Por: Patricia Alves
16/06/10 - 14h10
InfoMoney
SÃO PAULO – A Receita Federal do Brasil publicou, na edição desta quarta-feira (16) do Diário Oficial da União, a Instrução Normativa 1.043, que altera instrução de maio deste ano sobre o imposto de renda que incide nos rendimentos e ganhos líquidos auferidos nos mercados financeiro e de capitais.
A nova instrução normativa, que entra em vigor na data de publicação, altera a redação dos artigos 44 e 73 da IN anterior. O primeiro versa sobre as isenções do imposto sobre a renda e o segundo faz parte da seção que trata da tributação das aplicações em fundos de investimentos e em títulos e valores mobiliários de renda fixa ou de renda variável de residentes ou domiciliados no exterior, sujeitos a regime especial.
Às 16h desta quarta-feira, em Brasília, o Subsecretário de Aduana e Relações Internacionais, Fausto Vieira Coutinho, e o Subsecretário de Tributação e Contencioso, Sandro Vargas Serpa, darão entrevista coletiva sobre o ato publicado.
Artigo 44
Com relação ao artigo 44, foi incluída a informação de que os ganhos de capital auferidos na alienação ou cessão não se enquadram entre os isentos do imposto sobre a renda. Na instrução normativa anterior, o parágrafo único destacava que o artigo não se aplicava apenas às pessoas jurídicas.
Com a alteração, a redação do artigo 44 passa a vigorar, a partir de agora, da seguinte forma:
Isenções
"Art. 44. São isentos do imposto sobre a renda:
I - os rendimentos auferidos por pessoa física e pelos condomínios de edifícios residenciais ou comerciais em contas de depósitos de poupança;
II - na fonte e na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, a remuneração produzida por letras hipotecárias, certificados de recebíveis imobiliários e letras de crédito imobiliário;
III - na fonte e na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, a remuneração produzida por Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), Warrant Agropecuário (WA), Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), instituídos pelos arts. 1º e 23 da Lei nº 11.076, de 30 de dezembro de 2004; e
IV - na fonte e na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, a remuneração produzida pela Cédula de Produto Rural (CPR), com liquidação financeira, instituída pela Lei nº 8.929, de 22 de agosto de 1994, com a redação dada pela Lei nº 10.200, de 14 de fevereiro de 2001, desde que negociada no mercado financeiro.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica:
I – aos rendimentos auferidos por pessoas jurídicas;
II – ao ganho de capital auferido na alienação ou cessão"
Artigo 73
O artigo 73, que trata da equiparação do investidor estrangeiro ao nacional em termos de tributação, foi praticamente todo modificado e agora vigora com a seguinte redação:
"Art. 73. O regime de tributação previsto nos arts. 68, 69, 71 e 72 não se aplica a investimento oriundo de país que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota inferior a 20% (vinte por cento), o qual sujeitar-se-á às mesmas regras estabelecidas para os residentes ou domiciliados no País, a partir da data da entrada em vigor do ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil que relacionar países ou dependências com tributação favorecida.
§ 1º A equiparação do investidor estrangeiro ao nacional, para fins de imposto sobre a renda, ocorrerá em relação às operações de aquisição de títulos e valores mobiliários, inclusive cotas de fundos de investimento, realizadas a partir da data a que se refere o caput, independentemente da data de aquisição.
§ 2º O disposto no § 1º, aplica-se aos rendimentos produzidos a partir da data a que se refere o caput, por títulos e valores mobiliários, inclusive cotas de fundos de investimentos, independentemente da data de sua aquisição.
§ 3º No caso de ações negociadas no mercado à vista de bolsa de valores ou no mercado de balcão organizado, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda, o custo de aquisição para apuração do ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição, calculado pela média ponderada dos custos unitários.
§ 4º Os ganhos líquidos ou perdas decorrentes de operações realizadas pelos investidores de que trata este artigo nos mercados de liquidação futura referenciados em produtos agropecuários, nas bolsas de mercadorias e de futuros, serão apurados em dólares dos Estados Unidos da América e convertidos em reais pela taxa de câmbio para venda de moeda estrangeira do último dia útil do mês de apuração, divulgada pelo Banco Central do Brasil (Ptax)."
terça-feira, 22 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
ARISP e BM&FBOVESPA firmam convênio de cooperação para o intercâmbio de informações por meio eletrônico
No dia 14 de maio de 2010 a BM&FBOVESPA e a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (ARISP) firmaram convênio para fomentar o desenvolvimento do mercado de títulos imobiliários. O acordo permitirá à BM&FBOVESPA visualizar online as matrículas de imóveis e a solicitar certidões digitais pelo sistema ARISP.
Com esse intercâmbio, a Bolsa disponibilizará aos investidores um ambiente para negociação das Cédulas de Crédito Imobiliário (CCIs), com a garantia de que a operação possua o lastro legalmente constituído, além de oferecer mais segurança e transparência nas futuras emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Fundos Imobiliários e demais ativos.
O convênio foi assinado em cerimônia realizada na BM&FBOVESPA, e contou com a participação de Diretores da Bolsa e da Comissão de Valores Mobiliários, Registradores de Imóveis da Capital, dentre outros.
Edemir Pinto, Diretor Presidente da BM&FBOVESPA.
Para o Diretor Presidente da BM&FBOVESPA, Edemir Pinto, a parceria com a ARISP é o primeiro passo para se estabelecer um mercado imobiliário forte no Brasil, já que o setor está em processo de crescimento e expansão. Mas para tanto, Edemir Pinto ressaltou que é preciso trabalhar de forma transparente, confiável e segura, garantias essas que foram encontradas nos Cartórios de Registro de Imóveis via sistema ARISP. “Sem esse passo não se constrói nenhum modelo de produto com credibilidade”, completou.
