Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - 09/11/2010
Ele vive entre China, Inglaterra, Espanha e Brasil, mas foi aqui que escolheu para reviver suas origens. Alguns bilhões a mais na conta, um tanto de polêmica no currículo - amenizada por um capítulo breve e aparentemente bem-sucedido no mercado imobiliário - o espanhol Enrique Bañuelos volta ao cenário da construção civil brasileira. Não mais no papel de consolidador e comprador de empresas com problemas, mas como dono do próprio negócio. Está criando a Veremonte Real Estate, braço da holding Veremonte.
Depois das ousadas investidas que fez no setor imobiliário, que acabaram por lhe garantir o papel de maior acionista individual da maior incorporadora do pais, a PDG Realty - Bañuelos agora aproveita o bom momento para criar uma empresa que irá atuar nas áreas hoteleira, comercial, industrial e de armazéns logísticos. Capitalizado, o bilionário investiu R$ 200 milhões na operação, entre a compra de terrenos e projetos, e tem previsão de investir mais R$ 1 bilhão até 2012 - o que deve gerar R$ 3 bilhões de VGV. Até 2015, pretende chegar a R$ 10 bilhões.
Como é a marca de Bañuelos, não há modéstia nas projeções. Apenas duas empresas - entre 17 de capital aberto - devem chegar perto de R$ 10 bilhões em 2015. A própria PDG Realty e a Cyrela. Na faixa dos R$ 3 bilhões em vendas em 2012 ou acima disso, há um grupo maior, de cerca de seis empresas abertas, mas todas elas com um histórico mais longevo, além de capitalizadas por recentes ofertas em bolsa.
O modelo de negócios será montado via estruturação de fundos, o que significa que os R$ 3 bilhões de VGV devem corresponder a R$ 3 bi em fundos administrados - tanto fundos fechados, quanto para o varejo. Nesse caso, irá enfrentar a concorrência de bancos - o BTG Pactual é um dos mais agressivos, com cerca de R$ 5 bilhões de ofertas em análise na CVM - além de empresas como Prosperitas, WTorre e as estrangeiras, como Tishman Speyer e Hines.
Mas nada disso impede o empresário de avançar na área imobiliária, seu berço de atuação, embora já tenha expandido para a área de agribusiness. Vai aproveitar a influência e os contatos que possui em outros negócios para arregimentar investidores para os fundos que irá criar. "Ainda tem dinheiro de fora que não veio para o Brasil", diz Luis Fernando Davantel que irá comandar o operação. "Os fundos serão um veículo para melhor eficiência e não fonte de recursos", diz. Tanto que a ideia é oferecê-los quando o projeto estiver em andamento. "Não vamos vender power point", cutuca.
Bom nas frases de efeito ao mesmo tempo que consegue ser extremamente detalhista, Davantel está com Bañuelos desde seus primeiros negócios no Brasil. Não esconde em seu discurso a veia financeira - Davantel já foi Itaú BBA, Votorantim, Santander e WTorre. "Minha paixão pelos ativos é zero", diz, referindo-se à concorrência e ao fato de a maioria dos empresários ser muito "apegada" aos projetos. "Queremos montar um negócio de liquidez, com maturação em três ou quatro anos." Davantel começou a montar a estrutura em janeiro e hoje conta com uma equipe de cerca de 30 pessoas.
Na área hoteleira, já tem contrato assinado com a Accor, desde o fim de 2009. Serão os responsáveis por 17 hotéis em 11 capitais (Ibis e Fórmula I ). Serão pelo menos quatro em São Paulo e dois no Rio. Segundo Davantel, serão investidos R$ 500 milhões nos próximos dois anos. "Iremos estruturar um fundo imobiliário só com os hotéis", diz Davantel. "Dois dos maiores fundos dedicados exclusivamente a hotéis não estão no Brasil."
A Veremonte Real Estate não irá atuar na área residencial. "Já estamos contentes com PDG Realty", afirma Marcelo Paracchini, braço direito de Bañuelos e diretor da holding, que descarta nova rodada de aquisições de empresas. Circula no mercado uma versão que o espanhol teria vendido boa parte de suas ações em PDG com lucro e praticamente zerado sua posição. "É que temos vários veículos que foram usados na compra das outras empresas, como Agra, Abyara e Klabin Segall, cada uma com um nome, e na Veremonte mesmo a participação é menor", responde
Nas área de galpões industriais, a empresa investirá em áreas para vários ocupantes e para uma única empresa, no modelo de "build to suit" (com contratos longos e sob encomenda). A Veremonte tem 1,5 milhão de m2 no quilômetro 40 da Castelo Branco, com potencial de locação de até 600 mil m2. Apenas essa operação vai exigir investimento de R$ 500 milhões.
Além dos galpões, pretende desenvolver pequenos centros comerciais e escritórios mais acessíveis, para empresas de call center, por exemplo. "Já temos parceiros que viriam para 40 endereços desse tipo no Brasil", diz.
A empresa comprou da Brookfield, por R$ 100 milhões, a antiga sede da BCN em Alphaville, uma área de 80 mil m2, que pode chegar a 720 mil m2 de área construída. Segundo Davantel, será um produto de 10 a 15 anos de desenvolvimento. A empresa cogita até demolir áreas que irá montar hoje. "Isso é muito comum lá fora, o que faz sentido hoje pode não fazer daqui a 15 anos", explica.
