis em julho.

O banco ainda tem outro fundo imobiliário, o BB Progressivo, que conta com dois imóveis no portfólio, um localizado em Brasília e outro no Rio de Janeiro, sendo ambos locados para o BB. Em julho, o fundo contava com patrimônio de R$ 197,7 milhões.

A Caixa também tem optado por essa estratégia e lançou em junho a oferta de um fundo imobiliário, batizado de Agências Caixa, com a previsão de captar R$ 300 milhões. O portfólio terá como foco a aquisição de imóveis que poderão ser de propriedade da Caixa ou de terceiros. Os pontos serão transformados em agências e alugados para a própria instituição.

Com a queda da taxa básica de juros tem crescido a demanda por fundos imobiliários, que contam o benefício da isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos para pessoas físicas.

O número de investidores em fundos imobiliários negociados na BM&FBovespa cresceu 140% desde janeiro de 2011, somando 47.798 (99% pessoas físicas). Neste ano, a quantidade de aplicadores aumentou 35% até agosto, com a listagem de 14 novos fundos.

Com o objetivo de criar uma ferramenta para que os investidores possam acompanhar o desempenho dessas carteiras, a bolsa iniciou ontem a divulgação do Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX). "O lançamento desse 'benchmark' deve atrair novos investidores para esse mercado, como fundos de pensão", afirma Rodrigo Machado, presidente da câmara consultiva do mercado imobiliário da BM&FBovespa. O índice também permitirá a criação de fundos de índices, conhecidos como Exchange-Traded Funds (ETF, na sigla em inglês). O lançamento desses produtos depende, no entanto, de regra para estender o benefício fiscal para os ETFs.

Hoje há 159 fundos imobiliários registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que somam patrimônio líquido de R$ 26,046 bilhões. Desse total, 80 são negociados na bolsa, totalizando valor de mercado e R$ 18,1 bilhões. No ano, foram registradas 26 ofertas de fundos imobiliários, que somam R$ 5,749 bilhões, aumento de 17,26% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

 

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

VBI Faria Lima tem forte volume de negócios em mês de estreia na bolsa

De acordo com dados da BM&FBovespa, o fundo movimentou R$ 28,8 milhões em julho

SÃO PAULO – O fundo imobiliário VBI Faria Lima 4440, que começou a ser negociado na bolsa de valores no início do mês passado, registrou o segundo maior volume de negócios dos fundos imobiliários em julho. De acordo com dados da BM&FBovespa, o fundo movimentou R$ 28,8 milhões no mês passado, perdendo apenas para o Kinea Renda Imobiliária, que movimentou R$ 32,7 milhões.

Segundo o sócio fundador da VBI, Rodrigo Abud, a demanda no lançamento do fundo também superou as expectativas. “Ofertamos R$ 215 milhões e tivemos uma demanda superior a R$ 400 milhões. Isso representa muito”, disse, durante evento de comemoração do lançamento do fundo realizado na BM&FBovespa.

 

Para ele, a qualidade do empreendimento foi o que mais atraiu os investidores. “O edifício foi 100% pré-locado antes da entrega final, por instituições financeiras, empresas de primeira linha. Então o prédio está totalmente locado com contratos de 10 anos. Isso dá uma garantia para o investidor de que a receita que ele vai ter vinda do aluguel mensal é de longo prazo”, afirma Abud.

Outra garantia para atrair os investidores é de rentabilidade nos primeiros dois anos. “Nós decidimos garantir para o investidor 9% de receita líquida nos primeiros dois anos, ou seja: se a receita do aluguel não garantir 9% de rentabilidade para o investidor, nós vamos pagar”, afirma Abud.

Números gerais
De acordo com a bolsa paulista, no total, os fundos de investimento imobiliário movimentaram R$ 243 milhões em julho, o que significa um aumento de 37,2% ante o mês anterior, quando foram movimentados R$ 177 milhões, de acordo com dados divulgados pela BM&FBovespa.

A quantidade de negócios também registrou aumento entre junho e julho deste ano. Segundo com a bolsa paulista, no sétimo mês do ano, foram registradas 28.063 transações, ante as 21.347 verificadas no mês de junho.

O mês passado terminou com 78 fundos imobiliários registrados e autorizados à negociação nos mercados de bolsa e balcão da BM&FBovespa, o que significa quatro fundos a mais do que em junho.

