quinta-feira, 25 de junho de 2015

Crédito imobiliário desaba em maio após freio da Caixa

Crédito imobiliário desaba em maio após freio da Caixa | Valor Econômico

Crédito imobiliário desaba em maio após freio da Caixa

Os números de maio do crédito imobiliário deixam claro o tamanho do estrago que a escassez de dinheiro na caderneta de poupança trouxe para o financiamento da casa própria. Também mostram o quão dependente a modalidade é da Caixa Econômica Federal, que reduziu radicalmente a liberação de empréstimos e, pela primeira vez, perdeu a liderança no crédito habitacional com recursos da poupança.

Dados obtidos com exclusividade pelo Valor mostram que, em maio, foram desembolsados R$ 3,608 bilhões em financiamento habitacional para aquisição de imóveis com recursos da poupança, uma queda de 51% ante o mesmo mês de 2014 e também de 51% na comparação com abril. Tal cifra só se compara à liberada em 2011, antes do salto da modalidade.

As informações são parte de um levantamento preliminar restrito que a Abecip, associação que reúne empresas de crédito imobiliário, divulga aos associados. A amostra contempla apenas operações que tiveram "funding" da poupança, o que exclui o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Procurada, a Abecip não retornou pedido de entrevista.

Foi a Caixa a grande responsável por essa redução no crédito habitacional. O banco estatal, historicamente o principal financiador da casa própria do país, desembolsou R$ 725 milhões em operações para mutuários em maio. Em abril, o banco havia liberado R$ 4,798 bilhões, ou seja, houve uma queda de 85% na comparação com mês imediatamente anterior. Em maio do ano passado, o banco público desembolsou R$ 4,438 bilhões.

Desde 4 de maio, a Caixa passou a financiar apenas 50% do valor de um imóvel usado, no Sistema de Amortização Constante (SAC), e até 40% na tabela Price. Também no meio de abril, o banco público anunciou, pela segunda vez no ano, aumento nos juros do financiamento habitacional. Em algumas linhas, os reajustes chegaram a até 80 pontos-base.

O desempenho da Caixa em maio levou à quebra de um paradigma no crédito habitacional brasileiro: o banco público perdeu a liderança do mercado.

Em abril, a Caixa respondia por 65,1% do volume desembolsado para mutuários, participação que encolheu para 20,1% em maio. A liderança passou para as mãos do Itaú Unibanco (24,9%), seguido pelo Bradesco (20,4%) e pelo Santander (20,2%). Apenas para fins de comparação, em abril, o Itaú tinha 11,4% de participação, o Bradesco 6,6% e o Santander, 9,1%.

A mudança na participação de mercado também mostra que, embora longe de compensar o freio da Caixa, os bancos privados conseguiram desembolsar um volume maior de recursos para aquisição de imóveis em maio. O Itaú desembolsou 12% a mais que no mesmo mês de 2014, ou R$ 898 milhões. O Bradesco, 17% a mais, com R$ 735 milhões, enquanto o Santander incrementou em 8%, com R$ 729 bilhões.

Procurada, a Caixa afirmou que sua prioridade neste ano serão linhas com recursos do FGTS, como o MCMV. "É nessa faixa de renda que está concentrado mais de 90% do déficit habitacional. A Caixa ressalta que mantém a liderança para este público, com o market share de 90,8% em termos de estoque e 77% em termos de aplicação", citou em nota.

Ainda que os dados de maio tenham sido significativos em mostrar o tamanho do freio do crédito imobiliário brasileiro, são os de junho que darão um melhor quadro do semestre, segundo bancos ouvidos pelo Valor.

O motivo é a série de medidas lançadas pelo governo neste mês que previam uma injeção de cerca de R$ 25 bilhões para o crédito imobiliário. O Banco Central (BC) mudou as regras do depósito compulsório da poupança, aumentando o volume de recursos disponíveis para financiamento habitacional, e o governo permitiu uso adicional de recursos do FGTS.

Embora a redução no crédito para aquisição de imóveis tenha sido significativa, nos empréstimos para construção de imóveis o quadro foi melhor. Nessa linha, foram desembolsados R$ 1,828 bilhão, uma queda de 6% na comparação anual, com avanço de 32% ante abril. O financiamento à construção com recursos da poupança é uma linha em que a Caixa tem atuação significativamente menor, portanto menos sujeita a flutuação de suas estratégias.