No segmento de escritórios, está apostando no mercado do Rio de Janeiro. Comprou dois edifícios comerciais para reforma no centro da cidade e está perto de fechar mais três ou quatro. "Queremos ter pelo menos 50 mil m2 no Rio este ano", diz. Para Davantel, o mercado de propriedades comerciais ainda tem muito para se desenvolver. "O que temos hoje não é nada perto do que teremos em cinco anos", prevê. "Hoje, em 90% dos casos, quem desenvolve é dono do ativo. Essa equação vai mudar e 90% vai estar na mão do investidor", diz.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Construção civil avança e desponta na Bolsa
O Globo - 08.11.2010
RIO - O setor de construção civil voltou a chamar a atenção dos investidores este ano com um dos melhores desempenhos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis do setor valorizaram-se mais de 20% de janeiro ao fim de outubro, três vezes mais que o Ibovespa no período, índice que serve de termômetro do mercado, revela reportagem de Bruno Villas Boas, publicada pelo GLOBO nesta segunda-feira. Os analistas, por sua vez, garantem que o setor tem fôlego para novos ganhos nos próximos meses, embora alertem para riscos de gargalos de mão de obra e a forte volatilidade dos papéis.
De 15 carteiras de ações recomendadas por corretoras para novembro, os papéis do setor aparecem em 14 delas. O destaque fica para a PDG Realty, preferida em seis carteiras. Na sequência surgem Brookfield (quatro recomendações), Gafisa e Eztec (três em ambas).
Segundo analistas, as empresas de construção seguem com bom potencial de crescimento na Bolsa graças ao aumento do emprego formal (o que dá aos trabalhadores acesso a crédito), elevação da massa salarial e demanda ainda aquecida. Eles lembram que o crédito habitacional responde por apenas 4% do PIB brasileiro. Essa relação seria acima de 10% em países como México e Chile, por exemplo.
- O crédito imobiliário vai aumentar e ainda existe muito espaço para crescimento desse mercado a médio e longo prazos. Os papéis já cresceram e vão crescer mais - afirma Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora.
Os papéis da construção representam 9% da carteira teórica do Ibovespa, com seis ações listadas. E, por isso, tornaram-se uma presença quase obrigatória nas carteiras das corretoras, embora tenham uma volatilidade acima da média na Bovespa.
Segundo Bandeira, essa volatilidade estaria ligada às dificuldades de investidores de acompanhar o mercado. Por isso, ele recomenda que o investidor evite ter uma participação grande do setor na carteira de investimentos:
- É um setor relativamente novo na Bolsa e de análise complexa. Quando incorporadoras compram terrenos e lançam imóveis, o caixa vai para o negativo. Quando entregam as chaves, volta ao positivo. É preciso saber separar o que é momento e o que é problema.
RIO - O setor de construção civil voltou a chamar a atenção dos investidores este ano com um dos melhores desempenhos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis do setor valorizaram-se mais de 20% de janeiro ao fim de outubro, três vezes mais que o Ibovespa no período, índice que serve de termômetro do mercado, revela reportagem de Bruno Villas Boas, publicada pelo GLOBO nesta segunda-feira. Os analistas, por sua vez, garantem que o setor tem fôlego para novos ganhos nos próximos meses, embora alertem para riscos de gargalos de mão de obra e a forte volatilidade dos papéis.
De 15 carteiras de ações recomendadas por corretoras para novembro, os papéis do setor aparecem em 14 delas. O destaque fica para a PDG Realty, preferida em seis carteiras. Na sequência surgem Brookfield (quatro recomendações), Gafisa e Eztec (três em ambas).
Segundo analistas, as empresas de construção seguem com bom potencial de crescimento na Bolsa graças ao aumento do emprego formal (o que dá aos trabalhadores acesso a crédito), elevação da massa salarial e demanda ainda aquecida. Eles lembram que o crédito habitacional responde por apenas 4% do PIB brasileiro. Essa relação seria acima de 10% em países como México e Chile, por exemplo.
- O crédito imobiliário vai aumentar e ainda existe muito espaço para crescimento desse mercado a médio e longo prazos. Os papéis já cresceram e vão crescer mais - afirma Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora.
Os papéis da construção representam 9% da carteira teórica do Ibovespa, com seis ações listadas. E, por isso, tornaram-se uma presença quase obrigatória nas carteiras das corretoras, embora tenham uma volatilidade acima da média na Bovespa.
Segundo Bandeira, essa volatilidade estaria ligada às dificuldades de investidores de acompanhar o mercado. Por isso, ele recomenda que o investidor evite ter uma participação grande do setor na carteira de investimentos:
- É um setor relativamente novo na Bolsa e de análise complexa. Quando incorporadoras compram terrenos e lançam imóveis, o caixa vai para o negativo. Quando entregam as chaves, volta ao positivo. É preciso saber separar o que é momento e o que é problema.
É preciso de muito dinheiro para aplicar em fundo imobiliário?
Valor Econômico - São Paulo/SP - EU & INVESTIMENTOS - 08/11/2010
Gostaria de aplicar em um fundo imobiliário, mas tenho algumas dúvidas. Como funciona um fundo de investimento imobiliário? Qual é a forma de captação? Os valores que preciso aplicar são muito altos? Como é constituído? Quem pode investir? Como é a liquidez?
Cíntia Pureza, CFP:
Sua pergunta é muito oportuna, pois vivemos um "boom" imobiliário com o crescente número de construções de shoppings, condomínios residenciais e comerciais, hotéis, ampliações de hospitais, de unidades fabris, entre outros imóveis ao longo de todo o país.
