quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Leasing Vai Somar Dívida de US$ 2,2 Trilhões em Balanços

http://www.valor.com.br/empresas/4389044/leasing-vai-somar-divida-de-us-22-trilhoes-em-balancos

Leasing vai somar dívida de US$ 2,2 trilhões em balanços

Não há mais como adiar. Depois de mais de dez anos de discussões intermináveis, o órgão que edita as normas contábeis internacionais IFRS, adotadas no Brasil, publica hoje um pronunciamento que vai obrigar que as empresas registrem como dívida em seus balanços US$ 2,18 trilhões em contratos de leasing operacional que hoje são divulgados apenas em notas explicativas.

Se há algum consolo é que a nova norma se tornará obrigatória apenas em 2019, o que deve dar tempo para as empresas adaptarem seus sistemas e, principalmente, educarem os investidores sobre a novidade.

Levantamento feito pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês) com base de dados de 30 mil empresas pelo mundo indica que há um total de US$ 2,86 trilhões em contratos de arrendamento que estão fora do balanço, com valor presente estimado de US$ 2,18 trilhões.

Embora o efeito seja gigantesco, ele será bastante concentrado, com apenas 1.022 empresas sendo responsáveis por 76% desse novo passivo, ou US$ 1,66 trilhão.

Conforme estimativas do Iasb, os segmentos de aviação, varejo e viagem e lazer devem ser aqueles com maior impacto proporcional quando se compara o valor dos futuros pagamentos e o total de ativos. Haverá exceção de adoção da regra apenas para leasings de pequenos valores e para contratos de menos de 12 meses.

No Brasil, a empresa com maior impacto deve ser, com folga, a Petrobras, que divulgou em notas explicativas do balanço do terceiro trimestre ter R$ 417 bilhões em pagamentos mínimos de arrendamento operacional.

A companhia não deixa claro, contudo, se todo esse valor é "não cancelável" - já que é apenas essa parcela que passará a ser tratado como passivo quando a nova regra estiver em vigor - e nem calcula o valor presente desses compromissos, sendo que, desse total, R$ 232 bilhões são obrigações que vencem de 2020 em diante.

Para efeito de comparação, a dívida bruta que já está devidamente contabilizada no balanço da Petrobras somava R$ 506 bilhões em setembro do ano passado.

Além da Petrobras, empresas de aviação como Latam e Gol também devem ser bastante afetadas, embora elas já deem destaque a esses compromissos "fora do balanço" quando apresentam seus resultados, normalmente apresentando como dívida a despesa anual de leasing multiplicada por sete ou oito anos. Em setembro, a Latam tinha R$ 10,7 bilhões em leasing operacional divulgado em nota explicativa, para uma dívida contabilizada de R$ 35 bilhões, enquanto a Gol tinha arrendamento operacional de R$ 7,6 bilhões, para uma endividamento formal de R$ 9,5 bilhões.

Grandes varejistas também estão entre aquelas que terão que rever seus registros contábeis, uma vez que contratos de aluguéis de longo prazo que prevejam pagamentos mínimos e multas de rescisão também são enquadrados como arrendamento.

Petrobras divulga em nota arrendamentos de R$ 417 bilhões, mas nem todo esse valor deve entrar como passivo

Em termos de registro contábil, as empresas terão que passar a tratar o leasing operacional da mesma forma que lidam com o leasing financeiro, que é considerado hoje uma forma de financiamento de compra de um bem.

Os compromissos futuros com pagamentos a valor presente são registrados como passivo e o bem, ou direito de uso dele, fica contabilizado como ativo.

Para um contrato novo ou para as empresas que optarem pela alternativa de não fazer um ajuste retrospectivo do balanço, o impacto imediato da nova norma no patrimônio líquido é nulo.

A diferença em termos de lucro antes de impostos deve ser apenas temporária, com despesas maiores na primeira metade do prazo do contrato e menores depois, em vez do gasto linear que existe hoje. Já o lucro operacional e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) devem ficar maiores com a nova regra.

Isso porque o gasto com arrendamento vai sair da linha de despesa operacional e passará a ser repartido entre depreciação e despesa financeira.

As duas linhas são descontadas no cálculo do Ebitda, e a segunda não entra na aferição do lucro operacional, o que deve jogar para cima esses indicadores.

Essa diferença na demonstração de resultados, aliás, é um dos pontos que o Iasb destaca como positivos com a adoção da nova regra contábil a partir de 2019.