 

Número de investidores em fundos imobiliários cresce 35% neste ano

SÃO PAULO – O Índice de Fundos de Investimento Imobiliários (IFIX), que começa a ser negociado nesta segunda-feira na BM&FBovespa, deve contribuir como termômetro para a indústria e atrair novos investidores para esse mercado como fundos de pensão, afirma Rodrigo Machado, presidente da Câmara Consultiva do Mercado Imobiliário da BM&FBovespa.

O número de investidores cresceu 140% desde janeiro de 2011, somando 47.798, sendo 99% pessoas físicas. Só neste ano, a quantidade de investidores aumentou 35% até agosto, com a listagem de 14 novos fundos.

“O aumento do número de fundos e a maior pulverização dessas carteiras têm contribuído para aumentar a liquidez desses produtos no mercado secundário”, afirma Machado. O volume financeiro negociado neste ano já ultrapassou em 80% o total movimentado no ano passado, somando R$ 1,641 bilhão com 141.175 negócios.

A carteira do IFIX será composta de 44 fundos, que responderam por 99% da liquidez e com presença em pelo menos 60% dos negócios nos últimos 12 meses ou no período de listagem. A participação de cada fundo no índice será ponderada pelo valor de mercado total das cotas, com limite de 20%. “A criação do índice permitirá a criação de novos produtos como fundos negociados em bolsa (Exchange Traded-Funds – ETFs)”, afirma Machado.

Os principais entraves para o lançamento de ETFs, no entanto, estão ligados a questões tributárias, já que os fundos imobiliários oferecem isenção de Imposto de Renda e os ETFs, não. "Se não chegar a esse consenso com as entidades regulatórias de isenção de IR, o ETF não faz sentido", afirma Fábio Dutra, diretor de renda fixa, câmbio e derivativos da BM&FBovespa.

Paulo Cirulli, gerente de produtos da BM&FBovespa, afirmou que a bolsa também estuda a criação de sub-índices para o acompanhamento diferenciado por segmento de fundo.

O desempenho dos fundos imobiliários tem superado o da bolsa. Considerando a simulação da variação do índice de fundos imobiliários desde dezembro de 2010, o retorno acumulado seria de 50,6%, enquanto que o Ibovespa, principal índice de ações do país, acumulou queda de 17,7%. Já o índice que mede o desempenho das ações do setor imobiliário (IMOB) ficou negativo em 15,8%.

O mercado de fundos imobiliários tem apresentado um forte crescimento com a queda da taxa básica de juros, a Selic. De 2004 a 2012, o patrimônio líquido dos portfólios disparou, com 160 fundos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que somam cerca de R$ 30 bilhões de valor patrimonial. Desse total, 80 fundos são negociados na bolsa, totalizando valor de mercado e R$ 18,1 bilhões.

“Esse produto é interessante porque oferece um ganho real de 4% a 5% ao ano, muito superior ao dos fundos DI, cujo rendimento tem caído com a queda da taxa de juros”, afirma Machado. Hoje o rendimento médio dos fundos imobiliários com pagamento de aluguel está em torno de 8% a 8,5% ao ano, afirma José Diniz, diretor de fundos imobiliários da Rio Bravo Investimentos.

A respeito dos problemas de irregularidades em alguns shoppings centers na cidade de São Paulo que contam com fundos imobiliários como sócios, como o Higienópolis e o West Plaza, Machado acredita que esses eventos são pontuais e não representam um movimento sistêmico.

Mesmo com o crescimento, a indústria de fundos imobiliários ainda é muito pequena no Brasil, representando pouco mais de 1% do PIB, enquanto nos Estados Unidos os fundos imobiliários listados em bolsa, conhecido como REITs, somam cerca de US$ 500 bilhões de valor de mercado, afirma Diniz, da Rio Bravo Investimentos.

A expectativa, segundo Machado, é que o volume de ofertas de fundos imobiliários alcance de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões neste ano, já considerando a oferta do fundo imobiliário do Banco do Brasil registrada na sexta-feira na CVM, que pretende captar R$ 1,6 bilhão.