Todo esse movimento é originário de taxas de juros mais baixas do que o habitual padrão brasileiro, acesso mais facilitado ao crédito imobiliário, déficit habitacional, déficit de imóveis comerciais, aumento da renda das famílias e uma perspectiva de manutenção do crescimento econômico brasileiro - o que, teoricamente, daria sustentação a esse mercado.
Um fundo de investimento imobiliário (FII) possibilita ao investidor ingressar nesse mercado com valores mais acessíveis, com a pulverização dos ativos imobiliários e a possibilidade de retornos acima dos investimentos tradicionais; mas, sem dúvida, com mais riscos também e muitas novidades comparativamente aos nossos conhecidos fundos de renda fixa e ações.
O FII, segundo definição da cartilha do Investidor da CVM, a qual recomendo fortemente a leitura, trata-se de comunhão de recursos, captados por meio de distribuição de valores mobiliários e destinados à aplicação em empreendimentos imobiliários. É constituído sob forma de condomínio fechado, onde o resgate de cotas não é permitido. O prazo de duração é indeterminado e deverá constar no regulamento do fundo. O gestor do fundo deve distribuir aos cotistas 95% dos lucros auferidos, em forma de dividendos a cada 6 meses.
Os FIIs foram regulamentados pela lei 8668/93 e a Instrução CVM 205/94, mas foi com a Instrução CVM 472/2008 que o interesse do mercado aumentou. A instrução vigente permite ao FII adquirir, além de bens imóveis (prontos ou em construção), diversos outros ativos, como CRI, debêntures, quotas de SPEs, ações de empresas listadas. Há também a possibilidade de adquirir quotas de outros fundos (FII, FIP, FIDC e fundo de ações), contanto que esses títulos, ativos e quotas invistam exclusivamente no mercado imobiliário.
Segundo dados da CVM, até começo de outubro de 2010 havia mais de 100 fundos imobiliários com patrimônio aproximado de R$ 7,7 bilhões.
Ao investir em um FII, você deve tomar alguns cuidados muito importantes, uma vez que se trata de fundo fechado e sem resgate de cotas, portanto com liquidez restrita e várias particularidades pertinentes a um investimento e mercado ainda jovens no Brasil.
Os resgates são realizados com transferência das cotas em transações privadas, no mercado de balcão ou bolsa de valores. Portanto, é um investimento de longo prazo. Os valores mínimos de investimentos são especificados no regulamento de cada fundo e variam bastante. Há fundos com valores mínimos de aplicação de R$ 5 mil, o que os torna bem acessíveis.
A questão do imposto de renda para um investidor pessoa física conta com particularidade interessante, já que há isenção do IR, respeitadas algumas condições do fundo, como negociação em bolsa de valores ou mercado balcão, número mínimo de 50 cotistas que individualmente possuam menos de 10% das cotas emitidas.
Esse benefício fiscal tem chamado muito a atenção dos investidores iniciantes, que acabam não fazendo a análise necessária sobre onde seu dinheiro será aplicado, ou seja, em quais ativos o fundo deseja investir, quem é o administrador, prazo de duração, a taxa de administração e demais despesas e metas de gestão.
Assim como nas propagandas de medicamentos, onde lemos permanentemente a mensagem "em caso de dúvida consulte seu médico", em caso de dúvida sobre investimentos em fundos imobiliários, não deixe de consultar a bula, quero dizer o regulamento/prospecto - e um especialista, claro!
Cíntia Pureza é Planejadora Financeira Pessoal e possui a Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF)
E-mail: cintia.pureza@gmail.com
As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou do IBCPF. O jornal e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@ibcpf.org.br
Gostaria de aplicar em um fundo imobiliário, mas tenho algumas dúvidas. Como funciona um fundo de investimento imobiliário? Qual é a forma de captação? Os valores que preciso aplicar são muito altos? Como é constituído? Quem pode investir? Como é a liquidez?
Cíntia Pureza, CFP:
Sua pergunta é muito oportuna, pois vivemos um "boom" imobiliário com o crescente número de construções de shoppings, condomínios residenciais e comerciais, hotéis, ampliações de hospitais, de unidades fabris, entre outros imóveis ao longo de todo o país.
Todo esse movimento é originário de taxas de juros mais baixas do que o habitual padrão brasileiro, acesso mais facilitado ao crédito imobiliário, déficit habitacional, déficit de imóveis comerciais, aumento da renda das famílias e uma perspectiva de manutenção do crescimento econômico brasileiro - o que, teoricamente, daria sustentação a esse mercado.
Um fundo de investimento imobiliário (FII) possibilita ao investidor ingressar nesse mercado com valores mais acessíveis, com a pulverização dos ativos imobiliários e a possibilidade de retornos acima dos investimentos tradicionais; mas, sem dúvida, com mais riscos também e muitas novidades comparativamente aos nossos conhecidos fundos de renda fixa e ações.
O FII, segundo definição da cartilha do Investidor da CVM, a qual recomendo fortemente a leitura, trata-se de comunhão de recursos, captados por meio de distribuição de valores mobiliários e destinados à aplicação em empreendimentos imobiliários. É constituído sob forma de condomínio fechado, onde o resgate de cotas não é permitido. O prazo de duração é indeterminado e deverá constar no regulamento do fundo. O gestor do fundo deve distribuir aos cotistas 95% dos lucros auferidos, em forma de dividendos a cada 6 meses.
