terça-feira, 6 de setembro de 2011

XP monta estrutura para originar fundos imobiliários

Valor Econômico - São Paulo/SP - EU & INVESTIMENTOS - 06/09/2011 - 01:06:35

Silvia Rosa | De São Paulo

 

Henrique Alves e Rodrigo Machado: proposta é pulverizar ao máximo as ofertas para aumentar o mercado secundário

O crescimento da demanda dos investidores por fundos imobiliários tem despertado o interesse das corretoras. Para ampliar a atuação nesse segmento a XP Investimentos acaba de contratar Rodrigo Machado, uma das maiores autoridades do setor. Ele foi por 12 anos responsável pela área de fundos imobiliários na Brazilian Finance Real Estate, uma das pioneiras no segmento.

A corretora, que já participa da distribuição em algumas ofertas de fundos imobiliários, pretende originar, estruturar e coordenar as operações, em parceria com outras instituições. "Não pretendemos fazer nem a gestão, nem a administração dessas carteiras, que ficariam a cargo de nossos parceiros", afirma Machado, sócio-diretor da XP e responsável pela área de produtos financeiros imobiliários.

A ideia da XP é popularizar esses produtos, buscando uma pulverização cada vez maior nas ofertas dos fundos. "Pretendemos convidar outras instituições para participar da emissão para pulverizar a distribuição e trazer maior liquidez para a negociação dos papéis no mercado secundário", diz Henrique Loyola Alves, sócio-diretor da XP. Segundo ele, quanto maior o número de investidores na oferta, mais negócios com as cotas há depois.

Neste ano, a XP Investimentos participou como coordenadora da oferta do BM Cenesp, e da terceira emissão do BC Fundos de Fundos, primeiro produto lançado no mercado que investirá em carteiras de outros gestores, ambos administrados pelo Banco Ouroinvest. Há outras ofertas sendo estruturadas pela XP neste ano.

Antes mais restrito às companhias securitizadoras e gestoras especializadas, o mercado de fundos imobiliários tem ganhado novos participantes, despertando o interesse dos grandes bancos principalmente com a flexibilização das regras para alocação dessas carteiras com a Instrução 472 da Comissão de valores Mobiliários, que entrou em vigor em 2008.

A XP tem como vantagem o acesso a uma ampla base de pessoas físicas que pode ser interessante para as securitizadoras para ganhar escala na distribuição dos produtos. A corretora é líder em negociação no mercado secundário de fundos imobiliários e tem 5.500 clientes cadastrados que somam R$ 130,7 milhões em custódia, explica Alves.

A XP também investiu em cursos sobre fundos imobiliários e produz relatórios periódicos com recomendação de carteira. O curso "Invista em imóveis de forma inteligente", em fevereiro de 2011 já teve 193 turmas, com 2.604 alunos. "Estamos vivendo a quinta onda do mercado de fundos imobiliários que passa pela massificação e ampliação da base de investidores", acrescenta Machado.

Segundo o executivo, os fundos imobiliários passaram a fazer parte da diversificação da carteira dos investidores brasileiros. O principal atrativo destes ativos é isenção de imposto de renda para pessoas físicas no ganho com rendimentos.

Com a instabilidade nas bolsas, tem aumentado a procura por esses produtos, impulsionando a oferta de novas carteiras, que mais do dobraram neste ano. Até agosto, foram registradas 25 emissões na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que somaram R$ 4,68 bilhões, volume 131,4% superior ao do mesmo período do ano passado. "Os fundos imobiliários são percebidos como porto seguro em momentos de turbulência", afirma Machado. "Se olharmos para o desempenho histórico, mesmo em momentos de alta volatilidade nas bolsas, o retorno desses investimentos continuou estável ou até aumentou, o que mostra uma baixa correlação com as ações."

Para Machado, o perfil desses investimentos seria intermediário entre a renda variável e a fixa. Isso porque a rentabilidade desses portfólios é composta pela distribuição de um rendimento fixo, na maioria dos fundos em função dos contratos de locação de longo prazo, e da valorização das cotas negociadas no mercado secundário na bolsa.