O desempenho do crédito imobiliário tem a ver com o tombo na captação da sua principal fonte de recursos, a caderneta de poupança. Os saques têm superado com folga os depósitos neste ano por conta da perda de atratividade do investimento, diante da alta dos juros e do aperto no orçamento das famílias.

No acumulado do ano até 17 junho, a retirada líquida da caderneta somava R$ 38 bilhões. A Abecip projeta que a poupança encerre 2015 com resgate de R$ 50 bilhões.

A alta da Selic inviabiliza que recursos captados a taxas de mercado sejam usados para o crédito habitacional, sem que os juros cobrados cheguem a níveis assustadores.



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CVM suspende mais uma oferta de investimento em hotel

CVM suspende mais uma oferta de investimento em hotel | Exame.com

CVM suspende mais uma oferta de investimento em hotel | Exame.com

São Paulo - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu mais uma oferta pública de distribuição de contratos de investimento coletivo relacionado a hotéis.

A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) determinou nesta terça-feira, 23, que Incortel Vitória Consultoria e Hotelaria e o Arpoador Fashion Hotel Empreendimento suspendam, por até 30 dias, a oferta do Arpoador Fashion Hotel.

A oferta obteve em abril do ano passado dispensa de registro. Porém, a SRE detectou uso de material publicitário enviado a potenciais investidores, no dia 18 de junho, por meio de e-mail, que se somaram a outras infrações, dessa mesma natureza, já verificadas pela área técnica.

Isso resultou no envio de ofícios de alerta às citadas empresas no mês passado.

A Superintendência também determinou a publicação imediata de comunicado ao mercado, pelas empresas, informando a decisão da suspensão, que poderá ser revogada, se as irregularidades forem corrigidas.



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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Cadê as LCAs e LCIs que estavam aqui? | Valor Econômico

Cadê as LCAs e LCIs que estavam aqui? | Valor Econômico

Cadê as LCAs e LCIs que estavam aqui?

Luis Ushirobira/ValorBruno Carvalho, gerente de renda fixa da Guide: "Em duas horas acaba o lastro. Você põe na plataforma e some"

As letras de crédito, isentas de imposto de renda, viraram artigo raro. É só aparecer na prateleira dos distribuidores que somem em poucas horas. Tanto as plataformas on-line voltadas para o varejo quanto os alocadores de fortunas têm rebolado para atender à demanda crescente dos clientes enquanto a falta de lastro impede o aumento da oferta. Difícil encontrar um substituto perfeito para as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Outros produtos isentos e os tradicionais Certificados de Depósito Bancário (CDBs) estão na fila.

"Em duas horas acaba o lastro que o emissor disponibiliza. Você põe na plataforma e some", diz Bruno Carvalho, gerente de renda fixa da Guide Investimentos, que oferece títulos e fundos por meio de uma prateleira on-line. "Independentemente do tamanho da instituição, vimos uma redução da oferta", afirma Richard Ziliotto, sócio da gestora de patrimônio Taler, que acompanha o mercado diariamente em busca de ativos para compor o portfólio de clientes de alto patrimônio.

Ao entrar em contato com os emissores, alocadores e distribuidores recebem principalmente a justificativa da falta de lastro. Em tempos de economia fraca, ficam mais escassas as operações de crédito imobiliário que servem de base à estruturação de LCIs. No caso das LCAs, além do crescimento mais fraco, produtores rurais sofreram com condições climáticas desfavoráveis e uma greve de caminhoneiros agravou o escoamento da produção, aponta Carvalho. Sem o lastro, é impossível estruturar as letras.

Outra justificativa para emissões menos fartas é uma parada técnica, um período de adaptação às novas regras do Conselho Monetário Nacional (CMN), divulgadas em maio. O prazo mínimo de vencimento e resgate de LCIs e LCAs foi ampliado para 90 dias. Até então, não havia restrição para LCAs e, no caso de LCIs, o prazo era de 60 dias. Além disso, há novas diretrizes para as operações que podem servir de lastro às letras.