Os FIIs foram regulamentados pela lei 8668/93 e a Instrução CVM 205/94, mas foi com a Instrução CVM 472/2008 que o interesse do mercado aumentou. A instrução vigente permite ao FII adquirir, além de bens imóveis (prontos ou em construção), diversos outros ativos, como CRI, debêntures, quotas de SPEs, ações de empresas listadas. Há também a possibilidade de adquirir quotas de outros fundos (FII, FIP, FIDC e fundo de ações), contanto que esses títulos, ativos e quotas invistam exclusivamente no mercado imobiliário.
Segundo dados da CVM, até começo de outubro de 2010 havia mais de 100 fundos imobiliários com patrimônio aproximado de R$ 7,7 bilhões.
Ao investir em um FII, você deve tomar alguns cuidados muito importantes, uma vez que se trata de fundo fechado e sem resgate de cotas, portanto com liquidez restrita e várias particularidades pertinentes a um investimento e mercado ainda jovens no Brasil.
Os resgates são realizados com transferência das cotas em transações privadas, no mercado de balcão ou bolsa de valores. Portanto, é um investimento de longo prazo. Os valores mínimos de investimentos são especificados no regulamento de cada fundo e variam bastante. Há fundos com valores mínimos de aplicação de R$ 5 mil, o que os torna bem acessíveis.
A questão do imposto de renda para um investidor pessoa física conta com particularidade interessante, já que há isenção do IR, respeitadas algumas condições do fundo, como negociação em bolsa de valores ou mercado balcão, número mínimo de 50 cotistas que individualmente possuam menos de 10% das cotas emitidas.
Esse benefício fiscal tem chamado muito a atenção dos investidores iniciantes, que acabam não fazendo a análise necessária sobre onde seu dinheiro será aplicado, ou seja, em quais ativos o fundo deseja investir, quem é o administrador, prazo de duração, a taxa de administração e demais despesas e metas de gestão.
Assim como nas propagandas de medicamentos, onde lemos permanentemente a mensagem "em caso de dúvida consulte seu médico", em caso de dúvida sobre investimentos em fundos imobiliários, não deixe de consultar a bula, quero dizer o regulamento/prospecto - e um especialista, claro!
Cíntia Pureza é Planejadora Financeira Pessoal e possui a Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF)
E-mail: cintia.pureza@gmail.com
As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou do IBCPF. O jornal e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@ibcpf.org.br
sábado, 6 de novembro de 2010
5 Investimentos Isentos de IR
5 investimentos isentos de Imposto de Renda - Seu Dinheiro - EXAME.com
Fundos imobiliários são isentos para pessoas físicas ... Fundos imobiliários são considerados por especialistas uma forma inteligente de investir em imóveis ...
exame.abril.com.br/.../cinco-investimentos-isentos-de-imposto...
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Convênio entre ARISP e BM&FBOVESPA entra em operação
Por Marcela Ney
4 novembro 2010 16h41m
Diretor-Presidente da BM&FBOVESPA e o Presidente da ARISP no dia da assinatura do convênio
Na última quarta-feira (03/11), entrou em operação o convênio de integração de sistemas tecnológicos firmado entre a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (ARISP) e a BM&FBOVESPA. O acordo, assinado no dia 14 de maio deste ano, com o intuito de fomentar o desenvolvimento do mercado de títulos imobiliários, permitirá à BM&FBOVESPA visualizar online as matrículas de imóveis e a solicitar certidões digitais pelo sistema ARISP.
Com esse intercâmbio, a Bolsa disponibilizará aos investidores um ambiente para negociação das Cédulas de Crédito Imobiliário (CCIs), com a garantia de que a operação possua o lastro legalmente constituído, além de oferecer mais segurança e transparência nas futuras emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Fundos Imobiliários e demais ativos.
O acordo, assinado no início deste ano, detalha informações sobre o sistema tecnológico e destaca a importância do convênio para o desenvolvimento de um sólido e eficiente mercado de financiamento imobiliário no país, que viabilize o acesso da população à moradia, a geração sustentada de emprego e a aplicação eficaz de recursos da poupança popular.
Além disso, o documento traz ainda que o objetivo da parceria é o de fortalecer o mercado de títulos imobiliários, tornando-o acessível a um maior número de investidores e potencializando os benefícios de sua utilização em prol do crescimento econômico do país. Outro benefício do sistema é prover o acesso do público investidor a informações fidedignas sobre os imóveis que lastreiam tais títulos.
Autoridades – Durante a celebração do contrato, em maio deste ano, o Diretor Presidente da BM&FBOVESPA, Edemir Pinto, disse que a parceria com a ARISP é o primeiro passo para se estabelecer um mercado imobiliário forte no Brasil, já que o setor está em processo de crescimento e expansão. Mas para tanto, Edemir Pinto ressaltou que é preciso trabalhar de forma transparente, confiável e segura, garantias essas que foram encontradas nos Cartórios de Registro de Imóveis via sistema ARISP. “Sem esse passo não se constrói nenhum modelo de produto com credibilidade”, completou.
José Antônio Gragnani, Diretor Executivo de Desenvolvimento e Fomento de Negócios da BM&FBOVESPA, também esteve presente na ocasião e destacou as vantagens que o convênio com a ARISP irá proporcionar à Bolsa, “o mercado imobiliário é grande e pode ter um crescimento exponencial, mas para tanto é preciso aumentar a transparência, a confiabilidade e credibilidade do mercado”.
