Marina Gazzoni, iG São Paulo
A possibilidade de aproveitar áreas de estádios para empreendimentos residenciais de alto padrão aproximou construtoras e clubes. Localizados em bairros nobres e com áreas extensas, esses terrenos são de alto valor para o setor imobiliário. A realização da Copa no Brasil aumentou a necessidade dos clubes por estádios mais modernos e viabilizou negócios neste ano. Em Porto Alegre, Grêmio e Internacional negociaram neste ano terrenos de estádios para levantar recursos para reforma ou construção de espaços mais modernos.
Foto: AE
Cerimônia de lançamento oficial da Arena, realizada nesta segunda-feira, dia 20
A contagem regressiva para o fim das partidas de futebol no estádio Olímpico começou nesta segunda-feira, quando o Grêmio iniciou as obras da sua nova Arena. Assim que o projeto estiver pronto, o Olímpico deixará de ser a sede do tricolor gaúcho e se tornará o endereço residencial de 1,6 mil famílias. Usado como parte do pagamento à OAS pela construção da Arena, o terreno do atual estádio do Grêmio vai abrigar um empreendimento de alto padrão, que terá unidades residenciais e um shopping center.
O negócio entre o Grêmio e a OAS envolve cifras bilionárias e uma estrutura societária complexa. O Grêmio receberá da OAS um estádio novo, em área quatro vezes maior que a do atual, sem desembolsar nenhum centavo do seu caixa e sem contratar financiamento em seu nome. O clube pagará o projeto com o terreno do estádio Olímpico, avaliado em R$ 60 milhões, e com parte da receita da nova Arena nos próximos 20 anos após a sua inauguração.
O Grêmio decidiu construir outro estádio após a consultoria Amsterdam Arena apontar que era uma opção mais viável do que a reforma do Olímpico. “O estádio é antigo e dá pouco lucro, porque tem um alto custo de manutenção”, afirma Adalberto Preis, presidente da Grêmio Empreendimentos, empresa do clube que gerencia o projeto. A estimativa de Preis é que o time receberá, em média, R$ 32 milhões por ano com a receita da Arena nos próximos 20 anos, valor maior do que obtém com o Olímpico, dado não informado pelo time.
Dois projetos imobiliários
Foto: Divulgação
Projeto da Arena, o novo estádio do Grêmio
A OAS investirá R$ 475 milhões na construção da Arena, R$ 250 milhões com recursos próprios e o restante com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de acordo com o diretor da OAS Empreendimentos no Rio Grande do Sul, Carlos Eduardo Paes Barreto Neto. A expectativa dele é que o projeto dê um retorno de 15% ao ano. Os ganhos da OAS serão com dois empreendimentos imobiliários e com parte da receita da Arena.
A Arena será construída no bairro Humaitá, mais distante do centro de Porto Alegre do que o bairro Azenha, onde fica o Olímpico. Além do estádio, o complexo incluirá shopping, hotel, centro de convenções, edifício-garagem e edifícios residenciais. Segundo o executivo da OAS, o custo total da Arena e de seu entorno chegará a R$ 1 bilhão, mas, apenas com a venda das 2,2 mil unidades residenciais do complexo no bairro Humaitá, a empresa deve recuperar R$ 500 milhões.
Foto: Divulgação
Vista aérea do estádio Olímpico, atual sede do Grêmio
Após a entrega da Arena, a OAS começará a construção de outro empreendimento no terreno do Olímpico. O projeto ainda não está definido, mas deverá contemplar outro shopping e um complexo residencial de alto padrão com 1,6 mil apartamentos. Apenas o valor geral de vendas (VGV, soma do potencial de venda de todas as unidades) da parte residencial pode chegar a R$ 800 milhões.
Condomínio no Eucaliptos, do Internacional
O Internacional também fechou um negócio recente com uma empresa imobiliária. O time gaúcho vendeu neste mês o antigo estádio Eucaliptos para construtora Melnick Even, por um valor próximo a R$ 30 milhões, segundo o vice-presidente de finanças do clube, Pedro Affatato.