Não porque vai elevar essas medidas de resultado, mas porque facilita a comparação entre uma empresa que compra um ativo financiado e outra que opta pelo arrendamento - hoje a primeira fica mais endividada, mas com Ebitda maior e vice-versa, o que pode levar a conclusões erradas por parte dos usuários.

O Iasb afirma que investidores mais sofisticados, bancos e agências de classificação de risco já faziam ajustes quando analisavam os balanços de empresas com contratos de arrendamento relevantes, o que leva a entidade a crer que não haverá crescimento generalizado do custo de capital.

Se houver alguma elevação, diz o Iasb, isso vai decorrer de uma melhor tomada de decisão do credor, "diante da maior transparência sobre a alavancagem financeira da companhia".

 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Incorporadoras Devem Enfrentar Novo Ano de Retração

http://www.valor.com.br/empresas/4379548/incorporadoras-devem-enfrentar-novo-ano-de-retracao

Incorporadoras devem enfrentar novo ano de retração

O setor de incorporação começa 2016 diante de um cenário ainda desafiador em relação à crédito imobiliário, às incertezas quanto aos rumos da política e à perspectiva de nova retração do Produto Interno Bruto (PIB). O ambiente se reflete na demanda retraída por imóveis e em patamares elevados de distratos e estoques. Há pouco estímulo para ousadia na tomada de decisão de lançamentos pelas incorporadoras. A melhor das hipóteses, segundo analistas ouvidos pelo Valor, é que o volume de lançamentos e vendas fique semelhante ao de 2015, mas a avaliação mais recorrente é que outra retração poderá ocorrer.

"O ano de 2016 será muito difícil. Vamos tentar achar alternativas para escoar os estoques", afirma o presidente do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação, Claudio Bernardes. Na cidade de São Paulo - maior mercado imobiliário do país -, o volume de lançamentos e vendas de unidades novas residenciais recuou, em 2015, para os mais baixos níveis em mais de uma década, segundo o Secovi-SP, ficando inferiores a 2004, quando marcos regulatórios do setor, como o patrimônio de afetação, foram definidos.

"Os juros aumentaram, a oferta de crédito diminuiu, e há falta de confiança do consumidor", diz o presidente do Secovi-SP.

Na avaliação de Bernardes, o setor pode "começar a andar, no fim de 2016, se houver uma solução razoável para o impasse político e institucional". O Sindicato da Habitação estima que, no consolidado do ano passado, foram lançadas 21 mil unidades na capital paulista, 38% abaixo do volume de 2014 e vendidas 17,3 mil unidades, com retração de 20%. Para efeito de comparação, em 2004, os lançamentos somaram 22.550 unidades, e as vendas atingiram 20.183 unidades.

Considerando-se o desempenho nacional e somente das incorporadoras de capital aberto, 2015 foi o quarto ano consecutivo de encolhimento do setor. A piora das condições de crédito - uma das principais razões para a retração do setor, no ano passado, e para que a perspectiva de queda de distratos ficasse mais distante -, começou em maio. Já na largada de 2016, o crédito está mais caro e restrito do que no início de 2015.

De janeiro a outubro, o volume de vendas de imóveis superou o de lançamentos, segundo o índice Abrainc-Fipe

O volume consolidado de entregas de imóveis tende a ser menor do que no ano passado, o que pode contribuir para a redução absoluta dos distratos. Mas a participação relativa dos cancelamentos de vendas no total dos projetos continuará alta, tanto pela negação de crédito por bancos para uma parcela dos compradores, no repasse, quanto pela decisão de uma fatia dos clientes de não se manter endividados neste cenário de baixa confiança frente ao maior risco de desemprego.

De janeiro a outubro, o volume de vendas de imóveis superou o de lançamentos, conforme dados do índice Abrainc-Fipe. Nos dez meses, foram lançadas 45,2 mil unidades e vendidas 89,4 mil. O índice Abrainc-Fipe foi desenvolvido pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e considera informações de 18 incorporadoras.

Nas reuniões públicas realizadas no fim do ano, o tom predominante das incorporadoras, ao comentar sobre lançamentos, era de cautela, e as empresas evitavam projeções. A busca de redução de estoques continua a ser o foco, assim como a revenda das unidades distratadas e a tentativa de evitar novos cancelamentos, por meio de medidas como a oferta de financiamento direto.