O executivo acredita que esse ciclo de mercado imobiliário aquecido no Brasil deve durar pelo menos mais 10 anos, mas a velocidade do crescimento do setor deve diminuir. "Houve uma forte aumento da venda de imóveis porque a base era muito pequena, mas é natural que ocorra a acomodação de preços em algumas regiões."

Para encontrar as oportunidades, os fundos imobiliários devem diversificar por segmentos de atuação, como em imóveis residenciais, comerciais, galpões logísticos, plantas industriais, e também por regiões. Novas modalidades de fundos, como carteiras que investem exclusivamente em papéis lastreados em imóveis como Certificado de Recebíveis Imobiliário (CRIs) também devem ganhar mercado. "Vamos apostar em algumas famílias, como fundos multiportfólio, com foco em desenvolvimento e securitização", diz Machado.

Nesse sentido, os gestores dos portfólios devem ganhar maior importância à medida que a gestão das carteiras passa a ser mais ativa. "Hoje os fundos não ficam mais restritos apenas a um imóvel, e os gestores têm que definir as melhores estratégias de aquisição e saída dos investimentos", destaca Machado.

O surgimento de fundos que em investem em carteiras de outros gestores oferece a oportunidade de diversificação ao selecionar os melhores portfólios. Machado acredita que eles devem despertar o interesse principalmente dos bancos, uma vez que não requer uma grande estrutura de gestão especializada.

Para trazer mais liquidez no mercado secundário, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sugeriu à CVM permitir a inclusão dos gastos com formador de mercado (market maker) como custo dos fundos imobiliários, o que estimularia a contratação desse serviço. (Colaborou Angelo Pavini)

 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Compra de terreno exige pesquisa

O Estado de S. Paulo - São Paulo/SP - ECONOMIA - 04/09/2011 - 21:01:00

 

Negócio tem ganhado força como modalidade de investimento no interior de São Paulo

 

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO - Investir em lotes imobiliários em vez de comprar e revender imóveis prontos é uma prática que tem ganhado força no interior de São Paulo. Aos que comercializam os lotes, não há melhor negócio. Acadêmicos especializados em investimentos, no entanto, alertam que há alguns riscos – maiores do que o investimento em imóveis prontos – na modalidade de aplicação.

 

Tanto os defensores quanto os que não confiam tanto na alternativa de investimento ponderam que, em primeiro lugar, é preciso saber escolher onde comprar o lote. "É necessário que se faça uma análise do lugar para tentar prever se haverá ou não valorização na região", diz Sérgio Pereira, diretor da empresa Vallor Urbano, especializada na urbanização de áreas residenciais.

 

Ele pontua, por exemplo, a região da Nova Jundiaí como área de potencial valorização. "Há uma expectativa de crescimento industrial na Nova Jundiaí. Isso sinaliza que a região terá valorização imobiliária", completa.

 

O professor de finanças do Insper, Ricardo Almeida, diz, no entanto, que ter noção de perspectiva de crescimento não é para qualquer um. "É especulação."

 

Pereira rebate dizendo que historicamente a valorização de lotes é maior do que 30% em termos reais. "Há casos em que o lucro ultrapassa 150%", insiste. A valorização da área, diz Pereira, depende de vários fatores. Além da localização, outros pontos como o padrão do loteamento, a infraestrutura da área em que se encontra e os tipos de casas que serão construídos devem ser analisados pelo investidor.

 

Como investir. Há ainda duas formas básicas de investir em lotes que são: a compra e a venda do lote, ainda vazio; ou a revenda do lote já com a casa construída. "Nesse caso, arquitetos, que podem elaborar uma casa bem diferente, ou quem têm descontos para a compra de materiais de construção podem ter bons lucros", admite Almeida.

 

Ter atenção se o empreendimento em que está se comprando o lote está em dia com impostos ou outras burocracias também é de extrema relevância. "Isso para não correr o risco de efetuar a compra de frações de terras, que são, na realidade, fruto de ocupações irregulares, vendidas ilegalmente", detalha o diretor da Vallor Urbano.