Foto: Divulgação
Estádio dos Eucaliptos, que sediou jogos da Copa de 1950, foi vendido pelo Internacional
O Eucaliptos sediou os jogos do Internacional entre 1931 e 1969 e recebeu duas partidas da Copa de 1950, realizada no Brasil. Desativado, o estádio gerava um prejuízo mensal de até R$ 30 mil para o Internacional, de acordo com Affatato. “É uma área nobre que não justificava mais investimentos para futebol. Vendemos para investir no Beira-Rio”, diz.
O anúncio de que a área estava à venda promoveu uma corrida entre as incorporadoras gaúchas. A área soma 22 mil metros quadrados, em um bairro com preço médio do metro quadrado de R$ 5 mil. O edital da concorrência aberta pelo time para escolher o comprador foi retirado por onze empresas e cinco delas encaminharam uma proposta. “Uma área à venda com essa dimensão em um bairro nobre é uma oportunidade única, que ocorre a cada 30 anos”, afirma Juliano Melnick, diretor da empresa vencedora.
No local, a empresa pretende construir um empreendimento com cerca de 500 unidades residenciais e comerciais, que pode atingir R$ 200 milhões em VGV. A assinatura do contrato de compra da área será no final de mês e o lançamento ocorrerá em 2011.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
WTorre desiste de IPO e define novo plano estratégico
Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - 17/09/2010
Daniela DAmbrosio | De São Paulo
Depois de prorrogar ao máximo os prazos para decidir pela abertura de capital, a WTorre anuncia hoje ao mercado que desistiu do IPO. A companhia definiu um novo plano estratégico - que inclui a estruturação de fundos de investimento, a associação com investidores e a venda de ativos. A falta de apetite do mercado de capitais neste semestre por novas ofertas, por conta do tamanho da operação da Petrobras, e as dificuldades encontradas pela empresa para convencer os investidores de seu modelo de negócios levaram os sócios da WTorre a mudar de rumo e a cancelar o processo de abertura de capital. Além disso, o cenário mais positivo para o mercadoimobiliário abre opções diferentes de captação de recursos para a empresa.
O novo caminho que a WTorre tomará a partir de agora foi detalhado em entrevista exclusiva aoValor. Walter Torre e Paulo Remy, sócios da construtora, resolveram aproveitar, de um lado, a sólida carteira de ativos e, de outro, a inédita demanda e desenvolvimento do mercado de fundos imobiliários para lançar dois fundos. Paralelamente, farão a venda de dois ativos que devem engodar o caixa da empresa em até R$ 390 milhões.
O terceiro pilar da nova estratégia será a associação com investidores para dois grandes projetos: uma nova empresa de logística - onde ficarão segregados todos os terrenos e projetos de galpões industriais da WTorre - e a construção do maior prédio de escritórios de São Paulo, com 101 mil m2 de área construída, na Marginal Pinheiros, próximo ao shopping Morumbi.
Construtora já levantou cerca de R$ 700 milhões com a venda de ativos e pretende conseguir mais R$ 390 milhões
Walter Torre, que criou a empresa há 29 anos, se diz incompreendido pelo mercado. "Sempre fomos inovadores nesse setor, criamos o modelo de build to suit, e vimos na arena do Palmeiras, por exemplo, um investimento imobiliário. Mas os investidores não entendem bem o nosso modelo de negócio", afirma. As empresas de propriedade que já estão listadas - São Carlos, Cyrela Commercial Properties (CCP) e BR Properties - atuam na compra, aluguel e posterior venda de ativos. "Nós temos a fase anterior, da incorporação. Compramos o terreno e construímos", explica Torre. "Nessa fase, o retorno é maior e consequentemente o risco também é maior", acrescenta Paulo Remy.
Durante o período em que a empresa prorrogou a decisão de fazer ou não o IPO, o mercado de fundos imobiliários explodiu. Em fase de registro ou captação já são R$ 9 bilhões, volume quase três vezes superior ao de todo o ano de 2009. Nomes como BTG Pactual, Kinea (braçode investimentos do Itaú), Morgan Stanley e Bradesco estão nesse mercado. Apesar da concorrência, a WTorre aposta em seus ativos para ter sucesso na colocação do seu produto.