A CVM vem trabalhando em alguns aperfeiçoamentos da Instrução 472, que regula os fundos imobiliários. Tais como permitir a distinção de classe de cotas também para varejo, possibilitar a prorrogação de prazos para as ofertas públicas e permitir ao administrador dos fundos apresentar as informações sobre as carteiras por meio de seu site ao invés de enviá-las aos cotistas, o que reduziria os custos, afirma Francisco Santos, superintendente de negócios com investidores institucionais da CVM.

(Silvia Rosa e Sérgio Tauhata | Valor)

 

 

Liquidez já não é grande problema para fundo imobiliário

03/09/2012
Autor: Diego Lazzaris Borges
Fonte: InfoMoney

“A liquidez não é mais um elemento de grande questionamento dos FIIs”, diz Rodrigo Machado, diretor da XP Investimentos.

SÃO PAULO – A liquidez (facilidade de comprar e vender o ativo) já não é mais um grande problema para os fundos de investimentos imobiliários (FIIs), de acordo com o diretor da XP Investimentos e especialista em fundos imobiliários, Rodrigo Machado. “A liquidez não é mais um elemento de grande questionamento dos FIIs, não é mais um grande risco. A negociação das cotas no mercado secundário tem melhorado cada vez mais”, afirmou, durante evento de apresentação da GRE Realty, consultoria fundos imobiliários fundada em março deste ano.

O especialista ressaltou que, mesmo em um fundo com baixa liquidez, o investidor não deve demorar mais do que alguns dias para conseguir se desfazer das cotas e receber o crédito. “Se você tiver R$ 1 milhão investido, mesmo que seja em um fundo menos líquido, deve sair em cerca de três ou no máximo quatro dias, em média”, disse. “Se, ao invés de cotas de um fundo, você tivesse um imóvel no mesmo valor, por mais líquido que ele fosse, você dificilmente receberia o dinheiro em menos de 3 semanas”, comparou.

Outro ponto favorável em relação à liquidez do fundo imobiliário é que o investidor pode sair com uma posição do tamanho da sua necessidade. Ou seja: Se tiver R$ 500 mil investidos e precisar de R$ 50 mil, é possível vender exatamente as cotas que totalizam este valor. “Se tiver um imóvel, será necessário vendê-lo e reinvestir o restante. Muitas vezes, você não vai conseguir um novo investimento na mesma condição”, pontua Machado.

Market maker

Outro ponto que pode favorecer o aumento de liquidez dos fundos imobiliários é a norma da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que está em andamento para regularizar a contratação de market maker (formador de mercado) para este tipo de fundo.

“Com a regulação e entrada de mais market makers neste mercado, a tendência é que haja uma melhora de precificação e de liquidez dos fundos”, disse Machado.

 

 

PDG vai para o tudo ou nada

Segunda maior construtora do País reforça caixa com R$ 796 milhões, volta a ter um 'dono' e troca o presidente na tentativa de sair de crise

02 de setembro de 2012 | 22h 26

·         Naiana Oscar, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - No dia em que acordou presidente da segunda maior construtora do País, Carlos Augusto Piani, 38 anos, ganhou de seu antecessor uma camisa branca, usada, com a logomarca da companhia bordada no peito. Vestiu o presente ali mesmo, no escritório, para receber os cumprimentos dos funcionários e dar sua primeira entrevista à imprensa. Lugares-comuns à parte, o que a PDG queria mostrar ao mercado naquele dia é que agora está sob o comando de alguém disposto a "vestir a camisa" e "viver e morrer" pela empresa, nas palavras do próprio Piani.

O tom dramático combina com a situação da PDG. A empresa deu prejuízo de R$ 418 milhões no primeiro semestre e mais da metade das 30 mil unidades que tem para entregar este ano está atrasada. Milhares de famílias esperam as chaves há mais de seis meses. Em razão desse cenário, a empresa foi a segunda do setor que mais perdeu valor em bolsa este ano - só não desvalorizou mais que a Viver. Quando aceitou o convite para se tornar o novo presidente da incorporadora, Piani já sabia que teria tempos difíceis pela frente.

Ele é um dos sócios da gestora de recursos Vinci Partners, que acabou de injetar R$ 486 milhões na PDG e se tornou a maior acionista da incorporadora, com uma fatia de 9%. O aporte e o possível retorno da Vinci como sócia da empresa foram anunciados em maio, mas dependiam do sucesso de uma complexa transação financeira para se concretizarem. Isso aconteceu na semana passada, para alívio dos executivos da empresa e de investidores, que viam essa como a mais importante cartada da incorporadora para se recuperar da maior crise de sua história. "Não havia plano B caso esse não desse certo", diz um conselheiro.