José Antônio Gragnani, Diretor Executivo de Desenvolvimento e Fomento de Negócios da BM&FBOVESPA, também destacou as vantagens que o convênio com a ARISP irá proporcionar à Bolsa, ao afirmar que “o mercado imobiliário é grande e pode ter um crescimento exponencial, mas para tanto é preciso aumentar a transparência, a confiabilidade e credibilidade do mercado”.
De acordo com Emílio Otranto, Gerente de Relações Institucionais da BM&FBOVESPA, esse convênio é extremamente importante, não só para a BM&FBOVESPA, mas também para o mercado de capitais no Brasil. “Poder tratar um ativo imobiliário com segurança e transparência vai fazer com que o mercado cresça muito. Hoje, em termos de PIB, o setor imobiliário só representa 3%. Em termos de valores imobiliários negociados, ainda temos volumes muito baixos. Portanto essa possibilidade de ter um link direto com a ARISP e obter informações extremamente fidedignas, online, real time, dará ao mercado, aos estruturadores e aos intermediários condições de gerar mais negócios, pois vão encontrar um ambiente extremamente transparente e seguro para registrar as suas operações. É um marco muito importante para a BM&FBOVESPA e para o mercado de capitais”, relatou.
Alexandre Assolini, Presidente da Câmara do Mercado Imobiliário da BM&FBOVESPA
Alexandre Assolini, Presidente da Câmara do Mercado Imobiliário da BM&FBOVESPA, acrescentou que o convênio firmado com a ARISP é um passo muito importante para conectar o mercado imobiliário ao mercado de capitais. “Trouxemos a integração proporcionada pelo Registro de Imóveis à Bolsa de Valores. No futuro teremos papéis do mercado imobiliário negociados aqui, com informações dos imóveis fornecidas em tempo real”.
Para Flauzilino Araújo dos Santos, Presidente da ARISP, o convênio firmado com a BM&FBOVESPA cumpre a vocação do Registro de Imóveis no Brasil, que é garantir a segurança dos negócios imobiliários e seus conexos, ou seja, negócios ligados ao crédito rural, comercial, industrial ou ainda o habitacional, que impulsiona a indústria da construção civil e os negócios financeiros decorrentes do financiamento imobiliário. Para o Presidente da ARISP, nesse convênio quem sai ganhando é o Brasil. “A medida em que criamos instrumentos capazes de auxiliar a captação de recursos haverá geração de empregos, renda, novas habitações e novos estabelecimentos”, conclui.
Francisco José Rezende dos Santos, Presidente do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB), destacou que o convênio firmado entre a ARISP e a BM&FBOVESPA dá um passo importante para a consolidação cada vez maior do sistema de Registro de Imóveis. “Agradecemos à Diretoria da ARISP que há anos está empenhando esforços para tornar o sistema registral um grande projeto para o Brasil, e o IRIB continuará dando seu apoio”.
Na opinião de Joélcio Escobar, Diretor de Tecnologia da ARISP, o interesse da BM&FBOVESPA pela assinatura do convênio vai ao encontro do que a ARISP vem propondo atualmente, que é garantir a celeridade no tráfego de informações para mercado imobiliário. E para Flaviano Galhardo, Diretor Secretário da ARISP, prover serviços é uma missão traçada pelos Registradores, e a informação rápida e segura necessária ao Mercado Imobiliário é algo que os cartórios de registros de imóveis podem oferecem. Portanto ambas as partes serão beneficiadas nesse convênio.
Ainda na opinião Francisco Ventura de Toledo, Vice-Presidente da ARISP, os Registradores devem apoiar de forma intensiva esse ideal traçado pela ARISP, que é oferecer o que há de mais moderno nos serviços registrais.
Créditos das imagens: Carlos Petelinkar
Com esse intercâmbio, a Bolsa disponibilizará aos investidores um ambiente para negociação das Cédulas de Crédito Imobiliário (CCIs), com a garantia de que a operação possua o lastro legalmente constituído, além de oferecer mais segurança e transparência nas futuras emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Fundos Imobiliários e demais ativos.
O convênio foi assinado em cerimônia realizada na BM&FBOVESPA, e contou com a participação de Diretores da Bolsa e da Comissão de Valores Mobiliários, Registradores de Imóveis da Capital, dentre outros.
Edemir Pinto, Diretor Presidente da BM&FBOVESPA.
Para o Diretor Presidente da BM&FBOVESPA, Edemir Pinto, a parceria com a ARISP é o primeiro passo para se estabelecer um mercado imobiliário forte no Brasil, já que o setor está em processo de crescimento e expansão. Mas para tanto, Edemir Pinto ressaltou que é preciso trabalhar de forma transparente, confiável e segura, garantias essas que foram encontradas nos Cartórios de Registro de Imóveis via sistema ARISP. “Sem esse passo não se constrói nenhum modelo de produto com credibilidade”, completou.
José Antônio Gragnani, Diretor Executivo de Desenvolvimento e Fomento de Negócios da BM&FBOVESPA, também destacou as vantagens que o convênio com a ARISP irá proporcionar à Bolsa, ao afirmar que “o mercado imobiliário é grande e pode ter um crescimento exponencial, mas para tanto é preciso aumentar a transparência, a confiabilidade e credibilidade do mercado”.
De acordo com Emílio Otranto, Gerente de Relações Institucionais da BM&FBOVESPA, esse convênio é extremamente importante, não só para a BM&FBOVESPA, mas também para o mercado de capitais no Brasil. “Poder tratar um ativo imobiliário com segurança e transparência vai fazer com que o mercado cresça muito. Hoje, em termos de PIB, o setor imobiliário só representa 3%. Em termos de valores imobiliários negociados, ainda temos volumes muito baixos. Portanto essa possibilidade de ter um link direto com a ARISP e obter informações extremamente fidedignas, online, real time, dará ao mercado, aos estruturadores e aos intermediários condições de gerar mais negócios, pois vão encontrar um ambiente extremamente transparente e seguro para registrar as suas operações. É um marco muito importante para a BM&FBOVESPA e para o mercado de capitais”, relatou.