O primeiro fundo é de cerca de R$ 450 milhões - o Itaú BBA já está com o mandato para estruturar o fundo, que será gerido pela Plural Capital. O lastro é o Centro Empresarial Senado, empreendimento de 185 mil m2 no Rio de Janeiro, em fase de construção e já alugado para a Petrobras por 17 anos e oito meses. A empresa já havia feito uma operação de CRI (certificado derecebíveis imobiliários) no valor de R$ 524,6 milhões, que securitizou 80% do fluxo de recebíveis dos aluguéis. "O que entra no fundo são os 20% remanescentes e o valor do ativo ao final do contrato."
A WTorre terá um segundo fundo, que reunirá boa parte de seus ativos. Num primeiro momento, são nove imóveis, que somam cerca de R$ 1 bilhão e cujos recebíveis de aluguéis são da ordem de R$ 600 milhões. São centros de distribuição e fábricas construídos sob medida e alugados por 10 anos, em média, para empresas como Vivo, Carrefour, Nestlé, Volkswagen e Unilever. Esse fundo, que posteriormente poderá reunir outros ativos, não vai a mercado, por enquanto. Assim como o primeiro, o Itaú BBA está com o mandato para estruturá-lo. "Não faz sentido lançarmos os dois fundos ao mesmo tempo. Vamos deixar tudo preparado e, quando precisarmos, vendemos parte das cotas e levantamos capital", explica Remy.
O plano alternativo à listagem da companhia inclui, ainda, a venda de mais dois ativos - este ano a companhia já levantou cerca de R$ 700 milhões com alienação. O prédio da Cesp na Paulista, adquirido por R$ 95 milhões, será reformado, com conclusão prevista para abril de 2011. Walter Torre pretende vendê-lo por R$ 220 milhões antes da obra e R$ 270 milhões depois. Outro imóvel, que foi colocado à venda, fica em Brasília. Comprado em 2009, já foi reformado e está alugado para o governo e empresas privadas. O preço pedido é de R$ 120 milhões.
A venda de ativos se acelerou este ano em função do aquecimento do mercado imobiliário e da necessidade de fluxo de caixa para os novos projetos. Há cerca de duas semanas, a WTorre vendeu terreno para a futura fábrica da Caterpillar, em Curitiba (PR), por R$ 51 milhões. No começo de junho, vendeu o estaleiro Rio Grande por R$ 410 milhões. No início do ano, a empresa vendeu duas torres comerciais na avenida Nações Unidas, próximo à Avenida Rebouças, em São Paulo, para a Previ por R$ 245 milhões.
"Vender ativos faz parte do nosso negócio, principalmente quando há tanta gente querendo comprar como agora. Fizemos a maior transação imobiliária do Brasil, a venda da sede do Santander por R$ 1 bilhão", diz. Diferentes visões sobre o atraso na entrega da obra gerou uma disputa entre o Santander e a WTorre que está na Câmara de Arbitragem Brasil-Canadá.
Ainda com a intenção de aproveitar o apetite de investidores no mercado imobiliário, a WTorre decidiu fazer uma cisão dos ativos de logística e criar uma empresa específica para a incorporação desses ativos. Outra companhia que acaba de adotar o mesmo caminho é a MRV, especializada no mercado de baixa renda. "Há uma grande oportunidade nesse mercado e já temos mais de cinco anos nesse segmento, com vários projetos aprovados", diz Torre. A busca de um sócio, segundo o empresário, aconteceu para acelerar o processo de crescimento e para permitir a entrada de capital sem a necessidade de captar dívida.
A companhia, que teve um prejuízo de R$ 191 milhões no segundo trimestre, irá mudar o seu balanço para o IRFS (padrão contábil americano) a partir do terceiro trimestre. A companhia emitiu R$ 90 milhões em debêntures e já anunciou uma segunda tranche de R$ 250 milhões para alongar dívidas de curto prazo. A contabilização dos ativos a valor de mercado pelas novas regras contábeis, além das mudanças estratégicas que a companhia adotou, devem ter um impacto positivo sobre o balanço, com aumento do caixa, redução das dívidas de curto prazo e aumento do patrimônio líquido, segundo Remy. Os ativos da companhia foram avaliados pela Apsis em R$ 2,4 bilhões - essa conta inclui o banco de terrenos e prédios prontos.