Conhecido pelo apelido de Guga, Piani foi escolhido a dedo pelos fundadores da Vinci, Gilberto Sayão e Alessandro Horta, ambos do conselho de administração da PDG. Apesar de jovem, ele já tem no currículo uma experiência bem-sucedida com outra empresa enroscada. Em 2004, com 30 anos, se tornou diretor financeiro e depois presidente da distribuidora de energia do Maranhão, a Cemar, onde a Vinci também colocou dinheiro. Na época, a Cemar estava quebrada e carregava o peso de prestar o pior serviço do setor.

Piani foi radical. Em 4 anos, trocou 1,3 mil funcionários de um total de 1,4 mil. Impôs uma política de metas que ia dos principais executivos aos eletricistas e estabeleceu um plano de remuneração variável para recompensar quem fizesse o dever de casa. No ano passado, a Cemar foi eleita pela Aneel, órgão que regula o setor elétrico, a segunda empresa mais eficiente entre as distribuidoras de energia. "É um caso de sucesso, mas não significa que poderá ser copiado no setor imobiliário", diz um analista.

Para quem vê com desconfiança a ida de Guga para a PDG, por seu desconhecimento do mercado imobiliário, ele costuma dizer que também não tinha a mais vaga ideia do que se passava no setor elétrico quando assumiu a Cemar. Piani - assim como os fundadores da PDG - foi forjado em bancos de investimentos. Começou a carreira como sócio do Pactual e depois se juntou a Gilberto Sayão na Vinci. Nas dependências do banco e, depois, da gestora, viu a PDG tomar forma - e se tornar um fenômeno do mercado imobiliário.

Com quatro aquisições consecutivas entre 2006 e 2010, a empresa triplicou de tamanho e, surpreendentemente, passou a líder Cyrela. Mas, no ano passado, as coisas começaram a desandar. Da porta para fora, os executivos da PDG viram o mercado de imóveis desacelerar e o custo das obras subir além do previsto - problema que afetou grande parte das companhias do setor, que cresceram demais, se espalharam pelo País e perderam o controle de seus empreendimentos.

Crise na cúpula. Da porta para dentro, o clima também estava pesado. O presidente José Grabowsky anunciou em novembro de 2011 que deixaria o comando da incorporadora e passaria o cargo para seu fiel escudeiro, o diretor financeiro Michel Wurman, preparado há anos para sucedê-lo. Só que Michel se desentendeu com a cúpula e não estava disposto a assumir o barco quando ele começava a afundar. Foi a gota d’água para um mercado que já estava desconfiado.

Em fevereiro, três dos principais executivos da PDG fizeram uma manobra com ações para proteger a remuneração deles próprios de uma futura desvalorização dos papéis do grupo. Pegou muito mal. E tudo isso aconteceu justamente no momento em que a PDG passava por sua maior reestruturação interna desde as aquisições.

Até o início do ano, a incorporadora era, na verdade, um conjunto de três empresas que funcionavam separadamente. "Descobrimos, por exemplo, que as duas companhias com sede em São Paulo, a Goldfarb e a Agre, já estavam disputando os mesmos terrenos, com equipes diferentes", admitiu Grabowsky, logo no início do processo de integração. Nos últimos meses, toda a parte administrativa da PDG foi integrada. Cerca de 200 pessoas foram desligadas da empresa, e os escritórios de Agre e Goldfarb passaram a funcionar no mesmo local, em São Paulo. Agora, a empresa tenta, com a consultoria do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), padronizar seus canteiros de obra.

Carlos Piani chega exatamente nesse estágio. Ele diz que só anunciará os próximos passos a serem dados na construtora daqui a 90 dias. Por enquanto, preferiu um discurso tangencial. "Vocês terão de esperar para ver qual é meu estilo", disse aos analistas de mercado. Sua primeira tarefa, segundo executivos da empresa, não será fácil: caberá a ele fazer as mudanças na cúpula da companhia e escolher entre os sócios, fundadores das empresas adquiridas, quem tocará a operação. "Vestir a camisa", pelo visto, será a mais simples das missões do novo presidente.