De acordo com Emílio Otranto, Gerente de Relações Institucionais da BM&FBOVESPA, o convênio é extremamente importante, não só para a BM&FBOVESPA, mas também para o mercado de capitais no Brasil. “Poder tratar um ativo imobiliário com segurança e transparência vai fazer com que o mercado cresça muito. Hoje, em termos de PIB, o setor imobiliário só representa 3%. Em termos de valores imobiliários negociados, ainda temos volumes muito baixos. Portanto essa possibilidade de ter um link direto com a ARISP e obter informações extremamente fidedignas, online, real time, dará ao mercado, aos estruturadores e aos intermediários condições de gerar mais negócios, pois vão encontrar um ambiente extremamente transparente e seguro para registrar as suas operações. É um marco muito importante para a BM&FBOVESPA e para o mercado de capitais”, relatou.
Alexandre Assolini, Presidente da Câmara do Mercado Imobiliário da BM&FBOVESPA, acrescentou que o convênio firmado com a ARISP é um passo muito importante para conectar o mercado imobiliário ao mercado de capitais. “Trouxemos a integração proporcionada pelo Registro de Imóveis à Bolsa de Valores. No futuro teremos papéis do mercado imobiliário negociados aqui, com informações dos imóveis fornecidas em tempo real”.
Para Flauzilino Araújo dos Santos, Presidente da ARISP, o convênio firmado com a BM&FBOVESPA cumpre a vocação do Registro de Imóveis no Brasil, que é garantir a segurança dos negócios imobiliários e seus conexos, ou seja, negócios ligados ao crédito rural, comercial, industrial ou ainda o habitacional, que impulsiona a indústria da construção civil e os negócios financeiros decorrentes do financiamento imobiliário. Para o Presidente da ARISP, nesse convênio quem sai ganhando é o Brasil. “A medida em que criamos instrumentos capazes de auxiliar a captação de recursos haverá geração de empregos, renda, novas habitações e novos estabelecimentos”, conclui.
Francisco José Rezende dos Santos, Presidente do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB), destacou que o convênio firmado entre a ARISP e a BM&FBOVESPA dá um passo importante para a consolidação cada vez maior do sistema de Registro de Imóveis. “Agradecemos à Diretoria da ARISP que há anos está empenhando esforços para tornar o sistema registral um grande projeto para o Brasil, e o IRIB continuará dando seu apoio”.
Na opinião de Joélcio Escobar, Diretor de Tecnologia da ARISP, o interesse da BM&FBOVESPA pela assinatura do convênio vai ao encontro do que a ARISP vem propondo atualmente, que é garantir a celeridade no tráfego de informações para mercado imobiliário. E para Flaviano Galhardo, Diretor Secretário da ARISP, prover serviços é uma missão traçada pelos Registradores, e a informação rápida e segura necessária ao Mercado Imobiliário é algo que os cartórios de registros de imóveis podem oferecem. Portanto ambas as partes serão beneficiadas nesse convênio.
Ainda na opinião Francisco Ventura de Toledo, Vice-Presidente da ARISP, os Registradores devem apoiar de forma intensiva esse ideal traçado pela ARISP, que é oferecer o que há de mais moderno nos serviços registrais.
4 novembro 2010 16h41m
Diretor-Presidente da BM&FBOVESPA e o Presidente da ARISP no dia da assinatura do convênio
Na última quarta-feira (03/11), entrou em operação o convênio de integração de sistemas tecnológicos firmado entre a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (ARISP) e a BM&FBOVESPA. O acordo, assinado no dia 14 de maio deste ano, com o intuito de fomentar o desenvolvimento do mercado de títulos imobiliários, permitirá à BM&FBOVESPA visualizar online as matrículas de imóveis e a solicitar certidões digitais pelo sistema ARISP.
Com esse intercâmbio, a Bolsa disponibilizará aos investidores um ambiente para negociação das Cédulas de Crédito Imobiliário (CCIs), com a garantia de que a operação possua o lastro legalmente constituído, além de oferecer mais segurança e transparência nas futuras emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Fundos Imobiliários e demais ativos.
O acordo, assinado no início deste ano, detalha informações sobre o sistema tecnológico e destaca a importância do convênio para o desenvolvimento de um sólido e eficiente mercado de financiamento imobiliário no país, que viabilize o acesso da população à moradia, a geração sustentada de emprego e a aplicação eficaz de recursos da poupança popular.
Além disso, o documento traz ainda que o objetivo da parceria é o de fortalecer o mercado de títulos imobiliários, tornando-o acessível a um maior número de investidores e potencializando os benefícios de sua utilização em prol do crescimento econômico do país. Outro benefício do sistema é prover o acesso do público investidor a informações fidedignas sobre os imóveis que lastreiam tais títulos.
Autoridades – Durante a celebração do contrato, em maio deste ano, o Diretor Presidente da BM&FBOVESPA, Edemir Pinto, disse que a parceria com a ARISP é o primeiro passo para se estabelecer um mercado imobiliário forte no Brasil, já que o setor está em processo de crescimento e expansão. Mas para tanto, Edemir Pinto ressaltou que é preciso trabalhar de forma transparente, confiável e segura, garantias essas que foram encontradas nos Cartórios de Registro de Imóveis via sistema ARISP. “Sem esse passo não se constrói nenhum modelo de produto com credibilidade”, completou.
José Antônio Gragnani, Diretor Executivo de Desenvolvimento e Fomento de Negócios da BM&FBOVESPA, também esteve presente na ocasião e destacou as vantagens que o convênio com a ARISP irá proporcionar à Bolsa, “o mercado imobiliário é grande e pode ter um crescimento exponencial, mas para tanto é preciso aumentar a transparência, a confiabilidade e credibilidade do mercado”.