 

O especialista explica que, em seguida, é importante checar na prefeitura se o empreendimento está com todas as licenças válidas. "Tanto o cartório, quanto a prefeitura, tem obrigação de fornecer estas informações", detalha Pereira. Ele frisa ainda que, normalmente, as empresas sérias do setor disponibilizam esse tipo de informação.

 

Kassab quer mais prédios na Faria Lima

Kassab quer mais prédios na Faria Lima

Títulos no valor de R$ 2 bilhões permitiriam novos condomínios em troca de melhorias urbanas

O prefeito Gilberto Kassab pretende colocar no mercado R$ 2 bilhões em títulos para permitir a construção de prédios acima da lei de zoneamento na região da av. Brigadeiro Faria Lima, uma das mais cobiçadas pelo mercado imobiliário. Segundo o projeto enviado à Câmara Municipal, serão 452 mil m² que poderão ser adquiridos por incorporadoras que planejarem construir novos empreendimentos no local, segundo O Estado de S. Paulo.

Se aprovada, a proposta de Kassab irá alterar a Operação Urbana Faria Lima, de 1995, e descongelar as áreas disponíveis ("estoques) para novos prédios comerciais e residenciais em bairros já saturados, como Pinheiros e Itaim-Bibi - em especial, nas áreas da av. Hélio Pellegrino e no entorno do largo da Batata.

No total, seriam vendidos mais 500 mil Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs), quase o equivalente ao negociado durante a última década na região.

No último leilão da operação, em maio de 2010, cada Cepac foi comercializado por R$ 4 mil - um preço considerado até baixo atualmente, segundo a demanda do mercado. Assim, a prefeitura lucraria ao menos R$ 2 bilhões com a venda, e as construtoras poderiam usá-los para construir empreendimentos mais altos em terrenos menores.

"É que sobraram metros quadrados na região, mas não temos mais Cepacs para vender. O que for arrecadado agora será investido em melhorias dentro do próprio perímetro da operação", justificou o secretário municipal de Planejamento, Rubens Cham-mas. A expectativa é de que o leilão dos novos Cepacs ocorra até o final do ano.

Discordâncias

Recebido na semana passada em gabinetes, o projeto já recebeu críticas até de quem é do mercado. Para o vereador Domingos Dissei (DEM), dono de uma construtora, a região da Faria Lima já está com "trânsito impraticável" para ter mais empreendimentos. "A região se adensou demais. Talvez o governo devesse abrir mão desses últimos 452 mil m² para evitar colapso no trânsito", afirma.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Como escolher um entre os 100 tipos de fundo imobiliário?

Congresso de Finanças Estruturadas

 

CVM edita a Instrução nº 502/11 que altera os anexos A, B, C e D da Instrução CVM nº 489/11 e o Ofício-Circular/CVM/SNC/SIN/Nº 01/11

CVM edita a Instrução nº 502/11 que altera os anexos A, B, C e D da Instrução CVM nº 489/11 e o Ofício-Circular/CVM/SNC/SIN/Nº 01/11

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) edita hoje, 01/09/2011, a Instrução CVM nº 502/11 alterando os anexos A, B, C e D da Instrução CVM nº 489, de 14 de janeiro de 2011, que dispõe sobre a elaboração e divulgação das Demonstrações Financeiras dos FIDC, FIC-FIDC, FIDC-PIPS e FIDC-NP e o Ofício-Circular/CVM/SNC/SIN nº 01/11 com orientações sobre procedimentos relativos à implementação da Instrução CVM nº 489/11.

A Instrução altera os anexos A, B, C e D, para contemplar o entendimento sobre a classificação contábil da cota sênior, que deve ser classificada como item de patrimônio líquido dos FIDC. Esses instrumentos financeiros emitidos pelos FIDC possuem características especiais, não consideradas quando da edição da Instrução CVM nº 489/2011 e, por isso, originalmente, a regra permitia sua classificação no passivo das demonstrações financeiras.

