sexta-feira, 4 de março de 2011

Fitch atribui rating AAA à CRI da Brazilian Securities

Luciana Seabra

04.03.2011

 

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Fitch atribuiu o rating nacional preliminar de longo prazo "AAA(bra)" para a primeira emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) da Brazilian Securities Companhia de Securitização, empresa do Grupo Ourinvest, com perspectiva estável.

A operação consiste na securitização de uma carteira de financiamentos imobiliários concedidos pela Caixa Econômica Federal para aquisição de imóveis residenciais.

O rating reflete a esperada capacidade de pagamento integral do principal investido, corrigido pela Taxa Referencial (TR) e acrescido de taxa de juros de 10% ao ano até o vencimento da transação, em novembro de 2018.

De acordo com a Fitch, os certificados são lastreados por uma carteira com saldo devedor de R$ 258,6 milhões em janeiro de 2011, bastante diversificada e distribuída geograficamente. A agência considerou que a carteira que dá lastro à operação tem qualidade de crédito superior ao normalmente verificado nos créditos imobiliários da CEF.

A Fitch também atribuiu à série o rating de severidade de perda LS-1, que aponta para o risco de perda caso haja inadimplência.

 

 

Corte no Minha Casa, Minha Vida não afeta emissão de CRI

DCI - São Paulo/SP - FINANÇAS - 04/03/

Eduardo Puccioni

 

São Paulo - Os mercados de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e outros ativos imobiliários não serão afetados pelo corte de R$ 5,1 bilhões no programa Minha Casa, Minha Vida, segundo o advogado Carlos Ferrari, especialista nas áreas de Mercado de Capitais e setor Imobiliários, do Lobo & de Rizzo Advogados. O corte foi anunciado na 2ª feira pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior. "O que deve ter ocorrido foi um pequeno erro de calculo no montante destinado na primeira fase do programa. O mercado não precisava de todo o montante dos recursos. O que ocorreu foi um ajuste no valor", afirma Ferrari.

 

O advogado se mostrou muito otimista com as ofertas que virão em 2011. "Acabamos de fechar uma operação da MRV Engenharia no valor de R$ 248 milhões. Acabamos de publicar na CVM [Comissão de Valores Mobiliários]", revela o especialista.

 

Ferrari afirma ainda que no escritório tem 5 operação para sair, contando com a da MRV, que juntas, chegam próximo de R$ 600 milhões. "O mercado está com uma velocidade de emissões que jamais vi", acrescenta Ferrari. O advogado diz ainda que só neste início de ano a CVM já concentra um estoque de emissões no montante de R$ 2 bilhões. "Este foi o volume que fechou o ano inteiro de 2010", lembra o especialista.

 

De acordo com os valores divulgados pela CVM, 2010 finalizou com R$ 2,1 bilhões em ofertas registradas, contra R$ 1,223 bilhão em relação ao ano anterior, correspondendo a um crescimento de 74,8% no período. Em 2008, o montante foi de R$ 830 milhões e, em 2007, o volume financeiro foi de R$ 868 milhões.

 

Ferrari lembrou ainda que a demanda dos investidores também tem sido fundamental para o crescimento deste mercado. "Além do interesse do investidor, estamos tendo uma alta no mercado secundário deste título, coisa que não tínhamos no passado", explica o especialista, dizendo ainda que investidor estrangeiro também está demonstrando grande interesse nos CRIs. "Temos de lembrar que o estrangeiro não paga Imposto de Renda sobre esta operação. Para eles é bem vantajoso", explica Ferrari.

 

Considerados importantes fontes de financiamento para o crédito imobiliário, os ativos como Cédula de Crédito Imobiliário (CCI), Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e CRI registraram um volume de R$ 58,8 bilhões em 2011 na Cetip. Esses ativos, juntos, acumularam um crescimento de cerca de 40%, de 2009 para 2010. A Cetip detém quase que a totalidade do mercado de registro desses papéis, com 96% do mercado.

 

O crédito imobiliário no mercado de securitização foi o assunto da palestra que Carlos Ratto, diretor executivo Comercial e de Produtos da Cetip, apresentou no Encontro de Executivos dos Mercados de Securitização e Crédito Imobiliário. O encontro reuniu aproximadamente de 80 profissionais ligados a instituições financeiras do setor de crédito imobiliário e securitização.