De acordo com Emílio Otranto, Gerente de Relações Institucionais da BM&FBOVESPA, o convênio é extremamente importante, não só para a BM&FBOVESPA, mas também para o mercado de capitais no Brasil. “Poder tratar um ativo imobiliário com segurança e transparência vai fazer com que o mercado cresça muito. Hoje, em termos de PIB, o setor imobiliário só representa 3%. Em termos de valores imobiliários negociados, ainda temos volumes muito baixos. Portanto essa possibilidade de ter um link direto com a ARISP e obter informações extremamente fidedignas, online, real time, dará ao mercado, aos estruturadores e aos intermediários condições de gerar mais negócios, pois vão encontrar um ambiente extremamente transparente e seguro para registrar as suas operações. É um marco muito importante para a BM&FBOVESPA e para o mercado de capitais”, relatou.
Alexandre Assolini, Presidente da Câmara do Mercado Imobiliário da BM&FBOVESPA, acrescentou que o convênio firmado com a ARISP é um passo muito importante para conectar o mercado imobiliário ao mercado de capitais. “Trouxemos a integração proporcionada pelo Registro de Imóveis à Bolsa de Valores. No futuro teremos papéis do mercado imobiliário negociados aqui, com informações dos imóveis fornecidas em tempo real”.
Para Flauzilino Araújo dos Santos, Presidente da ARISP, o convênio firmado com a BM&FBOVESPA cumpre a vocação do Registro de Imóveis no Brasil, que é garantir a segurança dos negócios imobiliários e seus conexos, ou seja, negócios ligados ao crédito rural, comercial, industrial ou ainda o habitacional, que impulsiona a indústria da construção civil e os negócios financeiros decorrentes do financiamento imobiliário. Para o Presidente da ARISP, nesse convênio quem sai ganhando é o Brasil. “A medida em que criamos instrumentos capazes de auxiliar a captação de recursos haverá geração de empregos, renda, novas habitações e novos estabelecimentos”, conclui.
Francisco José Rezende dos Santos, Presidente do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB), destacou que o convênio firmado entre a ARISP e a BM&FBOVESPA dá um passo importante para a consolidação cada vez maior do sistema de Registro de Imóveis. “Agradecemos à Diretoria da ARISP que há anos está empenhando esforços para tornar o sistema registral um grande projeto para o Brasil, e o IRIB continuará dando seu apoio”.
Na opinião de Joélcio Escobar, Diretor de Tecnologia da ARISP, o interesse da BM&FBOVESPA pela assinatura do convênio vai ao encontro do que a ARISP vem propondo atualmente, que é garantir a celeridade no tráfego de informações para mercado imobiliário. E para Flaviano Galhardo, Diretor Secretário da ARISP, prover serviços é uma missão traçada pelos Registradores, e a informação rápida e segura necessária ao Mercado Imobiliário é algo que os cartórios de registros de imóveis podem oferecem. Portanto ambas as partes serão beneficiadas nesse convênio.
Ainda na opinião Francisco Ventura de Toledo, Vice-Presidente da ARISP, os Registradores devem apoiar de forma intensiva esse ideal traçado pela ARISP, que é oferecer o que há de mais moderno nos serviços registrais.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Executivo aposta em linhas de longo prazo
DCI 04.11.2010
SÃO PAULO - Crédito imobiliário, estudantil e cadastro positivo devem nortear o mercado de empréstimo próximos anos. Esta é a constatação do sócio e consultor da Witrisk consultoria, Fernando Manfio.
Ele antevê que o consumidor brasileiro deve adquirir novos hábitos quando acontecer o boom do crédito imobiliário. "A primeira mudança já acontece. Hoje quem ingressa no mercado de trabalho já tem como meta a entrada no primeiro imóvel. Pode ser que ele deixe de pagar uma conta em detrimento do imóvel. Ainda não podemos prever."
Manfio destaca que o mercado precisa aprender a ter inteligência tanto para dar crédito como para cobrar. "Não estar inadimplente não significa que a pessoa não esteja sufocada com parcelas. Hoje, ninguém sabe desta informação, pois elas são individualizadas nas empresas. Um banco não sabe do outro."
Cadastro positivo
"Emprestar melhor para receber melhor" foi a fórmula utilizada por Fernando Manfio para analisar a necessidade da implantação do cadastro positivo no Brasil. "O cadastro precisa ter informações do cliente, não apenas saber se o cliente comprou aqui ou ali."
Em sua opinião, o cadastro precisa ter informações como o endereço e o comportamento de compra das pessoas. "Quanto mais abrangentes as informações, mais inteligente é a decisão de conceder crédito ou não." O problema, avalia, é que as empresas não querem dividir informações, pois "quem faz a lei não conhece o sistema brasileiro."
O executivo avalia que o Brasil vive um nível de inadimplência bastante bom. "Eu imaginava que teríamos problemas no mercado de automóveis. Com a crise mundial, o mercado segurou a concessão de crédito e a bolha não estourou."
Hoje, ele avalia que as redes têm melhores critérios para conceder crédito. "Claro que quando cresce a carteira, a inadimplência diminui", ressaltou.
Apoiado pelo recente crescimento do Brasil, o especialista afirmou que a expansão de crédito acontece desde a criação do Plano Real. "O crescimento médio é de 20% ao ano. Hoje as pessoas físicas representam 15% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual, excluindo-se o volume de crédito imobiliário, representa o mesmo tamanho de crédito americano."
Cobrança
"Muita gente cobra o mesmo cliente, mas, se o bolso é um só, porque pagar um e não o outro?" Para solucionar estes problemas, Manfio diz que as empresas já usam inteligência e tecnologia de cobrar melhor. "Fazer a abordagem mais adequada, ser simpático e oferecer melhores acordos são fatores que precisam estar no escopo de soluções. Cobrança é a coqueluche do mercado."