A PDG Realty - que possuía a maior alavacangem do setor no fim de setembro, com relação dívida líquida sobre patrimônio líquido de 127% no fim de setembro - informou que voltará a lançar projetos quando o mercado permitir. A Rossi Residencial sinalizou intenção de retomada de lançamentos no fim deste ano ou no início de 2017. A Tecnisa divulgou que será uma empresa de R$ 1 bilhão por ano no próximo ciclo de lançamentos, mas deixou claro que esse tamanho não será alcançado em 2016.

Em meados de dezembro, o diretor financeiro e de relações com investidores da EZTec, Emilio Fugazza, disse que a companhia só voltaria a lançar empreendimentos "com mais intensidade" em dois anos. Segundo Fugazza, há projetos para lançamentos, em 2016, superiores aos de 2015, se a empresa reduzir estoques e se houver estabilidade política. Para ter ritmo maior de novos projetos, a EZTec precisa vender, trimestralmente, de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões em estoques.

A Cyrela informou que seu tamanho tem de se adaptar às dimensões do mercado, mas que o volume de lançamentos deve ser mantido em São Paulo. A Even afirmou que vai buscar equilíbrio entre lançamentos e venda de remanescentes, mas que isso ainda não ocorrerá em 2016. Não há expectativa, na Even, que o ano seja de recuperação do setor.

A Helbor estima lançar de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão em 2016 (incluindo a parte dos sócios nos empreendimentos), ante os quase R$ 500 milhões que esperava para o consolidado do ano passado, mas não tem projeção oficial e depende do mercado para de fato apresentar os empreendimentos. Também sem meta oficial, a Gafisa divulgou que lançará de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão no ano, somente na divisão de mesmo nome, sem incluir a Tenda. Já a MRV Engenharia avalia que lançamentos e vendas ficarão em linha com os de 2015.

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Rodobens Negócios Imobiliários, Flavio Vidigal De Cápua, a companhia só vai lançar produtos se tiver "boa segurança do índice de comercialização e de que haverá boa aceitação". "Temos capacidade para R$ 1 bilhão por ano, mas não adianta lançar sem ter mercado", diz. A Rodobens não chegará a esse patamar e 2016, quando deve lançar mais produtos de loteamentos do que de incorporação.

Para reforçar a geração de caixa, outra prioridade do setor, algumas companhias apostam também na venda de ativos, como terrenos e participações em projetos. PDG tem, em curso, negociações para comercializar a empresa de shopping centers REP. Entre os ativos da Rossi à venda, está a loteadora EntreVerdes. No terceiro trimestre, a Tecnisa reduziu sua participação no bairro planejado Jardim das Perdizes, e a PDG saiu do projeto.

 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Brookfield Avalia Ativos no Mercado Imobiliário e em Infra

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/brookfield-avalia-ativos-no-mercado-imobiliario-e-em-infraestrutura

Brookfield avalia ativos no mercado imobiliário e em infra | EXAME.com

São Paulo - A gestora canadense Brookfield, que está prestes a concluir a aquisição da fatia de 24,4% da empreiteira OAS na Invepar, avalia a compra de mais ativos no Brasil.

Além da participação no consórcio que controla o aeroporto de Guarulhos, a gestora estuda outros negócios envolvendo infraestrutura, como energia e concessões, e também prédios comerciais, apurou o jornal O Estado de S. Paulo com fontes próximas à operação.

Com forte apetite por ativos brasileiros, a Brookfield mantém conversas para fechar novos negócios já no início de 2016.

"O braço de private equity (que compra participações em empresas) da gestora também está prospectando oportunidades no país", disse uma fonte a par do assunto.

O ano que termina foi marcado por importantes aquisições da gestora canadense no mercado brasileiro.

Após se comprometer neste mês a comprar a participação da OAS na Invepar por R$ 1,35 bilhão, a Brookfield espera o fechamento do negócio, condicionado à realização de um leilão no fim de janeiro (em que a gestora terá direito de preferência, caso algum concorrente ofereça valor maior) e à aprovação do restante dos fundos de pensão acionistas da concessionária - Petros (da Petrobrás), Funcef (da Caixa) e Previ (do Banco do Brasil).

Em novembro, a Brookfield, por meio do consórcio TCL, venceu um leilão para a compra de um lote de 11 linhas de transmissão de energia em Minas Gerais, que engloba 1.323 quilômetros e nove subestações.