As mudanças começam a aparecer nos números. Na comparação da primeira quinzena de junho com o mesmo período de maio, o volume de emissões recuou 36%, para R$ 14,1 bilhões, conforme mostrou reportagem do Valor com base em dados da BM&FBovespa e da Cetip, responsáveis pelo registro das operações.

Os reflexos das regras do CMN vão ficar mais claros ao fim de junho, diz Carlos Ratto, diretor-executivo da unidade de títulos e valores mobiliários da Cetip. Ele espera um efeito especialmente sobre as operações de LCAs. Sem prazo mínimo, conta, o instrumento era usado por pessoas jurídicas para operações de curtíssimo prazo, hoje impossíveis, já que, ao contrário dos outros tipos de investimento, a letra não pagava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Com a pressão da demanda, os prêmios também encolheram. A redução de retorno em relação aos tempos áureos, quando comparados papéis de mesmo prazo, aproxima-se de dez pontos percentuais do CDI segundo os distribuidores. Os prazos também estão mais longos. A determinação do CMN impede vencimento em menos de três meses, mas, na prática, prazos inferiores a seis meses estão ausentes nas plataformas.

"Hoje em dia grande parte dos títulos isentos é para prazo superior a um ano", diz Bruno Saads, responsável pela área de produtos de renda fixa da XP, dona da maior plataforma on-line do mercado. E não há alívio no horizonte. Na conversa com os emissores, em grande parte bancos médios, Saads diz que o indicativo é de um crescimento real da carteira de crédito negativo, ou seja, menor do que a inflação.

O freio na oferta de letras de crédito começa a criar uma legião de órfãos. São investidores que querem retorno farto, mas sem correr muito risco. Alocadores e distribuidores testam a demanda por outros produtos, como os tradicionais Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que ressurgem nas plataformas.

A Órama, que nasceu como uma prateleira de fundos, colocou CDBs em sua plataforma on-line pela primeira vez neste mês. Os bancos de médio porte começam a oferecer CDBs, ainda que de prazo mais longo, com taxas mais agressivas, segundo Sandra Blanco, consultora de investimentos da plataforma on-line. Um papel incluído na prateleira da casa, emitido pelo Banco Máxima, por exemplo, paga 116% do CDI em 363 dias. A diferença para as letras é que aqui incide o imposto de renda, regressivo com o avançar do prazo. Nesse caso, vale a alíquota de 17,5%, o que torna esse CDB equivalente a uma LCI de mesmo prazo que paga 95,7% do CDI.

A principal semelhança do certificado com as letras é a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura ao investidor até R$ 250 mil por instituição investida, em caso de default. Essa garantia pode ser o caminho para os CDBs recuperarem seu reinado, ameaçado pelo advento das LCIs e LCAs. Para se ter uma ideia, o estoque de certificados na Cetip encolheu 13,2% de maio do ano passado para o mesmo mês deste ano.

Certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio (CRIs e CRAs) poderiam ser vistos como substitutos naturais às letras, por conta da isenção de imposto. Os prazos, entretanto, são mais longos, em geral de pelo menos três anos. Além disso, são produtos mais complexos, que não contam com a segurança do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que devem passar por uma avaliação mais criteriosa do projeto e dos agentes participantes, como custodiante e securitizadora. "É menos confortável para o investidor", diz Ziliotto, da Taler.

Ratto, da Cetip também não vê CRIs e CRAs como o próximo alvo dos investidores pessoa física. "O caminho natural, se por acaso não tiver mais lastro para LCIs e LCAs, é o do CDB", diz, apontando para o fato de os dois terem base em risco bancário.

A gestora de fortunas GPS, do grupo Julius Baer, tem percebido a escassez de letras, o que inviabiliza a renovação de todos os papéis que vencem nas carteiras de clientes. É reticente, entretanto, em relação à maior oferta de CDBs. "Banco que aceita pagar 120% do CDI ou mais em uma captação já é por natureza de pior qualidade", diz Marcelo Urbano, responsável pela área de crédito da GPS.