Alexandre Assolini, Presidente da Câmara do Mercado Imobiliário da BM&FBOVESPA
Alexandre Assolini, Presidente da Câmara do Mercado Imobiliário da BM&FBOVESPA, acrescentou que o convênio firmado com a ARISP é um passo muito importante para conectar o mercado imobiliário ao mercado de capitais. “Trouxemos a integração proporcionada pelo Registro de Imóveis à Bolsa de Valores. No futuro teremos papéis do mercado imobiliário negociados aqui, com informações dos imóveis fornecidas em tempo real”.
Para Flauzilino Araújo dos Santos, Presidente da ARISP, o convênio firmado com a BM&FBOVESPA cumpre a vocação do Registro de Imóveis no Brasil, que é garantir a segurança dos negócios imobiliários e seus conexos, ou seja, negócios ligados ao crédito rural, comercial, industrial ou ainda o habitacional, que impulsiona a indústria da construção civil e os negócios financeiros decorrentes do financiamento imobiliário. Para o Presidente da ARISP, nesse convênio quem sai ganhando é o Brasil. “A medida em que criamos instrumentos capazes de auxiliar a captação de recursos haverá geração de empregos, renda, novas habitações e novos estabelecimentos”, conclui.
Francisco José Rezende dos Santos, Presidente do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB), destacou que o convênio firmado entre a ARISP e a BM&FBOVESPA dá um passo importante para a consolidação cada vez maior do sistema de Registro de Imóveis. “Agradecemos à Diretoria da ARISP que há anos está empenhando esforços para tornar o sistema registral um grande projeto para o Brasil, e o IRIB continuará dando seu apoio”.
Na opinião de Joélcio Escobar, Diretor de Tecnologia da ARISP, o interesse da BM&FBOVESPA pela assinatura do convênio vai ao encontro do que a ARISP vem propondo atualmente, que é garantir a celeridade no tráfego de informações para mercado imobiliário. E para Flaviano Galhardo, Diretor Secretário da ARISP, prover serviços é uma missão traçada pelos Registradores, e a informação rápida e segura necessária ao Mercado Imobiliário é algo que os cartórios de registros de imóveis podem oferecem. Portanto ambas as partes serão beneficiadas nesse convênio.
Ainda na opinião Francisco Ventura de Toledo, Vice-Presidente da ARISP, os Registradores devem apoiar de forma intensiva esse ideal traçado pela ARISP, que é oferecer o que há de mais moderno nos serviços registrais.
Créditos das imagens: Carlos Petelinkar
Banco Morgan Stanley estreia em fundos imobiliários
Data: 28/05/10
Fonte: Valor Econômico
Por: Alessandra Bellotto, de São Paulo
O Banco Morgan Stanley faz sua estreia no segmento de fundos imobiliários, ao liderar a oferta do TRX Realty Logística Renda I. A carteira, que pretende levantar R$ 200 milhões com a emissão de até 2 milhões de cotas a R$ 100, tem como objetivo explorar imóveis prontos, de natureza comercial, voltados para a operação de armazéns logísticos.
O rendimento-alvo do fundo é de 9,5% ao ano sobre o valor da cota, corrigido anualmente pela inflação. A receita deve vir, principalmente, da locação dos empreendimentos. Os gestores de investimento e imobiliário da carteira, a Orbe e a TRX Realty (empresas ligadas), já selecionaram alguns imóveis que podem fazer parte da carteira.
Entre eles, destaque para um empreendimento em Jandira (SP), que deve ser destinado à operação do novo centro de distribuição da FBD Distribuidora, conhecida como Luft. Há ainda imóveis locados para o B2W, Magazine Luiza, Marbel, Whirpool, entre outros. A aquisição dos empreendimentos, contudo, depende de alguns fatores, como o volume a ser levantado com a oferta e o resultado das auditorias.
De acordo com a política de investimentos do fundo, os recursos poderão ainda ser aplicados em participações em sociedades e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). O objetivo principal é ganhar com a locação dos empreendimentos.
A operação terá uma oferta reservada para a o público do varejo, equivalente a um montante mínimo de 50% das cotas a serem distribuídas a 100%, e outra para institucionais. A aplicação mínima para o varejo foi definida em R$ 10 mil. O período de reserva da oferta, que deve contar com um grupo de corretoras contratadas pelo Morgan Stanley, vai de 2 a 24 de junho. Para pessoas vinculadas, o prazo é menor, até 16 de junho.
A distribuição será realizada sob o regime de melhores esforços e as cotas serão registradas para negociação no mercado de bolsa administrado pela BM&FBovespa.
A oferta do fundo, constituído em abril, ainda aguarda o registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O Morgan Stanley aparece ainda como coordenador líder de outra carteira em análise na autarquia, o RB Capital Desenvolvimento Residencial II, de R$ 200 milhões. Neste ano, já foram registrados R$ 974 milhões em ofertas de fundos imobiliários e há outros R$ 650 milhões em análise.
Fonte: Valor Econômico
Por: Alessandra Bellotto, de São Paulo
O Banco Morgan Stanley faz sua estreia no segmento de fundos imobiliários, ao liderar a oferta do TRX Realty Logística Renda I. A carteira, que pretende levantar R$ 200 milhões com a emissão de até 2 milhões de cotas a R$ 100, tem como objetivo explorar imóveis prontos, de natureza comercial, voltados para a operação de armazéns logísticos.
O rendimento-alvo do fundo é de 9,5% ao ano sobre o valor da cota, corrigido anualmente pela inflação. A receita deve vir, principalmente, da locação dos empreendimentos. Os gestores de investimento e imobiliário da carteira, a Orbe e a TRX Realty (empresas ligadas), já selecionaram alguns imóveis que podem fazer parte da carteira.