A oferta foi de R$ 448,8 milhões. As instalações servirão para aumentar a confiabilidade ao atendimento elétrico no leste do estado, que concentra uma das mais importantes regiões produtoras de minério e siderurgia do Brasil, conhecida como Vale do Aço.

Brasil no radar

Em maio deste ano, a gestora canadense informou ter US$ 2 bilhões para investir no país na área de infraestrutura até o fim de 2016. Apesar da instabilidade na economia, a matriz afirmou, à época, que considerava os ativos no país mais baratos e que havia oportunidades de negócios interessantes para a companhia.

Maior operadora independente de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) no Brasil, a Brookfield concluiu, em julho passado, a compra de duas PCHs, por R$ 390 milhões, que pertenciam à EDP Energias do Brasil.

Em dezembro de 2014, a gestora canadense já tinha anunciado a aquisição de ativos de geração da Energisa, negócio que foi concluído em março deste ano, por R$ 2,12 bilhões. Novas aquisições nesta área não estão descartadas.

No mercado imobiliário, a Brookfield também protagonizou este ano importantes aquisições.

A gestora comprou por cerca de R$ 2,1 bilhões sete prédios comerciais em São Paulo, entre eles duas torres comerciais do Shopping JK, e Rio de Janeiro que pertenciam à BR Properties, da qual o BTG Pactual era um dos principais acionistas, mas está se desfazendo de sua fatia.

No início do ano, Brookfield e BTG chegaram a fazer uma oferta para a compra do controle da BR Properties, mas a proposta não avançou. A Brookfield optou pela compra dos imóveis comerciais que pertenciam à BR Properties.

Já o BTG começou a se desfazer há um mês de boa parte dos seus ativos, depois que seu fundador, o banqueiro André Esteves foi preso por suspeita por tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás. Esteves foi solto na semana passada.

Estratégia global

A Brookfield quer replicar parte de seu modelo de negócios no Brasil. Com cerca de US$ 200 bilhões em ativos em todo o mundo, a América do Sul responde por cerca de 10% desse total e deverá crescer sua participação, se depender dos negócios que estão em andamento no Brasil.

No relatório de 2014 da Brookfield, a gestora tinha cerca de R$ 35 bilhões em investimentos no país e presença em 14 Estados.

As áreas de real state (imóveis), infraestrutura e energia renovável) estão entre os maiores aportes da Brookfield no Brasil.

"O apetite da companhia não acabou com os nossos recentes anúncios. Há interesse do grupo em participar de mais leilões (de energia), avançar em infraestrutura e real state", disse uma fonte a par do assunto. 

 

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Recebível Imobiliário Fica Mais Caro

http://www.valor.com.br/financas/4366978/recebivel-imobiliario-fica-mais-caro

Recebível imobiliário fica mais caro

Sem poder contar com os bancos como compradores cativos e em um cenário de crédito bancário mais restrito e juros altos, as empresas estão pagando mais caro para captar por meio de certificados de recebíveis imobiliários (CRI). Quem se aventura a levantar recursos pela instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que limita a oferta a um número pequeno de investidores, tem que encurtar prazos e aumentar as taxas pagas e as garantias para conseguir atrair compradores. Os juros dessas emissões subiram cerca de 30% no segundo semestre e passaram, em média, de 9% para 12% ao ano. O prazo médio dos CRIs é de cerca de 15 anos, podendo chegar a 20, mas as operações mais recentes não ultrapassam os 12 anos.

O aumento das taxas de juros pagas pelo CRI ganhou força depois que o Banco Central (BC) publicou, em maio, a resolução 4.410, que proibiu que os bancos usassem recursos da caderneta de poupança para comprar recebíveis imobiliários para mantê-los em carteira e, desta forma, cumprissem a exigência de direcionamento para o financiamento imobiliário. Até então, os bancos podiam atender à regra de destinação de 65% da poupança incluindo na conta os CRIs e as letras de crédito imobiliário (LCI). Mas as instituições compravam CRIs e deixavam em carteira. "O recebível tinha taxas baixas, comparáveis às da poupança, mas agora o mercado passou a exigir uma remuneração mais alta", disse uma fonte que atua no setor.