 

Ainda sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, Ferrari explica que tem contato com diversos agentes de mercado e que não ouviu ninguém questionando o corte. "Este é um mercado de títulos com cada vez mais segurança no lastro, isso atrai investidores".

 

O cenário atual e o mercado secundário também fizeram parte da apresentação de Ratto. Para o executivo, é necessário o desenvolvimento do mercado. "O estímulo ao mercado secundário será extremamente importante para que investidores do mercado primário saibam que esses ativos poderão ser negociados futuramente", explica o diretor da Cetip.

 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Fitch Atribui Rating Preliminar 'AAA(bra)' à 203ª Série de CRIs da Brazilian Securities

02 Mar 2011 17h52

 

Fitch Ratings -São Paulo, 02 de março de 2011: A Fitch Ratings atribuiu, hoje, o Rating Nacional Preliminarde Longo Prazo ‘AAA(bra)(prel)’ com Perspectiva Estável à 203ª série da primeira emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) da Brazilian Securities Companhia de Securitização (BS), no montante nominal de BRL232.766.000. Ao mesmo tempo, a agência atribuiu à série o Rating de Severidade de Perda (LS) LS-1.

 

A operação consiste na securitização de uma carteira de financiamentos imobiliários concedidos pela Caixa Econômica Federal (CEF) para aquisição de imóveis residenciais.

 

A atribuição do Rating Preliminar é fundamentada principalmente nos seguintes fatores: elevada qualidade de crédito da carteira lastro da operação, superior à qualidade geral dos créditos imobiliários originados pela CEF; reforço de crédito inicial de 10% em benefício dos investidores seniores; constituição de alienação fiduciária dos imóveis; estrutura de ordem de alocação de recursos e existência de gatilhos que beneficiam o pagamento da série sênior; e casamento de taxas e índice de correção entre o lastro e os CRIs.

 

O Rating Preliminar atribuído reflete a esperada capacidade de pagamento integral do principal investido, corrigido monetariamente pela Taxa Referencial (TR) e acrescido de taxa de juros de 10,0% ao ano até o vencimento final legal da transação, em 10 de novembro de 2018.

 

Os CRIs são lastreados por uma carteira que possuía saldo devedor de BRL258,6 milhões, em janeiro de 2011, bastante diversificada com 4.324 contratos e larga distribuição geográfica. Todos os financiamentos referem-se a contratos de pessoas físicas para aquisição de imóveis residenciais e contam com alienação fiduciária do bem imóvel. Os contratos são corrigidos pela TR, possuem taxa média de juros de 10,8% ao ano e são amortizados pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).

 

A qualidade da carteira de crédito é significativamente superior à média de originação do banco. O prazo remanescente médio da carteira é de cerca de seis anos, com prazo médio decorrido (seasoning) de três anos. O atual loan to value (LTV) médio, que representa o valor da dívida em relação ao imóvel, é de 35,15%, índice muito baixo quando comparado a outras operações de securitização de crédito imobiliário residencial. O forte perfil de crédito da carteira e o esperado desempenho de adimplência e grau de recuperação sobre eventuais perdas foram fatores determinantes para o rating atribuído à emissão de CRIs.

 

A operação se beneficia de reforço de crédito inicial de 10%, baseado na sobrecolateralização entre o saldo devedor da carteira de créditos imobiliários e o saldo devedor do CRI sênior. Junto com a 203ª série, foi emitida a 204ª série, subordinada à primeira.  A amortização de ambas as séries ocorre de forma pro rata, sendo que a ordem de alocação de recursos estabelece o pagamento de principal e juros primeiro para a 203ª série e, após carência de 24 meses, para a 204ª série. Além disso, na ocorrência de determinados eventos, como o aumento de inadimplência e a consequente queda na sobrecolaterização disponível, a ordem para os pagamentos será sequencial.

 

O Rating de Severidade de Perda (Loss Severity - LS) proporciona maior compreensão sobre o potencial risco de perda em operações estruturadas. Enquanto os ratings de crédito tradicionais de operações estruturadas dimensionam o risco de a emissão avaliada ficar inadimplente, o Rating de Severidade de Perda contempla o risco de perda após o evento de inadimplência da emissão. Mais detalhes sobre os ratings de LS se encontram no Relatório Especial “Analyzing Structured Finance Bonds Using Loss Severity and Recovery Ratings”, publicado em 22 de dezembro de 2009.