No início de setembro, a Fitch rebaixou os ratings nacionais de longo prazo da companhia. "O rebaixamento reflete os maiores risco de refinanciamento do grupo no curto prazo e a piora considerável de suas principais medidas de crédito e da liquidez", disse a agência, que acrescenta que o grupo depende da venda de propriedades para fazer frente à necessidade de capital do giro. A agência considerou também que "a reconhecida qualidade de seus ativos e o ambiente positivo para transações imobiliárias e operações de crédito devem beneficiar a companhia em sua estratégia de desmobilização e alongamento da dívida." Na época, a companhia ainda não havia detalhado seus novos planos e a agência considerou que, se bem-sucedidas, a venda de novos ativos e a emissão de dívida de longo prazo poderiam contribuir para reforçar suas medidas de crédito.
Mesmo sem fazer o IPO agora, a WTorre pode ter que recorrer ao mercado de capitais, por exigência dos sócios Santander e Votorantim - que detém 8,5% e 6%, respectivamente do capital social da WTorre. A companhia tem um acordo com ambos, que que dá a eles o direito de exigir, a partir de 14 de agosto de 2012, que a WTorre faça uma oferta pública secundária de suas ações, mesmo se até essa data ela ainda não tenha feito a abertura do capital. Só faria sentido "forçar" o IPO, na visão de Torre, caso a empresa esteja valendo menos do que o valor precificado pelos bancos.
Por esse motivo, existe uma segunda opção. "Ou eles saem via oferta pública ou podem continuar com a dívida, cujo vencimento acontece em agosto 2013", explica. O valor atual da dívida é de R$ 400 milhões a um custo de CDI mais 1,5%. O pagamento total - de juros e principal -ocorre integralmente no vencimento da dívida.
Vinci Partners estreia na área de fundos imobiliários
Vinci Partners, gestora com R$ 5,5 bilhões de patrimônio criada há cerca de um ano por Gilberto Sayão e outros ex-sócios do Pactual, prepara sua estreia no segmento de fundos imobiliários. O novo projeto, tocado por Marcelo Rabbat e Fernando Lovisotto, fundadores da RiskOffice, tem como objetivo atender a demanda crescente dos clientes private da casa por ativos que propiciem renda indexada à inflação
A renda gerada por imóveis, ressalta Lovisotto, é a forma mais simples e pura de atender tal demanda, já que é difícil achar produtos atrelados ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). “E é o IGP-M que mantém o poder de compra”, argumenta Rabbat.
Daí a iniciativa de se criar um fundo imobiliário que possa explorar esse nicho com o benefício da isenção fiscal para a pessoa física. Mas o executivo faz uma ressalva: a carteira, que ainda está em fase de estruturação e análise, só vai investir em ativos financeiros de base imobiliária, como certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e letras de crédito imobiliário (LCIs).
Lovisotto afirma que a Vinci optou por não entrar na seara dos “fundos de cimento”, que compram diretamente empreendimentos imobiliários. Com o mercado de imóveis aquecido, os riscos embutidos nesses fundos têm passado batido, diz o executivo. Ele cita os preços que os ativos estão entrando nas carteiras, a possibilidade de revisão de contratos de aluguel em condições menos vantajosas e ainda o risco de vacância. “Não é nada trivial montar um fundo de cimento”, destaca.
Já um fundo de CRI tem começo, meio e fim, compara Rabbat. Nada mais é, segundo ele, do que uma carteira de renda fixa travestida de fundo imobiliário, a fim de garantir o benefício fiscal. Entre as vantagens do fundo de CRI, continua Lovisotto, estão a aplicação mínima menor se comparada à compra direta do certificado, a diversificação entre várias emissões e a possibilidade de negociação dos papéis no mercado secundário pelo gestor sem a apuração do imposto para o cotista.
A expectativa da Vinci é ter um fundo que possa emitir várias séries pequenas. “Só vamos fazer emissão quando tivermos o ativo”, conta Rabbat. O foco da carteira serão CRIs com lastro em contratos de financiamento imobiliário residencial, originados diretamente com as construtoras. Em termos de rentabilidade, o ativo deve ser capaz de oferecer IGP-M mais 8% ao ano, já líquidos de custos. Essa renda é isenta de imposto para pessoa física, o que seria equivalente a uma rentabilidade bruta de IGP-M mais 10,2%, levando em conta uma alíquota de imposto de 15%, para prazos superiores a dois anos.