A cobrança, no entender do especialista, é outro ponto que o mercado precisa aprender melhor. "Para entender qual devedor precisa de uma mensagem de celular ou que qual precisa de uma abordagem mais assertiva precisa estudar a base de dados. Dependendo da dificuldade, precisa de um certo tipo de cobrador."
Para ter melhor aproveitamento nas cobranças, Manfio destaca que as financeiras desenham planos antes de soltar crédito. "Não existe uma regra, mas variações. Vender uma roupa parcelada é mais arriscado que vender um eletrodoméstico. A roupa estraga mais fácil e a loja não vai tomar a roupa usada. O cartão de crédito tem mais inadimplência que o crédito consignado."
Na avaliação do especialista, a cobrança inteligente usa tecnologia, estatística, analise de dados, precisão e probabilidade de recuperação dos clientes. "Precisa saber como o devedor gosta de ser abordado. São milhões de pessoas e isto envolve estudos."
Como contraponto, ele ressalta que as redes assumem riscos calculados. "As grandes redes têm percentual de inadimplência. O grande foco não é baixar a inadimplência, mas aumentar o lucro. A inadimplência é um vetor. Quer ganhar quanto para o risco? A rede precisa avaliar isto."
A grande missão é equilibrar receita e devedores, destacou Manfio. Para ele, de nada adianta muito rigor na concessão de crédito se a rede deixa de vender por isso. "Aumentar a receita dos produtos de crédito e adequar o spread. Uma alternativa é oferecer seguro contra calote. No varejo, o crédito não é principal: ele funciona como alavancagem para obter mais vendas."
Imobiliário
Para Manfio, o crédito imobiliário tem tudo para deslanchar: mercado, oferta e legislação. "Para mitigar os riscos da forte expansão precisa fomentar o cadastro positivo, pois melhorar a concessão do crédito diminui aa probabilidade de o tomador dever."
Embora avalie que a modalidade ainda é incipiente e nova no Brasil, diz que "precisa de regulação do sistema e melhores garantias para quem empresta."
O executivo ressalta que é possível evitar uma crise imobiliária no Brasil, pois as garantias são melhores do que as que os EUA tinham. "O número de devedores não será proporcional ao de outros mercados de crédito. Hoje, a taxa de juros para imóveis gira em torno de 1,5%, ao mês: não pode ser comparada ao praticado com cartão de crédito."
Outra 'arma' que impede a formação de uma bolha imobiliária, no entender do especialista, é que o mercado de crédito imobiliário começa mais maduro, "pois o sistema já emprestou dinheiro a modalidades mais arriscadas, como o crédito a pessoas com renda de um salário mínimo. Ainda temos de entender as classes C e D."
SÃO PAULO - Crédito imobiliário, estudantil e cadastro positivo devem nortear o mercado de empréstimo próximos anos. Esta é a constatação do sócio e consultor da Witrisk consultoria, Fernando Manfio.
Ele antevê que o consumidor brasileiro deve adquirir novos hábitos quando acontecer o boom do crédito imobiliário. "A primeira mudança já acontece. Hoje quem ingressa no mercado de trabalho já tem como meta a entrada no primeiro imóvel. Pode ser que ele deixe de pagar uma conta em detrimento do imóvel. Ainda não podemos prever."
Manfio destaca que o mercado precisa aprender a ter inteligência tanto para dar crédito como para cobrar. "Não estar inadimplente não significa que a pessoa não esteja sufocada com parcelas. Hoje, ninguém sabe desta informação, pois elas são individualizadas nas empresas. Um banco não sabe do outro."
Cadastro positivo
"Emprestar melhor para receber melhor" foi a fórmula utilizada por Fernando Manfio para analisar a necessidade da implantação do cadastro positivo no Brasil. "O cadastro precisa ter informações do cliente, não apenas saber se o cliente comprou aqui ou ali."
Em sua opinião, o cadastro precisa ter informações como o endereço e o comportamento de compra das pessoas. "Quanto mais abrangentes as informações, mais inteligente é a decisão de conceder crédito ou não." O problema, avalia, é que as empresas não querem dividir informações, pois "quem faz a lei não conhece o sistema brasileiro."
O executivo avalia que o Brasil vive um nível de inadimplência bastante bom. "Eu imaginava que teríamos problemas no mercado de automóveis. Com a crise mundial, o mercado segurou a concessão de crédito e a bolha não estourou."
Hoje, ele avalia que as redes têm melhores critérios para conceder crédito. "Claro que quando cresce a carteira, a inadimplência diminui", ressaltou.
Apoiado pelo recente crescimento do Brasil, o especialista afirmou que a expansão de crédito acontece desde a criação do Plano Real. "O crescimento médio é de 20% ao ano. Hoje as pessoas físicas representam 15% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual, excluindo-se o volume de crédito imobiliário, representa o mesmo tamanho de crédito americano."
Cobrança
"Muita gente cobra o mesmo cliente, mas, se o bolso é um só, porque pagar um e não o outro?" Para solucionar estes problemas, Manfio diz que as empresas já usam inteligência e tecnologia de cobrar melhor. "Fazer a abordagem mais adequada, ser simpático e oferecer melhores acordos são fatores que precisam estar no escopo de soluções. Cobrança é a coqueluche do mercado."
A cobrança, no entender do especialista, é outro ponto que o mercado precisa aprender melhor. "Para entender qual devedor precisa de uma mensagem de celular ou que qual precisa de uma abordagem mais assertiva precisa estudar a base de dados. Dependendo da dificuldade, precisa de um certo tipo de cobrador."