Urbano lembra que quem conta com o FGC pode levar alguns meses para reaver o valor investido, sem correção, no caso de default. Além disso, ao travar os recursos em um CBD, diz, o investidor pode perder oportunidades com melhor remuneração no meio do caminho, até mesmo em títulos prefixados e NTN-Bs, que pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação.

O fato é que a missão de encontrar um ativo para ocupar o lugar das letras é inglória. "No mesmo nível de risco/retorno, não vejo como substituir", diz Urbano. A regra, considera, é diferenciar o bolo que deve ficar líquido do que pode ser imobilizado por mais tempo. Para o primeiro montante, se não for possível contar com as letras, o caminho são os tradicionais fundos DI de taxa baixa. Para a segunda fatia, a solução é buscar ativos mais sofisticados e, assim, mais rentáveis. Nesse segmento, que exige mais análise, há boas oportunidades, segundo Urbano, que seleciona ativos de crédito para clientes de alto patrimônio. "Nunca trabalhei tanto na minha vida."

Para quem tem capacidade de selecionar ativos e não simplesmente confiar nas agências de avaliação de risco, Urbano espera que surjam CRIs e CRAs atraentes. Outra opção, aponta, são as debêntures de infraestrutura, que também não sofrem a mordida do Leão e financiam um setor que o governo pretende promover nos próximos anos.

Um impeditivo é que o mercado secundário de CRIs e CRAs ainda é muito incipiente, diz Saads, da XP. Para os adeptos das letras, a casa tem sugerido CDBs para prazo de um a dois anos, com taxa entre 115% e 120% do CDI, e também títulos públicos. Como existe a expectativa de um ajuste nos juros embutidos nos papéis para baixo, há a perspectiva de ganho de capital. NTN-Bs com vencimento em 2018 são uma pedida. Para os mais conservadores, a receita é títulos pós-fixados e fundos DI. O que Saad ainda não viu foi o investidor das letras topar migrar para ativos de maior risco, como ações.



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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Governança flexível

Governança flexível | Valor Econômico

Governança flexível

Leo Pinheiro/ValorLeonardo Pereira, presidente da CVM: "Isso não quer dizer que o melhor sistema não seja 'uma ação, um voto', mas que talvez seja possível conviver com outras estruturas, desde que elas tragam instrumentos que limitem os riscos"

Nos últimos meses, diante dos vários problemas de governança apresentados pelas companhias brasileiras e do aumento das operações de fechamento de capital, várias entidades do mercado estão discutindo medidas para revigorar a imagem das melhores práticas no país. São ideias para reformas no código de governança do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), no Novo Mercado e também a criação de um código único de governança corporativa no país. Um dos temas que têm gerado as discussões mais acaloradas e que pode afetar diretamente a vida dos investidores é a possibilidade de incorporar como uma boa prática estruturas acionárias em que cada ação não represente um voto - contrariando um dos pilares do Novo Mercado da Bovespa.

O assunto está em debate mundialmente. Esse tipo de estrutura tem sido comum nas companhias do Vale do Silício, em que o fundador não quer abrir mão do controle. Facebook, Linkedin e Groupon negociam ações nos Estados Unidos que dão superpoderes a seus controladores, cuja exposição econômica ao negócio não é proporcional ao direito de voto. Já o Google lançou ações sem direito a voto.

A lógica dessas estruturas é dar condições para que fundadores, pessoas tidas como geniais e fundamentais para o negócio, tenham mais poder de comando e comprometimento de longo prazo com as companhias. O que permeia essa discussão, mundialmente falando, é o fato de, nos tempos atuais, ser cada vez menor o tempo em que o investidor permanece com as ações em carteira, na geração dos algoritmos e dos negócios de alta frequência. Para muitos, isso pode querer dizer que a empresa fica muito mais pressionada a entregar resultados de curto prazo, o que colide com o pensamento tradicional de longo prazo que o investidor institucional de ações deveria ter. Oferecer esse poder de voto especial ao fundador e principal gestor seria uma garantia de perenidade da empresa, por um lado. Mas, por outro, poderia também ser um fator a facilitar os abusos de controle, prejudicando os minoritários.