A primeira série será de R$ 30 milhões, mas o fundo tem capacidade para atingir um patrimônio de R$ 300 milhões, desde que as emissões respeitem o prazo total, de 10 anos. “O público-alvo da carteira é a base de clientes pessoas físicas remanescentes da GAS (a Vinci comprou a gestora em janeiro deste ano) e family offices”, conta Lovisotto. Segundo ele, o jeito de investir desse cliente está mudando. Há quatros, cinco anos, a pessoa física só olhava o CDI, juro interbancário, como referência para seus investimentos. Hoje, ela está buscando juro real, já descontada a inflação.
Não é a toa que as ofertas de fundos imobiliários estão crescendo a um ritmo espantoso. Neste ano, já foram registrados R$ 2,2 bilhões na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e há mais R$ 6,5 bilhões em análise. Em todo o ano passado, o volume registrado foi de R$ 3,445 bilhões.
Próximo governo terá que garantir nível de investimentos, diz Mantega
RIO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que um dos principais desafios para o próximo governo é garantir que o nível de investimentos da economia brasileira seja elevado. Para isso, ele defendeu a modernização da estrutura de financiamento do país. Ele acredita que os investimentos deverão fechar este ano em torno de 22% do produto interno bruto (PIB).
"O BNDES não pode carregar todo o financiamento do país", disse o ministro, que participou de encontro com empresários na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Mantega informou que está formulando uma proposta, que será apresentada dentro de um a dois meses, para fomentar o financiamento privado. "Isso habilitará o país a ter uma estrutura de capital mais sólida de investimento. As regras serão aprovadas ainda neste governo", disse.
Além disso, o governo vai anunciar, nos próximos dias, a Agência Brasileira de Garantias, com que espera baratear os financiamentos, já que serão dadas mais garantias aos empreendimentos.
O ministro lembrou ainda que pretende dinamizar o mercado de capitais, elevando a liquidez de debêntures, criando papéis específicos para um determinado projeto, e não necessariamente para uma única empresa, e com isenção de Imposto de Renda.
Instrumentos financeiros existentes também deverão ser aperfeiçoados, como os certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e as letras financeiras, que, segundo o ministro, ainda passam por algumas dificuldades.
O ministro disse que, apesar da necessidade de o próximo governo garantir que o nível de investimentos se mantenha elevado, o país já vem crescendo sem gerar desequilíbrios macroeconômicos. A expectativa de Mantega é que a inflação fique abaixo de 4% este ano. Ele reiterou também a estimativa de que o PIB de 2010 tenha crescimento acima dos 7%.
"Acredito que 7% é o mínimo que nós vamos crescer este ano. Mas todo mundo já está falando em 7,4%, 7,8% e alguns já falam em 8%", disse. Ele afirmou que o governo vai rever a projeção oficial para o acumulado do ano após a divulgação do resultado do terceiro trimestre. A correção poderá ser para 7,3% ou 7,4%, segundo o ministro.
(Juliana Ennes | Valor)
Portugal é o país europeu com mais Fundos de Investimento Imobiliário (Será do Guaraná?)
Segundo dados da EFAMA – European Fund and Asset Management Association divulgados pela portuguesa APFIPP, Portugal tem 252 Fundos de Investimento Imobiliários (FII) – dados de Março de 2010 - para um total de 771 nos 27 países da União Europeia (UE). Ou seja, Portugal tem 32,4% do total de fundos de investimentos compostos por imóveis que existem na UE. Não há nenhum país com mais fundos de investimento imobiliário na Europa que Portugal.
Volvido o espanto inicial calculámos qual o valor do mercado global a que correspondem este 32,7% do total de fundos e, pelas nossas contas, representam 5,4% do total do mercado expresso em valores patromoniais sob gestão. Muito menos chocante é certo, mas ainda assim muito acima da quota de mercado que Portugal tem, por exemplo, nos Fundos de Investimento Mobiliários (FIM) abertos (acções e similares) que, segundo o mesmo relatório que analisámos, é de apenas 0,2% do mercado da União Europeia.