Para ter melhor aproveitamento nas cobranças, Manfio destaca que as financeiras desenham planos antes de soltar crédito. "Não existe uma regra, mas variações. Vender uma roupa parcelada é mais arriscado que vender um eletrodoméstico. A roupa estraga mais fácil e a loja não vai tomar a roupa usada. O cartão de crédito tem mais inadimplência que o crédito consignado."
Na avaliação do especialista, a cobrança inteligente usa tecnologia, estatística, analise de dados, precisão e probabilidade de recuperação dos clientes. "Precisa saber como o devedor gosta de ser abordado. São milhões de pessoas e isto envolve estudos."
Como contraponto, ele ressalta que as redes assumem riscos calculados. "As grandes redes têm percentual de inadimplência. O grande foco não é baixar a inadimplência, mas aumentar o lucro. A inadimplência é um vetor. Quer ganhar quanto para o risco? A rede precisa avaliar isto."
A grande missão é equilibrar receita e devedores, destacou Manfio. Para ele, de nada adianta muito rigor na concessão de crédito se a rede deixa de vender por isso. "Aumentar a receita dos produtos de crédito e adequar o spread. Uma alternativa é oferecer seguro contra calote. No varejo, o crédito não é principal: ele funciona como alavancagem para obter mais vendas."
Imobiliário
Para Manfio, o crédito imobiliário tem tudo para deslanchar: mercado, oferta e legislação. "Para mitigar os riscos da forte expansão precisa fomentar o cadastro positivo, pois melhorar a concessão do crédito diminui aa probabilidade de o tomador dever."
Embora avalie que a modalidade ainda é incipiente e nova no Brasil, diz que "precisa de regulação do sistema e melhores garantias para quem empresta."
O executivo ressalta que é possível evitar uma crise imobiliária no Brasil, pois as garantias são melhores do que as que os EUA tinham. "O número de devedores não será proporcional ao de outros mercados de crédito. Hoje, a taxa de juros para imóveis gira em torno de 1,5%, ao mês: não pode ser comparada ao praticado com cartão de crédito."
Outra 'arma' que impede a formação de uma bolha imobiliária, no entender do especialista, é que o mercado de crédito imobiliário começa mais maduro, "pois o sistema já emprestou dinheiro a modalidades mais arriscadas, como o crédito a pessoas com renda de um salário mínimo. Ainda temos de entender as classes C e D."
São Carlos compra conjunto de área comercial em SP
DCI - 03.11.2010
SÃO PAULO - No setor imobiliário, a São Carlos anunciou a aquisição do conjunto empresarial Centro Administrativo Santo Amaro (Casa), localizado na zona sul da cidade de São Paulo, por um total de R$ 165 milhões. De acordo com a empresa, 70% deste valor será financiado. O negócio foi fechado por meio da subsidiária Top Center Empreendimentos e Participações com a CECC Incorporadora e Administradora de Bens.
O complexo Casa conta com quatro edifícios de escritórios, tem 38.150 metros quadrados de área total, que é ocupada por 18 empresas. Com a aquisição, o portfólio da São Carlos passou a contar com 37 imóveis com valor estimado em R$ 1,8 bilhão.
A construtora Cyrela divulgou na sexta-feira que as vendas contratadas do terceiro trimestre do ano (de julho a setembro) tiveram uma queda de 34,4% em relação às do mesmo período de 2009, com R$ 806,8 milhões. Os lançamentos feitos no período também registraram queda, desta vez de 31% em relação a igual período de 2009. Ao todo, a empresa lançou o equivalente ao valor de R$ 1,028 bilhão, dos quais 42,7% foram vendidos no mesmo período, segundo informações da Cyrela.
Apesar das quedas registradas no trimestre, a Cyrela afirma que o mês de outubro foi positivo. Os lançamentos feitos no mês, que somaram 1,6 bilhão, superando todo o montante do terceiro trimestre. Esse valor equivale aos projetos abertos para a venda.
SÃO PAULO - No setor imobiliário, a São Carlos anunciou a aquisição do conjunto empresarial Centro Administrativo Santo Amaro (Casa), localizado na zona sul da cidade de São Paulo, por um total de R$ 165 milhões. De acordo com a empresa, 70% deste valor será financiado. O negócio foi fechado por meio da subsidiária Top Center Empreendimentos e Participações com a CECC Incorporadora e Administradora de Bens.
O complexo Casa conta com quatro edifícios de escritórios, tem 38.150 metros quadrados de área total, que é ocupada por 18 empresas. Com a aquisição, o portfólio da São Carlos passou a contar com 37 imóveis com valor estimado em R$ 1,8 bilhão.
A construtora Cyrela divulgou na sexta-feira que as vendas contratadas do terceiro trimestre do ano (de julho a setembro) tiveram uma queda de 34,4% em relação às do mesmo período de 2009, com R$ 806,8 milhões. Os lançamentos feitos no período também registraram queda, desta vez de 31% em relação a igual período de 2009. Ao todo, a empresa lançou o equivalente ao valor de R$ 1,028 bilhão, dos quais 42,7% foram vendidos no mesmo período, segundo informações da Cyrela.
Apesar das quedas registradas no trimestre, a Cyrela afirma que o mês de outubro foi positivo. Os lançamentos feitos no mês, que somaram 1,6 bilhão, superando todo o montante do terceiro trimestre. Esse valor equivale aos projetos abertos para a venda.
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