As bolsas no Estados Unidos acolhem esse tipo de instrumento, sem discussões, assim como as Euronext de diversas praças da Europa, como Lisboa e Amsterdã. Na Suécia, isso também é comum. O Reino Unido não abraça essas estruturas, embora existam alguns casos listados fora de seus segmentos principais. O site chinês de comércio eletrônico Alibaba optou pelo mercado americano para fazer o maior IPO do mundo, abrindo mão de lançar ações em Hong Kong, porque a bolsa local não aceita o formato. Ao perder uma das principais empresas hoje da região, a Bolsa de Hong Kong promove audiência pública para discutir a possibilidade de abrigar essas estruturas. Cingapura já eliminou as restrições.

Além das ações sem direito a voto e com superpoderes, há outras possibilidades. Em Paris, as empresas ofertam ações cujo poder de voto cresce com o passar do tempo. Se o investidor permanecer por dois anos com o papel, seu voto também passa a valer por dois. Essas ações, chamadas de "loyalty shares" (ações de fidelização, em uma tradução livre do termo em inglês), também podem oferecer mais dividendos com o passar do tempo.

"Esse tema é polêmico. O cuidado que se precisa ter é avaliar em quais casos seria possível flexibilizar as estruturas de capital. Isso não quer dizer que o melhor sistema não seja 'uma ação, um voto', mas que talvez seja possível conviver com outras estruturas, desde que elas tragam instrumentos que limitem os riscos", afirma Leonardo Pereira, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Para alguns casos, por exemplo, o de um controlador brilhante e que vai reter o papel por muito tempo, você pode ter uma exceção. Acho válido discutir o assunto, mas com o cuidado para que não haja um retrocesso", afirmou Pereira.

No Brasil, essa estruturas já existem, com a emissão de ações preferenciais (PN), que oferecem mais dividendos e não dão direito a voto, e também com o modelo aprovado pela CVM para companhias aéreas como a Azul, com as "superpreferenciais", que acabam garantindo o controle a um sócio, embora com algumas proteções aos acionistas previstas no estatuto.

Por conta de questões regulatórias, investidores estrangeiros não podem ter mais que 20% do capital votante de companhias aéreas. Assim, para que essas empresas captassem no exterior foram criadas as suprepreferenciais, que não dão direito a voto, mas valem muito mais que as ordinárias e recebem muito mais dividendos. Na Azul, as PNs têm direito a dividendos 75 vezes maiores. A emissão dessas ações acaba concentrando o poder de voto nas mãos de quem fica com as ordinárias, no caso dessa empresa David Neeleman, que pertence à lista dos empresários considerados como "geniais". A Azul ainda não concretizou a abertura de capital, mas devido às condições de mercado.

Para Maria Helena Santana, ex-presidente da CVM, o mercado brasileiro sinaliza que tem demanda para as ações preferenciais e também para estruturas mais alavancadas de controle. "Não vejo como algo intransponível, mas vai depender das compensações oferecidas. Acho que é preciso adotar cautelas", diz Maria Helena.

Entre as cautelas, ela defende que os direitos econômicos dos demais acionistas devem ser equivalentes à participação no capital. "Isso é muito importante. Seja numa eventual reorganização societária, numa venda de controle, na questão dos dividendos, os direitos econômicos daqueles que não votam devem ser atribuídos na proporção do capital que eles aportaram", afirma. Além disso, Maria Helena diz que deve haver outras proteções, como a ação perder o supervoto se ela for vendida, ou o poder de veto dos acionistas em questões de remuneração e de outros temas clássicos, com transações entre partes relacionadas.

Para Maria Helena, o mercado pode ser mais rico do que um modelo só e ainda assim ser saudável, mas "desde que as ações de 'enforcement' funcionem e proteções sejam estabelecidas para os investidores, com muita transparência". "Se você conseguir impedir o abuso de poder, a presença desse controlador comprometido tende a ser benéfica", afirma.