Entre eles, destaque para um empreendimento em Jandira (SP), que deve ser destinado à operação do novo centro de distribuição da FBD Distribuidora, conhecida como Luft. Há ainda imóveis locados para o B2W, Magazine Luiza, Marbel, Whirpool, entre outros. A aquisição dos empreendimentos, contudo, depende de alguns fatores, como o volume a ser levantado com a oferta e o resultado das auditorias.
De acordo com a política de investimentos do fundo, os recursos poderão ainda ser aplicados em participações em sociedades e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). O objetivo principal é ganhar com a locação dos empreendimentos.
A operação terá uma oferta reservada para a o público do varejo, equivalente a um montante mínimo de 50% das cotas a serem distribuídas a 100%, e outra para institucionais. A aplicação mínima para o varejo foi definida em R$ 10 mil. O período de reserva da oferta, que deve contar com um grupo de corretoras contratadas pelo Morgan Stanley, vai de 2 a 24 de junho. Para pessoas vinculadas, o prazo é menor, até 16 de junho.
A distribuição será realizada sob o regime de melhores esforços e as cotas serão registradas para negociação no mercado de bolsa administrado pela BM&FBovespa.
A oferta do fundo, constituído em abril, ainda aguarda o registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O Morgan Stanley aparece ainda como coordenador líder de outra carteira em análise na autarquia, o RB Capital Desenvolvimento Residencial II, de R$ 200 milhões. Neste ano, já foram registrados R$ 974 milhões em ofertas de fundos imobiliários e há outros R$ 650 milhões em análise.
CEF busca fonte para crédito imobiliário
Folha de S. Paulo - São Paulo/SP - MERCADO - 31/05/2010 - 04:30:03
À procura de alternativas para financiar a casa própria, banco prepara a 1ª emissão de títulos de sua carteira
Com a demanda em alta, setor prevê que em breve a poupança não será suficiente para atender os pedidos
GIULIANA VALLONE
MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO
A Caixa Econômica Federal deve fazer a emissão do primeiro pacote de securitização de sua carteira de crédito imobiliário neste ano, para levantar recursos.
A securitização consiste na transformação da carteira de crédito em um ativo financeiro. A instituição divide a carteira em partes e as vende como títulos no mercado.
O comprador é remunerado no longo prazo com uma taxa de juros que varia de acordo com o papel. O banco, por sua vez, consegue, ao vender esses títulos, antecipar o recebimento dos recursos dos financiamentos.
De acordo com o vice-presidente de governo do banco, Jorge Hereda, a operação terá volume pequeno e servirá como teste para um lançamento maior em 2011.
A emissão será feita por meio de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).
A ideia da Caixa é buscar uma fonte alternativa de recursos para o crédito habitacional, que hoje vêm basicamente da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
De acordo com estudos da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os recursos da caderneta para financiamento à casa própria chegarão ao limite até 2013. A partir daí, as instituições terão de buscar outras fontes de recursos.
"O crédito imobiliário está crescendo num ritmo muito acelerado e, em um determinado momento, a poupança não vai ter mais recursos para atender a demanda futura", diz Luiz Antonio França, presidente da entidade.
RITMO ACELERADO
No acumulado do primeiro trimestre, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança atingiram R$ 9,98 bilhões, alta de 70% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Abecip.
No mesmo período, a captação líquida da caderneta cresceu apenas 1%, em R$ 2,53 bilhões.
"Em países como o México e o Chile, a relação entre a carteira de crédito imobiliário e o PIB [Produto Interno Bruto] fica entre 10% e 15%. No Brasil, ainda está em cerca de 3%. Há potencial de crescimento e, para que isso ocorra, é preciso debater o "funding", diz Hereda.
Mas, para França, a securitização tem atratividade limitada. "A poupança paga juros mais TR [Taxa Referencial]. Um ativo atrelado à TR não tem muito interesse para os investidores."
A Caixa confirma que esse tipo de operação não é tão atraente para grandes investidores que buscam papéis atrelados a índices que apontem tendência de preços, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Porém a operação é vista como uma alternativa para o investidor de varejo, que não tem rejeição à TR, diz um especialista do banco.
Para esse técnico, a emissão servirá para construir um modelo que possa ser usado quando esse tipo de operação for mais atraente para o investidor e funcionará como teste de mercado.
À procura de alternativas para financiar a casa própria, banco prepara a 1ª emissão de títulos de sua carteira
Com a demanda em alta, setor prevê que em breve a poupança não será suficiente para atender os pedidos
GIULIANA VALLONE
MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO
A Caixa Econômica Federal deve fazer a emissão do primeiro pacote de securitização de sua carteira de crédito imobiliário neste ano, para levantar recursos.
A securitização consiste na transformação da carteira de crédito em um ativo financeiro. A instituição divide a carteira em partes e as vende como títulos no mercado.
O comprador é remunerado no longo prazo com uma taxa de juros que varia de acordo com o papel. O banco, por sua vez, consegue, ao vender esses títulos, antecipar o recebimento dos recursos dos financiamentos.
De acordo com o vice-presidente de governo do banco, Jorge Hereda, a operação terá volume pequeno e servirá como teste para um lançamento maior em 2011.
A emissão será feita por meio de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).
A ideia da Caixa é buscar uma fonte alternativa de recursos para o crédito habitacional, que hoje vêm basicamente da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
De acordo com estudos da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os recursos da caderneta para financiamento à casa própria chegarão ao limite até 2013. A partir daí, as instituições terão de buscar outras fontes de recursos.
"O crédito imobiliário está crescendo num ritmo muito acelerado e, em um determinado momento, a poupança não vai ter mais recursos para atender a demanda futura", diz Luiz Antonio França, presidente da entidade.
RITMO ACELERADO
No acumulado do primeiro trimestre, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança atingiram R$ 9,98 bilhões, alta de 70% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Abecip.