Sintetizando, os mercado português de FII parece estar hipertrofiado sendo que a dimensão média de cada fundo é muito inferior a dimensão média dos fundos no mercado europeu (daí 32,7%% do total de fundos só levar a 5,4% do valor monetário total por eles gerido).
Como se explica esta distorção? Provavelmente a justificação terá algo a ver com um forte incentivo fiscal, pois subsistem situações de menor tributação sobre imóveis que integrem fundos de investimento. Ora nós por cá não deixamos passar em claor as oportunidades para reduzir a carga fiscal, nem que para isso se tenha de criar um Fundo ou uma Fundação à medida das necessidades. Fará esta tese algum sentido?
Volvido o espanto inicial calculámos qual o valor do mercado global a que correspondem este 32,7% do total de fundos e, pelas nossas contas, representam 5,4% do total do mercado expresso em valores patromoniais sob gestão. Muito menos chocante é certo, mas ainda assim muito acima da quota de mercado que Portugal tem, por exemplo, nos Fundos de Investimento Mobiliários (FIM) abertos (acções e similares) que, segundo o mesmo relatório que analisámos, é de apenas 0,2% do mercado da União Europeia.
Sintetizando, os mercado português de FII parece estar hipertrofiado sendo que a dimensão média de cada fundo é muito inferior a dimensão média dos fundos no mercado europeu (daí 32,7%% do total de fundos só levar a 5,4% do valor monetário total por eles gerido).
Como se explica esta distorção? Provavelmente a justificação terá algo a ver com um forte incentivo fiscal, pois subsistem situações de menor tributação sobre imóveis que integrem fundos de investimento. Ora nós por cá não deixamos passar em claor as oportunidades para reduzir a carga fiscal, nem que para isso se tenha de criar um Fundo ou uma Fundação à medida das necessidades. Fará esta tese algum sentido?
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Caixa atualiza limites para créditos imobiliários usados como lastro para os CRI
A Circular da Caixa Econômica Federal Caixa nº 527, de 3 de setembro de 2010, altera as alíneas "d", "e" e "f" do subitem 4.2.2 do capítulo II do Manual de Fomento Aquisição de Certificados de Recebíveis Imobiliários/CRI, vigente a partir de 21/7/10, que trazem os limites de valores para fins de utilização de créditos imobiliários como lastro para os CRI (DOU de 10/9/10, MF, pág. 27).
CRÉDITO IMOBILIÁRIO GANHA REFORÇO
Fonte: Estado de Minas/Economia
O crédito imobiliário nunca foi tão farto e de fácil acesso no Brasil. Somente este ano, até o início deste mês, a Caixa Econômica Federal (CEF) já emprestou R$ 47,6 bilhões em financiamentos habitacionais, mais do que os R$ 47,05 bilhões alcançados em todo o ano de 2009. O desempenho do setor já fez o banco aumentar as projeções do volume financiado até dezembro, saltando de R$ 60 bilhões para R$ 70 bilhões – um reforço, portanto, de R$ 10 bi. “Mantido o ritmo atual de contratações, o crédito imobiliário da Caixa deve atingir R$ 70 bilhões até o fim do ano. O mais importante é que não se trata de um acontecimento sazonal ou isolado, mas, sim, de um círculo virtuoso sustentável”, afirmou a presidenta do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho.
Se as previsões forem concretizadas, 2010 terminará com alta de 48,8% no valor dos financiamentos imobiliários, um recorde absoluto em relação aos anos anteriores. O balanço também revela que o número de financiamentos, 773.247 até setembro, já equivale a 86,2% do total de 2009, quando foram assinados 896.762 contratos e deve fechar o ano em mais de um milhão de imóveis financiados. Segundo estimativas do banco, diariamente são emprestados mais de R$ 278,5 milhões para a habitação e 4,5 mil novos contratos são fechados.
Mas não é só o país que experimenta números inéditos. Minas Gerais também deve fechar com altas expressivas em relação a 2009. No acumulado no ano até setembro, já foram contratados R$ 5,47 bilhões em todos os programas habitacionais do banco no estado, o equivalente a 11,5% do total nacional, percentual superior à contribuição histórica de 10%. O período de crédito abundante é comemorado pela auxiliar administrativo Nizia Floresta Moura Feitoza, que acabou de financiar R$ 45 mil para a compra do novo apartamento. “A negociação foi rápida e tranquila, sem muita burocracia”, afirma. Prestes a receber as chaves do apartamento de dois quartos, ela já faz os cálculos para quitar a dívida na metade do tempo contratado. “Está financiado em 10 anos, mas pretendo pagar em cinco”, planeja.