Ver também: Ações com direitos distintos ameaçam minoritário, diz Amec



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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Incorporadoras podem reforçar financiamento direto a clientes

Incorporadoras podem reforçar financiamento direto a clientes - Economia - Estado de Minas

Incorporadoras podem reforçar financiamento direto a clientes

  • Incorporadoras podem reforçar financiamento direto a clientes
  • Para enfrentar a escassez de crédito habitacional, as incorporadoras podem reforçar uma prática já utilizada no mercado imobiliário: o financiamento direto a clientes. Analistas alertam, no entanto, que esse tipo de operação tende ser conduzida por um grupo limitado de companhias e em segmentos específicos, pois exige características cada vez mais raras em um setor em dificuldades: caixa robusto, baixa alavancagem e clientes com capital próprio.

    Entre as companhias de capital aberto, a Eztec está lançando um novo programa de pagamento direto para estimular a venda de unidades concluídas, enquanto a Cyrela estuda oferecer uma opção semelhante, embora nenhuma decisão tenha sido tomada. Além disso, pelo menos, quatro outras empresas (Even, João Fortes, Trisul e Helbor) contam com algum tipo de financiamento que substitui a intermediação bancária.

    "Com a atual situação do crédito, o anúncio de elevação de juros bancários e uma mudança de LTV ("Loan to Value" ou cota para financiamento bancário), estamos no firme propósito de financiar o cliente de uma maneira mais intensiva e demonstrar que temos a disposição de incluir o consumidor na nossa carteira", afirma o diretor de relações com investidores da EZTEC, Antônio Emilio Fugazza.

    A nova campanha de financiamento direto de imóveis prontos da companhia se apoia em juros anuais de 9,99%, somados a uma correção monetária feita pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) ou pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O "auto crédito" cobre 80% do valor do imóvel ao longo de 150 meses, após o cliente pagar uma entrada de 20%.

    Para a analista Paola Mello, do Citi, as medidas de financiamento direto são opções para as companhias frente o cenário atual, mas não dizem respeito a uma migração no modelo de negócios, que continua focado na atividade bancária. "Pode ser que voltemos a ver esse movimento, pois existem empresas que têm condições de fazer isso. Mas deve ser limitado a uma carteira pequena de clientes", afirmou.

    Mesmo no caso da EZTEC, que já tem um histórico de pagamentos diretos, a parcela desse segmento é relativamente baixa. Dos R$ 422,73 milhões em recebíveis de obras concluídas da companhia no primeiro trimestre, cerca de R$ 150 milhões eram provenientes de financiamento direto. O total de recebíveis, líquido do adiantamento a clientes, somava R$ 1,700 bilhão no período em questão. Até a nova campanha, a empresa possuía um programa com correção atrelada ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) mais 12% ao ano para financiamentos de até 120 meses, contados a partir da entrega da chave.

    "Não é possível imaginar que as companhias financiariam 100% dos seus clientes", acrescenta a especialista. Paola Mello explica também que essas "são atividades de capital intensivo" e, por isso, o endividamento e a posição de caixa são fatores cruciais para a implementação dessas operações, que acabam comprometendo também capital de giro.

    A segmentação por preços dos imóveis é mais um fator que define o foco de atuação do financiamento direto. Para o analista Gabriel de Gaetano, do Besi Securities, empresas que trabalham com imóveis que custam mais de R$ 750 mil, valor máximo do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), tendem a ser mais favoráveis a oferecer o modelo de pagamento. O especialista explica que, a partir desse preço, os juros bancários são mais elevados, abrindo espaço para que as empresas ofereçam custos de crédito mais competitivos.

    A Cyrela é uma das companhias frequentemente citadas como possíveis candidatas a ingressar no financiamento direito, por trabalhar com imóveis de alto padrão e manter uma forte posição de caixa. Em nota ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a companhia afirma que o mercado ainda tem financiamento bancário, a taxas mais competitivas do que uma incorporadora pode oferecer. Entretanto, "a companhia estuda o financiamento direto a clientes" caso o crédito fique mais restritivo, embora essa análise ainda esteja "em fase inicial e ainda não há qualquer data para ser adotado".

    A Rodobens pode seguir o mesmo caminho, se o cenário de crédito se deteriorar. De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Flávio Vidigal De Capua, esse é um assunto na pauta da companhia, que está sempre em "busca de formas alternativas de financiamento". "Se percebermos que há um maior aperto de crédito, com uma diminuição de vendas, e apetite por financiamento direto, podemos estudar essa possibilidade caso a caso", diz o executivo da Rodobens. A companhia tem experiência em financiamento direto no segmento de urbanismo, mas não atua dessa maneira em incorporação.