No mesmo período, a captação líquida da caderneta cresceu apenas 1%, em R$ 2,53 bilhões.
"Em países como o México e o Chile, a relação entre a carteira de crédito imobiliário e o PIB [Produto Interno Bruto] fica entre 10% e 15%. No Brasil, ainda está em cerca de 3%. Há potencial de crescimento e, para que isso ocorra, é preciso debater o "funding", diz Hereda.
Mas, para França, a securitização tem atratividade limitada. "A poupança paga juros mais TR [Taxa Referencial]. Um ativo atrelado à TR não tem muito interesse para os investidores."
A Caixa confirma que esse tipo de operação não é tão atraente para grandes investidores que buscam papéis atrelados a índices que apontem tendência de preços, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Porém a operação é vista como uma alternativa para o investidor de varejo, que não tem rejeição à TR, diz um especialista do banco.
Para esse técnico, a emissão servirá para construir um modelo que possa ser usado quando esse tipo de operação for mais atraente para o investidor e funcionará como teste de mercado.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Sam Zell faz nova aposta no mercado imobiliário do País
O Estado de S. Paulo - São Paulo/SP - NOTÍCIAS - 21/05/2010
Empresa do bilionário americano pretende captar US$ 500 milhões[br]e investir dois terços em empresas brasileiras
BLOOMBERG NEWS - O Estado de S.Paulo
A Equity International, do investidor multimilionário Sam Zell, está procurando captar cerca de US$ 500 milhões para aumentar o investimento no mercado imobiliário brasileiro, apostando que o aumento das taxas de juros no País não limitará a demanda, já que a economia cresce no ritmo mais acelerado em vinte anos.
A empresa investirá até dois terços do dinheiro em companhias brasileiras vinculadas aos setores de propriedades residenciais e comerciais, e o restante em outros países fora dos Estados Unidos, disse o presidente executivo da Equity International, Gary Garrabrant. Os novos recursos elevarão o capital investido total da empresa, que tem sede em Chicago, para cerca de US$ 2 bilhões.
"Nosso entusiasmo pelo Brasil não poderia ser maior", disse Garrabrant, que foi cofundador da Equity International com Zell em 1999, numa entrevista concedida em 18 de maio em São Paulo. "Há uma demanda local sem paralelo."
A renda crescente da pujante classe média brasileira assegurará que um ciclo de aumentos de taxas não suprimirá a demanda residencial, disse Garrabrant. A economia crescerá 6,3% este ano, segundo pesquisa do Banco Central publicada esta semana. A renda média mensal dos brasileiros cresceu cerca de 40% nos últimos cinco anos, para cerca de R$ 1.400, segundo o IBGE.
Zell está investindo no Brasil depois que, na semana passada, a Equity International vendeu parte de suas ações na Gafisa, a segunda construtora de moradias do País em receita. "Há menos de 400 mil hipotecas no Brasil, e acredito que haja 400 mil hipotecas no bairro de Upper East Side em Manhattan", disse Garrabrant. "Os brasileiros os alcançarão? Sem dívida."
O anúncio fez as ações das empresas imobiliárias brasileiras subirem ontem, em um dia em que a Bovespa caiu 3,22%. As ações da MRV subiram 7,68% (ON); as da Cyrela Realty, 5,93% (ON); as da Agre, 5,84% (ON); as da PDG Realty, 5,50% (PN); as da Rossi, 4,95% (ON); e as da Gafisa, 3,11% (ON).
Empresa do bilionário americano pretende captar US$ 500 milhões[br]e investir dois terços em empresas brasileiras
BLOOMBERG NEWS - O Estado de S.Paulo
A Equity International, do investidor multimilionário Sam Zell, está procurando captar cerca de US$ 500 milhões para aumentar o investimento no mercado imobiliário brasileiro, apostando que o aumento das taxas de juros no País não limitará a demanda, já que a economia cresce no ritmo mais acelerado em vinte anos.
A empresa investirá até dois terços do dinheiro em companhias brasileiras vinculadas aos setores de propriedades residenciais e comerciais, e o restante em outros países fora dos Estados Unidos, disse o presidente executivo da Equity International, Gary Garrabrant. Os novos recursos elevarão o capital investido total da empresa, que tem sede em Chicago, para cerca de US$ 2 bilhões.
"Nosso entusiasmo pelo Brasil não poderia ser maior", disse Garrabrant, que foi cofundador da Equity International com Zell em 1999, numa entrevista concedida em 18 de maio em São Paulo. "Há uma demanda local sem paralelo."
A renda crescente da pujante classe média brasileira assegurará que um ciclo de aumentos de taxas não suprimirá a demanda residencial, disse Garrabrant. A economia crescerá 6,3% este ano, segundo pesquisa do Banco Central publicada esta semana. A renda média mensal dos brasileiros cresceu cerca de 40% nos últimos cinco anos, para cerca de R$ 1.400, segundo o IBGE.
Zell está investindo no Brasil depois que, na semana passada, a Equity International vendeu parte de suas ações na Gafisa, a segunda construtora de moradias do País em receita. "Há menos de 400 mil hipotecas no Brasil, e acredito que haja 400 mil hipotecas no bairro de Upper East Side em Manhattan", disse Garrabrant. "Os brasileiros os alcançarão? Sem dívida."
O anúncio fez as ações das empresas imobiliárias brasileiras subirem ontem, em um dia em que a Bovespa caiu 3,22%. As ações da MRV subiram 7,68% (ON); as da Cyrela Realty, 5,93% (ON); as da Agre, 5,84% (ON); as da PDG Realty, 5,50% (PN); as da Rossi, 4,95% (ON); e as da Gafisa, 3,11% (ON).