 

O Rating Preliminar não constitui a opinião de crédito da Fitch Ratings, porém é uma indicação que poderá ser confirmada ou não no momento da atribuição do rating final. O Rating Preliminar atribuído está baseado em informações preliminares fornecidas pelo emissor e outros participantes da estruturação desta oferta até 2 de março de 2011. O Rating Preliminar fica condicionado à conferência dos documentos finais que estejam em conformidade com as informações já recebidas. Quaisquer alterações das informações poderão resultar em atribuição de rating final diferente do preliminar. Os ratings de crédito da Fitch não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de um título. O prospecto e outros materiais disponibilizados desta oferta deverão ser lidos anteriormente à sua aquisição.

 

Os detalhes sobre os fundamentos e cenários de estresse considerados no rating atribuído poderão ser encontrados no Relatório de Rating Preliminar desta emissão, a ser publicado em www.fitchratings.com e www.fitchratings.com.br.

 

A Fitch realizou as seguintes ações de rating:

 

Brazilian Securities Companhia de Securitização:

 

- 203ª série da primeira emissão de CRIs, no montante de BRL232.766.000:  RatingNacional Preliminarde Longo Prazo ‘AAA(bra)(prel)’, Perspectiva Estável; e Rating de Severidade de Perda LS-1.

 

 

 

A construção ficará aquecida

O Estado de S. Paulo - São Paulo/SP - NOTÍCIAS - 03/03/2011

 

Os cortes de R$ 5,1 bilhões no Programa Minha Casa, Minha Vida, anunciados pelo governo federal, não impedirão que a construção civil continue em ritmo aquecido. Nem se pode afirmar que faltarão recursos para o programa de habitação, pois o setor da construção dispõe de outras fontes de financiamento, de não menor importância.

 

 

O lastro das operações de financiamento habitacional vem das cadernetas de poupança, do FGTS e, crescentemente, de instrumentos como os fundos imobiliários, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), os fundos de direitos creditórios especializados em imóveis (FDICs), as letras hipotecárias e as letras de crédito imobiliário.

 

As verbas do Programa Minha Casa, Minha Vida incluídas no PAC correspondem à fase dois do programa habitacional, destinando-se a ampliar o volume de subsídios à baixa renda, para permitir que mais pessoas tenham acesso à moradia. Mas, no ano passado, parcela vultosa dessas verbas, de R$ 9,5 bilhões, nem chegou a ser aplicada - o que não impediu a construção civil, em todo o País, de ter um dos melhores desempenhos de sua história.

 

O corte de agora se refere a recursos que ainda não haviam sido aprovados pelo Congresso, ou seja, recursos que o governo não poderia gastar, como mostrou a reportagem de Lu Aiko Otta, no Estado (1/3, A4).

 

As expectativas do setor imobiliário continuam a ser muito favoráveis, neste e nos próximos anos, porque se trata de investimentos de longo prazo (o ciclo de construção é de dois a três anos, quando não mais), que dispõem de fontes de financiamento confiáveis. Há mais de R$ 300 bilhões aplicados em depósitos de poupança - e embora, nos últimos cinco anos, a demanda de empréstimos tenha crescido mais do que a oferta de recursos, ainda haverá crédito suficiente para atender à procura pelo menos por mais dois anos. Os bancos que captam depósitos de poupança financiaram 421 mil unidades no ano passado, quase 40% mais do que as 302 mil financiadas em 2009, sobretudo para a faixa média.

 

Em 2010, o FGTS, com disponibilidades líquidas superiores a R$ 100 bilhões, destinou R$ 26,9 bilhões ao financiamento de habitações, inclusive o Programa Minha Casa, Minha Vida. O número de unidades financiadas pelo FGTS aumentou de 367 mil, em 2009, para 631 mil, em 2010.

 

Mas o programa federal de habitação popular ficou aquém do prometido pelo governo Lula. Em vez de 1 milhão de unidades, foi entregue somente uma quarta parte disso. Muitas obras atrasaram devido à demora nos trâmites burocráticos das prefeituras e da Caixa Econômica Federal ou por falta de mão de obra.

 

Persiste um dos problemas que mais dificultaram a execução do Programa Minha Casa, Minha Vida desde o seu lançamento, em 2008 - a falta de terrenos com infraestrutura adequada e preços que permitam a construção de imóveis de baixo valor. A elevação do valor máximo das unidades que podem ser financiadas dentro do programa, de R$ 130 mil para R$ 160 mil, a partir deste ano, resolverá apenas em parte o problema do custo dos terrenos, pois não se pode desprezar o risco de encarecimento das moradias, como já ocorreu no passado, quando os limites foram majorados.