O Ofício-Circular tem por objetivo esclarecer dúvidas sobre (i) a vigência da norma no tocante aos informes mensais; (ii) a avaliação dos créditos a performar dos FIDC-NP e dos FIDC que investem nesses ativos; e (iii) a classificação contábil da cota sênior.

Clique aqui para ter acesso à íntegra da Instrução CVM nº 502/11, à Nota Explicativa à Instrução CVM nº 502/11 e ao OFÍCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SIN Nº 01/2011.

 

Comissão elege dirigentes e inicia análise do novo Código de Processo Civil

A comissão especial que analisa o projeto do novo Código de Processo Civil (PL 8046/10) elegeu seus dirigentes nesta quarta-feira. Conforme acordo feito na semana passada entre PT e PMDB, o deputado Fábio Trad (PMDB-MS) foi eleito presidente da comissão e indicou o deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA) para a relatoria do projeto.

 

A proposta busca agilizar a tramitação das ações cíveis, com a eliminação de recursos, o reforço à jurisprudência e outros mecanismos.

Fábio Trad explicou como será o trabalho da comissão: “Vamos fazer audiências públicas, seminários em alguns estados, visitas oficiais e também vamos dar a oportunidade para que uma comissão de juristas notáveis participe do trabalho auxiliando os deputados.”

 

Segundo ele, nunca é bastante ouvir a sociedade. "Vamos renovar e ampliar os debates travados no Senado, dando a oportunidade para que todas as instituições se manifestem”, afirmou.

Barradas Carneiro destacou a importância das regras previstas no CPC para a vida dos cidadãos, já que a lei é aplicada, ainda que subsidiariamente, a todos os processos não criminais. “Não há ninguém que passe a vida toda sem pelo menos uma pendência judicial”, disse.

 

O relator afirmou também que a reforma do CPC é a oportunidade para que sejam mantidos os institutos do código que deram certo e criar soluções para os gargalos existentes. “Queremos manter a segurança jurídica e conferir brevidade ao processo, para que histórias que ouvimos sobre demandas que duraram anos e pessoas que morreram sem receber os seus direitos sejam casos cada vez mais do passado”, afirmou Barradas Carneiro. Ele anunciou que desistiu de concorrer a uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), para se dedicar integralmente à relatoria.

 

Próxima reunião
A comissão volta a se reunir daqui a duas semanas, no dia 14 de setembro, para definir o cronograma de atividades. Os deputados já decidiram, por sugestão do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que vão convidar o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, presidente da comissão de juristas que elaborou a proposta inicial em 2010, para fazer um panorama da tramitação legislativa da proposta. A reunião com o ministro ainda não tem data definida.

 

Ficou decidido, por sugestão do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que todos os projetos em tramitação na Câmara que alteram o Código de Processo Civil deverão tramitar em conjunto com a proposta de novo código, para que não sejam descartadas mudanças já propostas pelos deputados.O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) disse que um calendário ideal seria a aprovação do texto já no próximo semestre. “Todos sabemos que, quanto mais o tempo passa, mais se descobrem imperfeições. Se não conseguirmos construir o ideal, o nosso propósito é entregar aquilo que seja possível para esse novo momento que o país vive”, defendeu.

 

Sub-relatorias
Para auxiliar o trabalho de Barradas Carneiro na relatoria, Fábio Trad indicou cinco sub-relatores: Efraim Filho (DEM-PB), Jerônimo Goergen (PP-RS), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) e Hugo Leal (PSC-RJ). Cada um ficará responsável por uma parte do projeto do novo CPC.

Os vice-presidentes da comissão especial serão Miro Teixeira (PDT-RJ), Vicente Arruda (PR-CE), e Sandra Rosado (PSB-RN), que compuseram a chapa com Fábio Trad.

 

Continua:

Jurista diz que proposta simplifica e acelera processos

 

Íntegra da proposta:

PL-8046/2010

 

Reportagem - Carol Siqueira
Edição - Marcelo Westphalem


'Agência Câmara de Notícias'