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Carteira imobiliária foca atividade de incorporação e traz dois tipos de cotas
Valor Econômico - São Paulo/SP - EU & INVESTIMENTOS - 20/05/2010
Alessandra Bellotto, de São Paulo
Numa iniciativa inovadora, a RB Capital prepara o lançamento do primeiro fundo imobiliário com dois tipos de cotas, a sênior e a subordinada, para a exploração da atividade de incorporação imobiliária residencial. A carteira, batizada de RB Capital Agre, aguarda o registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para iniciar a oferta secundária de R$ 55 milhões em cotas seniores. Com as subordinadas, que estão nas mãos da RB Capital, o patrimônio soma R$ 68,750 milhões.
A grande diferença entre esse fundo e as tradicionais carteiras - que compram imóveis prontos em busca da renda mensal com aluguel - é o investimento para explorar a venda de empreendimentos residenciais em desenvolvimento. O retorno da aplicação vem apenas na entrega das chaves. O fundo RB Capital Agre tem prazo determinado, de no máximo três anos, que é o tempo de maturação estimado dos empreendimentos.
O investimento do fundo é indireto, como cotista (com uma fatia de 50%) da Agra Maligawa, empresa detentora de participações em sociedades de propósito específico (SPE), donas dos empreendimentos a serem explorados. Os outros 50% da companhia estão nas mãos do grupo Agre, adquirido no início do mês pela PDG Realty.
No portfólio da Agra, já foram selecionados 11 projetos localizados em diferentes Estados, como São Paulo, Bahia e Pará. Como o resultado do investimento é distribuído na forma de dividendos, há isenção de imposto de renda.
Outra inovação é o fato de o fundo ter cotas subordinadas. Como a operação envolve um risco maior, uma vez que os projetos ainda não estão prontos, essa foi a alternativa encontrada para dar mais segurança ao investidor que participar do fundo. A cota subordinada funciona como um colchão de proteção, uma vez que é a primeira a absorver eventuais prejuízos.
A sofisticação da operação levou a organizadora a restringir a oferta a apenas investidores qualificados, com mais de R$ 300 mil em aplicações financeiras. O investimento mínimo na oferta, contudo, é de R$ 5 mil em cotas seniores, com valor unitário de R$ 100. O fundo espera rentabilidade de IPCA mais 9,5% ao ano para as cotas seniores, que terão negociação no mercado de bolsa da BM&FBovespa.
Para participar da oferta, o investidor deve fazer seu pedido de reserva junto ao coordenador líder, o BB Investimentos, entre os dias 26 de maio e 15 de junho. As cotas alvo da oferta hoje pertencem à RB Capital e à outra empresa do grupo, a Bravo Realty.
Neste ano, as ofertas de fundos imobiliários registradas na CVM superam os R$ 866 milhões. Em análise, há outros R$ 430 milhões em operações, incluindo o fundo RB Capital Agre.
Alessandra Bellotto, de São Paulo
Numa iniciativa inovadora, a RB Capital prepara o lançamento do primeiro fundo imobiliário com dois tipos de cotas, a sênior e a subordinada, para a exploração da atividade de incorporação imobiliária residencial. A carteira, batizada de RB Capital Agre, aguarda o registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para iniciar a oferta secundária de R$ 55 milhões em cotas seniores. Com as subordinadas, que estão nas mãos da RB Capital, o patrimônio soma R$ 68,750 milhões.
A grande diferença entre esse fundo e as tradicionais carteiras - que compram imóveis prontos em busca da renda mensal com aluguel - é o investimento para explorar a venda de empreendimentos residenciais em desenvolvimento. O retorno da aplicação vem apenas na entrega das chaves. O fundo RB Capital Agre tem prazo determinado, de no máximo três anos, que é o tempo de maturação estimado dos empreendimentos.
O investimento do fundo é indireto, como cotista (com uma fatia de 50%) da Agra Maligawa, empresa detentora de participações em sociedades de propósito específico (SPE), donas dos empreendimentos a serem explorados. Os outros 50% da companhia estão nas mãos do grupo Agre, adquirido no início do mês pela PDG Realty.
No portfólio da Agra, já foram selecionados 11 projetos localizados em diferentes Estados, como São Paulo, Bahia e Pará. Como o resultado do investimento é distribuído na forma de dividendos, há isenção de imposto de renda.
Outra inovação é o fato de o fundo ter cotas subordinadas. Como a operação envolve um risco maior, uma vez que os projetos ainda não estão prontos, essa foi a alternativa encontrada para dar mais segurança ao investidor que participar do fundo. A cota subordinada funciona como um colchão de proteção, uma vez que é a primeira a absorver eventuais prejuízos.
A sofisticação da operação levou a organizadora a restringir a oferta a apenas investidores qualificados, com mais de R$ 300 mil em aplicações financeiras. O investimento mínimo na oferta, contudo, é de R$ 5 mil em cotas seniores, com valor unitário de R$ 100. O fundo espera rentabilidade de IPCA mais 9,5% ao ano para as cotas seniores, que terão negociação no mercado de bolsa da BM&FBovespa.
Para participar da oferta, o investidor deve fazer seu pedido de reserva junto ao coordenador líder, o BB Investimentos, entre os dias 26 de maio e 15 de junho. As cotas alvo da oferta hoje pertencem à RB Capital e à outra empresa do grupo, a Bravo Realty.
Neste ano, as ofertas de fundos imobiliários registradas na CVM superam os R$ 866 milhões. Em análise, há outros R$ 430 milhões em operações, incluindo o fundo RB Capital Agre.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Compra da Agre reacende movimento de consolidação
Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - 17/05/2010 -
Daniela DAmbrósio, de São Paulo
A compra da Agre pela PDG Realty, há duas semanas, aguçou o mercado imobiliário e o movimento de consolidação - que andava morno, depois de exaustivamente discutido em 2008 - voltou à pauta com força total. Pouco depois do anúncio da aquisição, que pegou muita gente de surpresa, vários conselhos de administração se reuniram às pressas para avaliar o cenário competitivo e estudar possíveis parcerias.