Se mantido o ritmo atual de empréstimos, o estado deve alcançar R$ 8 bilhões em financiamentos imobiliários este ano, contra R$ 5,796 em 2009, uma elevação de 38%. “Neste mesmo período no ano passado, tínhamos contratado R$ 3,527 bilhões e já superamos este número em 55%. Em unidades vendidas, o número saltou de 75.708 contratos para 125.394, alta de 65,6%”, afirma o gerente regional da Caixa Econômica Federal (CEF) em Minas Gerais, Marivaldo Araújo Ribeiro.
Em todo o Brasil, do total aplicado pela Caixa, R$ 21,4 bilhões tiveram como fonte de recursos a caderneta de poupança e R$ 20,7 bilhões vieram do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), sendo o restante de outras fontes. Em Minas Gerais, a poupança foi responsável por R$ 2,637 bilhões e o FGTS de R$ 2,831. “Desse volume do FGTS, tem uma parte que é o do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), correspondente a R$ 565 milhões. A novidade foi o Minha casa, minha vida com recursos do FGTS que voltou a competir com o volume de contratações da poupança”, explica Marivaldo.
NOVOS RECURSOS
Com recordes atrás de recordes, a Caixa já começa a se preparar para a possível escassez de recursos da poupança para o financiamento imobiliário. “Já estamos preocupados com o futuro, mas para os próximos três ou quatro anos temos recursos suficientes. Persistindo esse crescimento, há uma preocupação de criar novas fontes de financiamento”, afirma Marivaldo.
Ainda este ano, o banco já planeja iniciar a venda de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) em suas agências. “Devem ser emitidos de R$ 300 a R$ 400 milhões de CRI como um teste de captação. Verificada a aceitação do mercado, deveremos avançar nas emissões”, acrescenta Marivaldo. De acordo com Jorge Hereda, vice-presidente de Governo da Caixa, cerca de R$ 20 bilhões já estariam prontos para uma securitização, com "nível de padrão de contratos semelhante" e "taxas de juros que podem ser compatíveis para esse mercado que existe hoje".
Os contratos habitacionais da Caixa que tiveram como fonte de financiamento os recursos do FGTS também estão sendo avaliados na securitização da carteira de crédito do banco. "Nada está descartado. Estamos iniciando o processo e fazendo análises. A questão de securitizar fundo de garantia passa muito pelas condições de juros que existem na economia", acrescentou Hereda. Investimentos internacionais também são estudados. “Há interesses externos de trazer recursos através de fundos imobiliários, securitização e outros. Este é um mercado muito propício”, avalia Marivaldo.
A Caixa garante que alternativas não faltam e que o brasileiro interessado em comprar a casa própria deve ficar tranquilo. “As famílias não precisam ficar preocupadas porque novas alternativas estão sendo estudadas. O governo não vai deixar que este ciclo virtuoso para a habitação seja interrompido. Ainda temos um déficit habitacional enorme a ser resolvido”, pondera Marivaldo. (Com agências)
O crédito imobiliário nunca foi tão farto e de fácil acesso no Brasil. Somente este ano, até o início deste mês, a Caixa Econômica Federal (CEF) já emprestou R$ 47,6 bilhões em financiamentos habitacionais, mais do que os R$ 47,05 bilhões alcançados em todo o ano de 2009. O desempenho do setor já fez o banco aumentar as projeções do volume financiado até dezembro, saltando de R$ 60 bilhões para R$ 70 bilhões – um reforço, portanto, de R$ 10 bi. “Mantido o ritmo atual de contratações, o crédito imobiliário da Caixa deve atingir R$ 70 bilhões até o fim do ano. O mais importante é que não se trata de um acontecimento sazonal ou isolado, mas, sim, de um círculo virtuoso sustentável”, afirmou a presidenta do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho.