    Entre as companhias que já começaram a financiar os clientes está a Trisul, que lançou a promoção "O momento é agora" há algumas semanas. De acordo com o analista sênior de relações com investidores da empresa, Michel Christensen, a empresa passou a fazer esse tipo de operação com "o intuito de facilitar as condições para quem quer comprar uma unidade e, portanto, aumentar o volume de vendas da empresa". Esse tipo de negócio não era desenvolvido antes, "pois havia crédito mais abundante no mercado", acrescenta o executivo, sem dar mais detalhes. O programa prevê o financiamento de até 70%, a ser pago pelo cliente no período máximo de 180 meses. A correção é feita pelo IGP-M mais 12% de juros ao ano.

    Na João Fortes há opção de financiamento direto para seus clientes com prazo de até 120 meses, ao custo de IGP-M mais juros de 12% ao ano, segundo Jorge Rucas, diretor de negócios.

    Um dos maiores riscos nesse tipo de operação é a inadimplência dos pagamentos. Segundo o analista Marcelo Motta, do JPMorgan, a questão é trabalhada pelas incorporadoras de forma parecida com a dos bancos, com uma análise de crédito antes da venda, provisionamento durante o processo e uma eventual desapropriação do imóvel. A securitização de recebíveis pode ser uma forma de reduzir o risco das empresas, com a utilização de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), por exemplo. Além disso, as companhias podem emitir outros instrumentos, como Letras de Crédito Imobiliário (LCI).

    O analista da Fator Corretora lembra, no entanto, que essas operações são complexas e devem ser conduzidas com cuidado. "A incorporação já é um negócio de ciclo longo com muitos riscos próprios. Então, em geral, o perigo de calote deixa as operações menos atrativas. O financiamento direto é tratado por empresas específicas e termos bem definidos. O negócio das incorporadoras é construção e venda de imóveis, e não administrar uma carteira de recebíveis", ressalta o especialista.


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    terça-feira, 9 de junho de 2015

    BNDES ANUNCIA NOVAS REGRAS PARA CONCESSÃO DE CRÉDITO

    • 08-06-2015 00:06
    • Escrito por Redação
    • Publicado em Geral

    Para estimular o crédito privado a projetos de investimento de longo prazo, o BNDES divulgou nesta sexta-feira (5) as novas medidas de sua política que restringe o acesso de grandes empresas a financiamentos do banco com base em sua taxa mais baixa, a TJLP, hoje em 6%.

    Chamado de Programa de Incentivo ao Mercado de Renda Fixa, o modelo atrela a captação de verba no BNDES à emissão de debêntures corporativas (títulos de crédito para captar recursos).
    Ou seja, para ter acesso ao limite máximo de TJLP definido pelo BNDES, a empresa terá de fazer emissão de debêntures ou outros títulos de renda fixa como FIDCs ou os certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio (CRI e CRA).

    As medidas se aplicam a grandes empresas que faturam pelo menos R$ 1 bilhão.

    Para se obter 50% do financiamento na TJLP (patamar máximo), a tomadora necessita levantar outros 25% com emissão de debêntures. O restante vem a taxas de mercado, Selic (juro básico definido pelo BC) ou IPCA (índice oficial de inflação).

    O banco dá o exemplo de uma demanda mínima de R$ 200 milhões. Se a empresa fizer uma emissão de debêntures de R$ 50 milhões, ela poderá elevar para R$ 100 milhões o total de recursos que poderão ser captados na TJLP.

    Sem emissão, só pode tomar emprestado R$ 50 milhões na TJLP, e R$ 150 milhões em taxa de mercado.

    O mínimo exigido em emissão de debêntures será de R$ 50 milhões.

    CUSTO DO CRÉDITO

    O banco estima que, ao combinar a captação de recursos do BNDES com a emissão de debêntures, o custo do crédito possa cair até dois pontos percentuais ao ano, ante a hipótese sem emissão.

    A regra também vale para empresas que recorrerem antes ao mercado, emitindo debêntures, e decidirem complementar com linha de crédito do banco. Serão consideradas as emissões a partir de seis meses anteriores à consulta e até 12 meses após a contratação no BNDES.