Segundo o Valor apurou, tanto as butiques de fusões e aquisições quanto os bancos de investimento já estão com o jogo de xadrez montado e saíram em busca dos possíveis comprados, de um lado, e dos compradores, de outro, para fechar novas parcerias. "Todo mundo está conversando com todo mundo, está um verdadeiro alvoroço no mercado", diz o executivo de uma empresa.
Ainda não há nada de concreto, mas tanto as construtoras, quanto bancos e advogados ouvidos pelo Valor, apostam - agora, sim - em uma nova rodada de fusões e aquisições. A "nova" PDG e a Cyrela viraram duas gigantes, com valor de mercado perto de R$ 9 bilhões, e se distanciaram das demais. "Muitas não querem ficar para atrás e, sozinhas, elas não chegam a lugar algum", afirma uma fonte. O argumento das grandes é o ganho de escala e a aceleração do crescimento e o modelo preferido é o da troca de ações, sem envolver dinheiro no negócio. Para as menores, pode ser a melhor saída diante do novo cenário que se desenha no setor.
Na lista das empresas passíveis de serem adquiridas estão CR2, Trisul, com valor de mercado abaixo de R$ 500 milhões, e CCDI, que vale cerca de R$ 600 milhões.
Está mais fácil identificar os alvos do que os atiradores. Naturalmente, pelo tamanho, seriam Cyrela e Gafisa. A MRV, apesar de grande, não tem essa cultura, na avaliação do mercado. Para a Cyrela, uma aquisição nesse momento significa sair da incômoda posição de líder num dia e vice-líder no outro. A nova PDG, agora com Agre, ficou com um tamanho muito próximo de Cyrela e a primeira posição do setor depende do número analisado. No entanto, a Cyrela é tida como menos agressiva nas aquisições. Nos últimos anos, comprou empresas fechadas, como Goldstein e RJZ, mas desistiu da compra da Agra, companhia aberta que acabou dentro da Agre, depois de alguns meses dentro da companhia. No meio do caminho, o humor do mercado virou e a empresa teria achado o ativo caro demais.
A Gafisa já é vista como uma empresa disposta a arriscar mais. Mas a saída de Sam Zell, que vendeu 4,3% do capital da empresa e ficou com 7,18% da companhia, derrubou as ações e foi interpretada de forma negativa pelo mercado. A leitura também é a de que o megainvestidor estrangeiro não teria vendido parte de suas ações às vésperas de uma operação importante da empresa. A Gafisa fez uma aquisição relâmpago da Tenda, costurada em praticamente um fim de semana, quando a empresa mineira de baixa renda estava no auge da crise.
Entre as companhias de porte médio, um dos nomes mais citados é o da Even. No passado, Rossi e Even chegaram muito perto de fechar uma associação. A Brookfield, que já é resultado de uma incorporação, também é vista pelos articuladores de parcerias como uma candidata à compradora, embora tenha passado por um movimento recente de incorporação. A empresa resultou da compra da Company pela Brascan, que já havia adquirido a MB Engenharia, construtora do centro-oeste. A Brookfield reportou um lucro considerado baixo para o seu tamanho.
O que está em jogo é a lucratividade. Os balanços do primeiro trimestre e os fechados de 2009 mostram que a maioria das empresas pequenas está com margens mais baixas que as grandes, com uma ou outra exceção - como Eztec e Helbor. "Há muita construtora com despesas gerais e administrativas, proporcionalmente, muito altas", avalia uma fonte do setor. No ano passado, por exemplo, o setor teve, em média, uma relação de despesa administrativa sobre receita líquida de 7,6%. Na Cyrela e PDG, essa relação foi de 5,5%. Mas chegou a 11,1% na Rodobens, 13,7% na CCDI e 13,9% na Inpar.
As maiores empresas aceleraram fortemente no último ano e estão ganhando volume de vendas e lançamentos considerável. Projetam para este ano chegar na casa de R$ 4 bilhões até R$ 7 bilhões de vendas. A pergunta, inevitável, é: o que acontecerá com as pequenas? A liquidez dessas empresas está em queda e o movimento só tende a se acentuar. "É natural que os grandes fundos internacionais e nacionais se posicionem nas maiores e mais líquidas", diz um executivo do setor. "E, se além de pouco líquida, a empresa tiver um resultado insatisfatório, não tem muita saída."
Os fundos de private equity também estão ativos. O Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, comprou 14,5% da Odebrecht Realizações. A GP Investimentos está procurando um ativo no setor. Segundo o Valor apurou, já sentou para negociar com Tecnisa, mas a conversa não avançou, e até com a Agre, antes de sua venda para a PDG.
O executivo de um banco com bastante experiência na área imobiliária lembra que é um setor complicado para fazer esse tipo de operação. "É muita empresa de dono, com ego e que acha que sua empresa vale mais do que realmente vale", afirma. "Mas, agora, há muita gente disposta a deixar o ego de lado e olhar o racional."
Com exceção da Company, comprada pela Brascan, todas as aquisições do setor foram ditadas por dificuldades financeiras extremamente sérias das empresas compradas - algumas perto da insolvência. Foi assim com Tenda, Klabin Segall e Abyara. A Inpar, que também enfrentou uma fase complicada, vendeu 51% do capital para o fundo americano Palladin.
Um modelo possível é o o que o mercado tem chamado de "IPO pela porta dos fundos", ou seja, uma empresa fechada que tem intenções de abrir capital incorpora os ativos de uma aberta e fica listada - uma bela saída, por exemplo, para uma empresa como a WTorre, que colocou uma oferta na rua, mas o mercado fechou depois disso. E, dizem fontes, estaria em dificuldades para levantar a demanda.
Daniela DAmbrósio, de São Paulo
A compra da Agre pela PDG Realty, há duas semanas, aguçou o mercado imobiliário e o movimento de consolidação - que andava morno, depois de exaustivamente discutido em 2008 - voltou à pauta com força total. Pouco depois do anúncio da aquisição, que pegou muita gente de surpresa, vários conselhos de administração se reuniram às pressas para avaliar o cenário competitivo e estudar possíveis parcerias.