Se as previsões forem concretizadas, 2010 terminará com alta de 48,8% no valor dos financiamentos imobiliários, um recorde absoluto em relação aos anos anteriores. O balanço também revela que o número de financiamentos, 773.247 até setembro, já equivale a 86,2% do total de 2009, quando foram assinados 896.762 contratos e deve fechar o ano em mais de um milhão de imóveis financiados. Segundo estimativas do banco, diariamente são emprestados mais de R$ 278,5 milhões para a habitação e 4,5 mil novos contratos são fechados.
Mas não é só o país que experimenta números inéditos. Minas Gerais também deve fechar com altas expressivas em relação a 2009. No acumulado no ano até setembro, já foram contratados R$ 5,47 bilhões em todos os programas habitacionais do banco no estado, o equivalente a 11,5% do total nacional, percentual superior à contribuição histórica de 10%. O período de crédito abundante é comemorado pela auxiliar administrativo Nizia Floresta Moura Feitoza, que acabou de financiar R$ 45 mil para a compra do novo apartamento. “A negociação foi rápida e tranquila, sem muita burocracia”, afirma. Prestes a receber as chaves do apartamento de dois quartos, ela já faz os cálculos para quitar a dívida na metade do tempo contratado. “Está financiado em 10 anos, mas pretendo pagar em cinco”, planeja.
Se mantido o ritmo atual de empréstimos, o estado deve alcançar R$ 8 bilhões em financiamentos imobiliários este ano, contra R$ 5,796 em 2009, uma elevação de 38%. “Neste mesmo período no ano passado, tínhamos contratado R$ 3,527 bilhões e já superamos este número em 55%. Em unidades vendidas, o número saltou de 75.708 contratos para 125.394, alta de 65,6%”, afirma o gerente regional da Caixa Econômica Federal (CEF) em Minas Gerais, Marivaldo Araújo Ribeiro.
Em todo o Brasil, do total aplicado pela Caixa, R$ 21,4 bilhões tiveram como fonte de recursos a caderneta de poupança e R$ 20,7 bilhões vieram do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), sendo o restante de outras fontes. Em Minas Gerais, a poupança foi responsável por R$ 2,637 bilhões e o FGTS de R$ 2,831. “Desse volume do FGTS, tem uma parte que é o do FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), correspondente a R$ 565 milhões. A novidade foi o Minha casa, minha vida com recursos do FGTS que voltou a competir com o volume de contratações da poupança”, explica Marivaldo.
NOVOS RECURSOS
Com recordes atrás de recordes, a Caixa já começa a se preparar para a possível escassez de recursos da poupança para o financiamento imobiliário. “Já estamos preocupados com o futuro, mas para os próximos três ou quatro anos temos recursos suficientes. Persistindo esse crescimento, há uma preocupação de criar novas fontes de financiamento”, afirma Marivaldo.
Ainda este ano, o banco já planeja iniciar a venda de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) em suas agências. “Devem ser emitidos de R$ 300 a R$ 400 milhões de CRI como um teste de captação. Verificada a aceitação do mercado, deveremos avançar nas emissões”, acrescenta Marivaldo. De acordo com Jorge Hereda, vice-presidente de Governo da Caixa, cerca de R$ 20 bilhões já estariam prontos para uma securitização, com "nível de padrão de contratos semelhante" e "taxas de juros que podem ser compatíveis para esse mercado que existe hoje".
Os contratos habitacionais da Caixa que tiveram como fonte de financiamento os recursos do FGTS também estão sendo avaliados na securitização da carteira de crédito do banco. "Nada está descartado. Estamos iniciando o processo e fazendo análises. A questão de securitizar fundo de garantia passa muito pelas condições de juros que existem na economia", acrescentou Hereda. Investimentos internacionais também são estudados. “Há interesses externos de trazer recursos através de fundos imobiliários, securitização e outros. Este é um mercado muito propício”, avalia Marivaldo.
A Caixa garante que alternativas não faltam e que o brasileiro interessado em comprar a casa própria deve ficar tranquilo. “As famílias não precisam ficar preocupadas porque novas alternativas estão sendo estudadas. O governo não vai deixar que este ciclo virtuoso para a habitação seja interrompido. Ainda temos um déficit habitacional enorme a ser resolvido”, pondera Marivaldo. (Com agências)
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