Uma parte do aumento do custo de captação dos CRIs também ocorreu pela elevação da inflação. As empresas emissoras de CRI tiveram que incluir a alta da inflação no retorno pago aos compradores. "Os investidores estão mais seletivos, exigindo mais garantias e taxas. Apesar disso, também estão aproveitando para investir em papéis de longo prazo, pois quando as taxas caírem estarão bem posicionados em títulos com alta rentabilidade", disse João Paulo Pacífico, sócio da Gaia Securitizadora.

Apesar da evolução das taxas de juros, os CRIs ainda são uma alternativa de captação porque, por ora, têm isenção fiscal para investidores pessoas física e estrangeiros. Além disso, a instrução 476 permite que os CRIs não sejam registrados na CVM, o que torna a operação mais rápida e com custo relativamente menor se comparada a outros instrumentos de dívida. As captações com rentabilidade definida pela taxa interbancária (CDI) têm spreads que variam entre 3% e 6%, o que representa um custo total que pode superar 20% ao ano. "O mercado tem optado por operações com excelente risco de crédito, favorecendo as transações de securitização como o CRI", diz Leandro Miranda, diretor-gerente do Bradesco BBI.

Até novembro foram realizadas 97 operações neste ano, num total de R$ 6,95 bilhões, um volume financeiro 41,5% menor do que o contabilizado no mesmo período de 2014, segundo dados da Anbima. Nesse campo, até empresas de menor porte conseguem levantar recursos. No segundo semestre, quatro empresas menores levantaram R$ 66,8 milhões. São elas as incorporadoras Swiss Park, Ibiti, TCHM e a GSP Loteamento. Outras duas empresas, uma usina e uma companhia que atua na área de loteamentos, ainda não concluíram as transações, mas esperam captar R$ 50 milhões e entre R $ 5 milhões e R$ 10 milhões, respectivamente.

Há, porém, poucas chances de o próximo ano ser melhor para o mercado de capitais, sobretudo para títulos incentivados. A volatilidade trazida pela instabilidade política e a pouca disposição das companhias em pagar juros mais altos para captar tende a manter restritas as emissões de CRI. Além disso, o Congresso Nacional pode votar no começo de 2016 a Medida Provisória 694/15, que prevê o aumento da tributação desses ativos, que hoje têm isenção fiscal para pessoas físicas e estrangeiros. Se aprovada, a tributação passa a vigorar em 2017.

O anúncio da mudança tributária dividiu a opinião dos profissionais que atuam no mercado financeiro. Alguns acreditam que a cobrança de impostos vai diminuir ainda mais a emissão desses ativos nos próximos anos. As companhias terão de oferecer juros ainda mais altos aos investidores para compensar os efeitos da tributação sobre a rentabilidade. "O volume de emissões vai cair e prejudicar as empresas", diz Pacífico, da Gaia.

Por outro lado, há profissionais que acreditam que os investidores institucionais, que não se interessavam por essas operações porque consideravam as taxas de juros baixas já que para eles não havia isenção fiscal, podem ser novos compradores dos CRI, CRA e debêntures de infraestrutura. "Esse ativo financeiro é tributado em vários países e com a mudança tributária as taxas podem subir e ficar mais atrativas", diz Marcelo Michaluá, sócio-diretor da RB Capital.

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Helbor Estima Lançar de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão em 2016

http://www.valor.com.br/empresas/4363050/helbor-estima-lancar-de-r-800-milhoes-r-1-bilhao-em-2016

Helbor estima lançar de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão em 2016

A incorporadora Helbor estima lançamentos totais entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão em 2016, ante os quase R$ 500 milhões que terá no consolidado deste ano. Os números incluem a fatia dos sócios nos empreendimentos. Não se trata de projeção oficial, segundo o diretor comercial, Marcelo Bonanata, e o volume lançado, efetivamente, dependerá do mercado.

A Helbor tem buscado aprovação de projetos na capital paulista, na Região Metropolitana de São Paulo, em Curitiba e no Rio de Janeiro. "Só vamos lançar produtos onde sentirmos que há mercado", disse Bonanata. No ano passado, os lançamentos da empresa somaram R$ 1,3 bilhão.

Em 2015, a Helbor focou as atenções na venda de estoques, engrossados pelos distratos. Foram, justamente, os cancelamentos de vendas, além da dificuldade de repasses em alguns mercados, principalmente no Nordeste, as razões para a companhia ter consumido caixa em 2015.