Segundo o Valor apurou, tanto as butiques de fusões e aquisições quanto os bancos de investimento já estão com o jogo de xadrez montado e saíram em busca dos possíveis comprados, de um lado, e dos compradores, de outro, para fechar novas parcerias. "Todo mundo está conversando com todo mundo, está um verdadeiro alvoroço no mercado", diz o executivo de uma empresa.
Ainda não há nada de concreto, mas tanto as construtoras, quanto bancos e advogados ouvidos pelo Valor, apostam - agora, sim - em uma nova rodada de fusões e aquisições. A "nova" PDG e a Cyrela viraram duas gigantes, com valor de mercado perto de R$ 9 bilhões, e se distanciaram das demais. "Muitas não querem ficar para atrás e, sozinhas, elas não chegam a lugar algum", afirma uma fonte. O argumento das grandes é o ganho de escala e a aceleração do crescimento e o modelo preferido é o da troca de ações, sem envolver dinheiro no negócio. Para as menores, pode ser a melhor saída diante do novo cenário que se desenha no setor.
Na lista das empresas passíveis de serem adquiridas estão CR2, Trisul, com valor de mercado abaixo de R$ 500 milhões, e CCDI, que vale cerca de R$ 600 milhões.
Está mais fácil identificar os alvos do que os atiradores. Naturalmente, pelo tamanho, seriam Cyrela e Gafisa. A MRV, apesar de grande, não tem essa cultura, na avaliação do mercado. Para a Cyrela, uma aquisição nesse momento significa sair da incômoda posição de líder num dia e vice-líder no outro. A nova PDG, agora com Agre, ficou com um tamanho muito próximo de Cyrela e a primeira posição do setor depende do número analisado. No entanto, a Cyrela é tida como menos agressiva nas aquisições. Nos últimos anos, comprou empresas fechadas, como Goldstein e RJZ, mas desistiu da compra da Agra, companhia aberta que acabou dentro da Agre, depois de alguns meses dentro da companhia. No meio do caminho, o humor do mercado virou e a empresa teria achado o ativo caro demais.
A Gafisa já é vista como uma empresa disposta a arriscar mais. Mas a saída de Sam Zell, que vendeu 4,3% do capital da empresa e ficou com 7,18% da companhia, derrubou as ações e foi interpretada de forma negativa pelo mercado. A leitura também é a de que o megainvestidor estrangeiro não teria vendido parte de suas ações às vésperas de uma operação importante da empresa. A Gafisa fez uma aquisição relâmpago da Tenda, costurada em praticamente um fim de semana, quando a empresa mineira de baixa renda estava no auge da crise.
Entre as companhias de porte médio, um dos nomes mais citados é o da Even. No passado, Rossi e Even chegaram muito perto de fechar uma associação. A Brookfield, que já é resultado de uma incorporação, também é vista pelos articuladores de parcerias como uma candidata à compradora, embora tenha passado por um movimento recente de incorporação. A empresa resultou da compra da Company pela Brascan, que já havia adquirido a MB Engenharia, construtora do centro-oeste. A Brookfield reportou um lucro considerado baixo para o seu tamanho.
O que está em jogo é a lucratividade. Os balanços do primeiro trimestre e os fechados de 2009 mostram que a maioria das empresas pequenas está com margens mais baixas que as grandes, com uma ou outra exceção - como Eztec e Helbor. "Há muita construtora com despesas gerais e administrativas, proporcionalmente, muito altas", avalia uma fonte do setor. No ano passado, por exemplo, o setor teve, em média, uma relação de despesa administrativa sobre receita líquida de 7,6%. Na Cyrela e PDG, essa relação foi de 5,5%. Mas chegou a 11,1% na Rodobens, 13,7% na CCDI e 13,9% na Inpar.
As maiores empresas aceleraram fortemente no último ano e estão ganhando volume de vendas e lançamentos considerável. Projetam para este ano chegar na casa de R$ 4 bilhões até R$ 7 bilhões de vendas. A pergunta, inevitável, é: o que acontecerá com as pequenas? A liquidez dessas empresas está em queda e o movimento só tende a se acentuar. "É natural que os grandes fundos internacionais e nacionais se posicionem nas maiores e mais líquidas", diz um executivo do setor. "E, se além de pouco líquida, a empresa tiver um resultado insatisfatório, não tem muita saída."
Os fundos de private equity também estão ativos. O Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, comprou 14,5% da Odebrecht Realizações. A GP Investimentos está procurando um ativo no setor. Segundo o Valor apurou, já sentou para negociar com Tecnisa, mas a conversa não avançou, e até com a Agre, antes de sua venda para a PDG.
O executivo de um banco com bastante experiência na área imobiliária lembra que é um setor complicado para fazer esse tipo de operação. "É muita empresa de dono, com ego e que acha que sua empresa vale mais do que realmente vale", afirma. "Mas, agora, há muita gente disposta a deixar o ego de lado e olhar o racional."
Com exceção da Company, comprada pela Brascan, todas as aquisições do setor foram ditadas por dificuldades financeiras extremamente sérias das empresas compradas - algumas perto da insolvência. Foi assim com Tenda, Klabin Segall e Abyara. A Inpar, que também enfrentou uma fase complicada, vendeu 51% do capital para o fundo americano Palladin.
Um modelo possível é o o que o mercado tem chamado de "IPO pela porta dos fundos", ou seja, uma empresa fechada que tem intenções de abrir capital incorpora os ativos de uma aberta e fica listada - uma bela saída, por exemplo, para uma empresa como a WTorre, que colocou uma oferta na rua, mas o mercado fechou depois disso. E, dizem fontes, estaria em dificuldades para levantar a demanda.
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