    Luciano Coutinho, presidente do BNDES, disse, em evento na Anbima (reúne entidades dos mercados financeiro e de capitais e atuou na elaboração do programa), que o banco já tem em análise 18 operações de financiamento, que envolveriam mais de R$ 3 bilhões em debêntures.

    Também presente, o ministro da Fazenda Joaquim Levy disse o país amadureceu e deve se livrar de um "apreço atávico" por mecanismos de financiamento antigos que já se esgotaram.

    "Hoje há demanda por títulos de longo prazo. E, à medida que o equilíbrio macroeconômico e nossa situação fiscal forem enfrentadas com êxito, essa demanda tende a se ampliar", disse Levy.

    Para André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, no momento atual, os consumidores de debêntures podem preferir investir em títulos públicos, com baixo risco e boa remuneração. "Mas no longo prazo a iniciativa é correta", afirma.
     

    Fonte: Folha de São Paulo

    https://www.portosenavios.com.br/noticias/geral/30227-bndes-anuncia-novas-regras-para-concessao-de-credito

     

    Blackstone mira imóveis brasileiros em acordos de aperto de crédito

    (SÃO PAULO) – Após triplicar investimentos em grandes apostas imobiliárias nos EUA, aBlackstone Group aposta no Brasil.

    A Visconde de Inhauma Corporate, que foi comprada pela Blackstone com seu parceiro brasileiro em dezembro, tem uma escultura de metal em seu lobby e a Chevron Corp. como locatária. O edifício de 8 andares, cercado de prédios degradados e paredes cobertas com grafites, permanece forte em um mercado imobiliário decadente.

    A Blackstone, cuja compra da Hilton Worldwide Holdings Inc. foi a mais lucrativa de todos os tempos, agora caça mais propriedades comerciais no Brasil juntamente com a Brookfeld Asset Management Inc. e com o JPMoran Chase & Co. Com a economia rumando à recessão e os escândalos da estatal Petrobras, os valores de propriedades caíram até 20% em regiões de São Paulo, disse Helmut Fladt, diretor de mercado imobiliário na Patria Investimentos. Atraído por bons preços, investidores correm o risco de realizar boas compras antes de o mercado atingir o fundo.

    Imóvel comercial: Blackstone caça mais propriedades comerciais no Brasil juntamente com a Brookfeld Asset Management Inc. e com o JPMoran Chase & Co (Bloomberg)

    “O Brasil é um mercado complicado, é mais volátil do que investir nos EUA e na Europa”, disse David Roth, diretor administrativo sênior na unidade de mercado imobiliário da Blackstone que opera a América Latina. “É definitivamente um mercado em expansão para nós, no qual gostaríamos de estar mais envolvidos”.

    Estresse psicológico

    A Blackstone está para abrir um escritório próprio em São Paulo conforme investe um novo fundo imobiliário de mais de US$15 bilhões. A companhia contratou Marcelo Fedak, que já foi diretor de mercado imobiliário do Grupo BTG Pactual, para liderar a unidade.

    Em 2010, a companhia de Nova York adquiriu uma fatia de 40% na Pátria, uma companhia de gestão de ativos independente em São Paulo. As duas companhias compraram quatro prédios de escritórios no Rio de Janeiro em dezembro. A Pátria, que possui aproximadamente US$2 bilhões em ativos imobiliários, está levantando US$600 milhões em um fundo imobiliário para a América do Sul.

    “Existe um estresse psicológico significativo. Muitos brasileiros gostariam de investir todo o seu dinheiro na Brickell Avenue em Miami e isso está criando oportunidades”, disse Roth, a respeito do centro financeiro da cidade.

    O escândalo na Petrobras piora a turbulência no mercado imobiliário. A investigação de propinas e subornos já levou cinco empreiteiras à falência e criou um aperto de crédito em toda a indústria de construção.

    Reportagem de Cristiane Lucchesi, Jonathan Levin e Hui-yong Yu

    Traduzido por Paula Zogbi

    http://www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/4088891/blackstone-mira-imoveis-brasileiros-acordos-aperto-credito