 

As projeções dos agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, que operam com recursos das cadernetas e cujo principal participante é a CEF, indicam que 540 mil unidades deverão ser financiadas neste ano (+28% em relação a 2010), no montante de R$ 85 bilhões. O orçamento do FGTS prevê financiamentos de apenas R$ 23 bilhões, mas deve ser revisado ao longo do ano, para atender à demanda,

 

Segundo cálculos oficiais, se a fase dois do Programa Minha Casa, Minha Vida for suspensa, os recursos para o programa em 2011 ainda serão de R$ 7,6 bilhões - ou seja, R$ 1 bilhão a mais do que em 2010. Continuarão abundantes. Quando muito, o ritmo da aceleração dos investimentos imobiliários será ligeiramente menor, como pretende o governo, para não pressionar a inflação.

 

 

 

Caixa começa a securitizar créditos

Valor Econômico - São Paulo/SP - FINANÇAS - 03/03/2011 - 01:40:

 

Carolina Mandl | De São Paulo

 

A Caixa Econômica Federal estreia um tipo de operação que deve se tornar bastante comum para os bancos nos próximos meses. A instituição está vendendo R$ 232,7 milhões de sua bilionária carteira de créditos imobiliários para investidores do mercado de capitais.

 

A oferta de recebíveis imobiliários da Caixa deve abrir o mercado para outros bancos realizarem testes semelhantes. Com o crescimento da demanda por financiamento imobiliário, os recursos da poupança tendem a se tornar insuficientes para atender à demanda dos consumidores já nos próximos dois anos. Porém, se venderem parte dos créditos a investidores, os bancos vão gerar novos recursos para o crédito à habitação.

 

Os papéis vendidos pela Caixa, chamados de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), aceitarão aplicações de pessoas físicas que vão de um mínimo de R$ 10 mil a um máximo de R$ 1 milhão. As reservas podem ser feitas nas agências do banco até o dia 29 de abril.

 

É a primeira vez, por exemplo, que recebíveis imobiliários são vendidos a pequenos aplicadores no Brasil. Em geral, esse tipo de produto exige uma aplicação mínima de R$ 300 mil.

 

Os recebíveis vão pagar aos investidores um valor máximo equivalente à Taxa Referencial mais 10% ao ano, com vencimento final em 2018. Esse valor, entretanto, ainda está sujeito à demanda dos investidores, podendo cair ao longo da oferta. A taxa final só será conhecida no dia 4 de maio.

 

A Caixa comprará outros R$ 25,9 milhões dessa operação. Esse volume servirá como uma espécie de colchão para amortecer eventuais inadimplências de quem tomou o financiamento, protegendo os investidores.

 

Os papéis colocados pela Caixa receberam a classificação de risco "AAA" da agência Fitch. A carteira tem 4.324 contratos distribuídos por todo o país. "A qualidade da carteira de crédito é significativamente superior à média de originação do banco", diz a Fitch em seu relatório.

 

A emissora dos certificados é a Brazilian Securities. Por causa do pioneirismo da oferta, houve uma disputa acirrada entre as quatro principais securitizadoras do mercado. Brazilian Securities, RB Capital, Cibrasec e Gaia jogaram para baixo as comissões de olho nos novos serviços que podem ganhar ao acumular a experiência de ter feito a primeira oferta para o banco dono da maior carteira de financiamento imobiliário do país. O prospecto da emissão não traz informações sobre valores cobrados pela vencedora, a Brazilian Securities.

 

 

 

terça-feira, 1 de março de 2011

CVM quer padronizar regras para negociação de fundos fechados

Juliana Ennes | Valor

28/02/2011 20:21

 

RIO - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quer instituir regras de negociação de cotas de fundos fechados. Para isso, colocou em audiência pública, até o dia 28 de março, uma proposta de Instrução Normativa para uniformizar essas regras.

 

O principal objetivo da autarquia é esclarecer em quais casos as cotas de fundos fechados podem ser negociadas em mercados regulamentados. A proposta feita pela autarquia é que isso aconteça quando as cotas forem distribuídas em oferta pública registrada na CVM ou com esforços restritos.

 

Outras possibilidades são quando as cotas já forem admitidas à negociação em mercados regulamentados ou se forem previamente submetidas a registro de negociação, mediante apresentação de prospecto.

 

A CVM considerou que as regras atuais de negociação de diversos fundos possuem “linguagem e comando pouco uniformes”, segundo o edital da audiência pública. Por isso, busca agora adequar e uniformizar a redação das regras, tentando manter a singularidade de cada tipo de fundo.

 

A nova minuta vai tratar de fundos mútuos de ações incentivadas (FMAI), de empresas emergentes, fundos em direitos creditórios (FIDC), em participações (FIP), da indústria cinematográfica (Funcine), FIDC para projetos sociais e fundos de investimento imobiliário.

 

A norma atual sobre FIDC, por exemplo, indica que cotas de fundo fechado devem ser registradas para negociação secundária em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado.

 

A proposta da autarquia é mudar isso, para que cotas de FIDC fechado somente sejam negociadas em mercados regulamentados quando forem distribuídas em oferta registrada na CVM, quando distribuídas com esforços restritos ou quando cotas da mesma classe e série já estiverem admitidas à negociação em mercados regulamentados.

 

Caberá aos intermediários assegurar que a aquisição de cotas somente seja feita por investidores qualificados.

 

(Juliana Ennes | Valor).

Construtoras balançam com corte de R$ 5 bi

Valor Econômico - São Paulo/SP - COLUNISTAS - 01/03/2011 - 01:03:09

Daniele Camba

 

Quem imaginava que o ajuste fiscal de R$ 50 bilhões não passaria por áreas prioritárias do governo se surpreendeu com o anúncio de ontem de um corte de R$ 5 bilhões no programa Minha Casa, Minha Vida. Da previsão inicial de R$ 12,6 bilhões para este ano, o programa de habitação subsidiada para o público de baixa renda passará a ter apenas R$ 7,6 bilhões.

 

A notícia caiu como uma bomba entre as ações de construtoras. O Índice Imobiliário (Imob) - formado pelos principais papéis do setor - caiu ontem 1,14%, ante uma alta do Índice Bovespa de 0,72%, aos 67.383 pontos.

 

Das empresas que possuem ações listadas em bolsa, as que mais sofrem com a decisão do governo são a MRV e a PDG, já que são as duas construtoras mais focadas no segmento de baixa renda. As ações ordinárias (ON, com voto) da MRV caíram ontem 5,30% (a maior queda do Ibovespa) e as ON da PDG, 1,08%.

 

No entanto, o massacre entre as construtoras ontem foi geral. As ON da Cyrela Realty caíram 2,64% e as ON da Rossi Residencial, 2,27%. Apesar de não atuarem nas classes mais baixas, os papéis dessas companhias sofrem por tabela, já que possuem bastante liquidez.

 

"Na dúvida, o investidor prefere não ficar olhando quem sofre e quem não sofre e sim reduzir logo a exposição no setor", diz o gerente da mesa de operação da HSBC Corretora, Frederico Soares.

 

Ele lembra que as construtoras já vinham caindo, como reflexo do processo de alta da taxa de juros e das medidas macroprudenciais para conter a inflação. "Até então, as ações da MRV e da PDG não se desvalorizavam tanto, exatamente na expectativa da segunda edição do programa Minha Casa, Minha Vida, que alavancaria as vendas dessas construtoras", explica Soares.

 

O gerente da mesa acredita que, com o grande corte na segunda edição do programa habitacional, os papéis dessas construtoras de baixa renda devem cair até se igualarem ao desempenho do restante das ações do setor.

 

Investimento no setor de construção ainda é arriscado

 

Soares não acredita que as quedas acentuadas das construtoras representam uma oportunidade de investimento nesses papéis. "Ninguém sabe ainda quais serão as consequências da alta dos juros e das medidas macroprudenciais sobre as vendas das construtoras", diz o gerente da HSBC Corretora.

 

Ele acredita que, com esse cenário, as empresas devem reduzir projeções ("guidances") de resultados para os próximos trimestres e os analistas possivelmente rebaixarão os preços-alvo das ações.

 

Depois de cair quase 4% em janeiro, o Ibovespa fechou fevereiro com alta de 1,22%. O indicador chegou a cair até os 64.217 pontos, mas conseguiu se recuperar, voltando para a casa dos 67 mil pontos. Resta saber se, mesmo sem o investidor estrangeiro, a bolsa conseguirá ultrapassar os 70 mil pontos. Existem dúvidas.

 

Daniele Camba é repórter de Investimentos