"Além de os distratos consumirem receita que eu previa que ia receber, ainda tenho de devolver o dinheiro para o cliente", disse o diretor financeiro e de relações com investidores da Helbor, Roberval Toffoli. A geração ou não de caixa no próximo ano dependerá do volume de distratos. Na avaliação de Toffoli, o cenário econômico de 2016 será igual ou pior ao deste ano.

A Helbor passou a chamar os distratos de "renegociação", por considerar que precisam ser tratados como uma nova venda. "Como o volume de distratos cresceu, tivemos de dar um viés mais comercial nesta área", disse o diretor de relações com investidores. A tentativa de nova venda é feita por oferta de condições mais flexíveis de crédito ou da migração para unidade de menor valor.

Do volume atual de distratos, 71% se refere a produtos entregues ou em via de conclusão. Segundo Toffoli, a companhia terá o mesmo volume de entregas em 2016 do que os registrados neste ano, mas a maioria será de projetos residenciais, em que ocorrem menos cancelamentos de vendas do que nos comerciais. A Helbor terá redução de mais de 40% do desembolso de obras no próximo ano ante 2015.

Nos produtos comerciais, a companhia oferece financiamento direto, mas não tem sido possível atender a toda a demanda, diante das restrições de crédito bancário. Segundo Toffoli, a Helbor tem encontrado dificuldade em securitizar os recebíveis dos imóveis para os quais oferece financiamento direto e avalia ter um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para essa finalidade.

A Helbor reduziu sua folha de pagamentos em 30% em 2015. A diminuição da estrutura administrativa resultou da queda do número de lançamentos e obras. A empresa informou também que, atualmente, com o mercado menos aquecido, existe possibilidade de troca de terrenos por unidades prontas nas aquisições de áreas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

MP não é Votada e União fica sem R$ 3,6 bi em Tributos sobre Aplicações Financeiras

http://www.valor.com.br/brasil/4361532/mp-nao-e-votada-e-uniao-fica-sem-r-36-bi-em-tributos-sobre-aplicacoes-financeiras

MP não é votada e União fica sem R$ 3,6 bi em tributos sobre aplicações financeiras

Ao cair a sessão da Comissão Mista que votaria, ontem, a Medida Provisória 694 - que, entre outras medidas, muda a tributação das LCA, LCI, renda fixa e variável e de fundos de investimentos -, os parlamentares inviabilizaram a cobrança dos impostos em 2016. A votação da medida deve ficar para fevereiro e, se não for aprovada até o dia 8 de março, ela vai caducar.

A nova estrutura de tributação, que foi amplamente negociada pelo Ministério da Fazenda com o sistema financeiro, tem que obedecer ao princípio da anterioridade. Ou seja, tem que ser aprovada neste ano para entrar em vigor no ano que vem. Só com essa tributação das aplicações financeiras ela renderia R$ 2 bilhões e com as demais iniciativas, chegaria a R$ 3,65 bilhões.

Será, assim, mais um buraco aberto nas contas do setor público em 2016, principalmente agora que a Comissão Mista de Orçamento (CMO) estabeleceu como meta de superávit primário 0,5% do PIB. De pouco adianta fixar metas se não há garantia de que existirão receitas para cumpri-las.

Apesar de ser considerada pelo Ministério da Fazenda como uma reforma estrutural importante, que só atinge as faixas mais privilegiadas da população que têm aplicações financeiras, não houve por parte dos articuladores políticos e das lideranças do governo na Câmara um empenho maior para sustentar a sessão da Comissão, ontem.

A MP 694 também aumenta de 15% para 18% a alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) aplicado aos juros sobre o capital próprio (JSCP).

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Renda-se ao longo prazo

Renda-se ao longo prazo | Valor Econômico

Renda-se ao longo prazo

Maira Vieira/ValorLuiz Severiano Ribeiro, diretor do Itaú Unibanco: "Hoje se você investe R$ 1 milhão em títulos prefixados daqui a cinco anos vira R$ 2 milhões sem risco"

Que tal poder gastar R$ 5 mil por mês, já descontado o imposto de renda, sem se preocupar com a perda do poder de compra de seu patrimônio? Ou ter R$ 1,7 mil mensais líquidos de IR à disposição, com a possibilidade de que esse valor cresça com o tempo? Quer mais? E se dissermos que essa mesma aplicação principal poderia converter-se em uma renda média mensal de R$ 10 mil isenta de IR? Os exemplos ilustram o tamanho atual dos prêmios oferecidos pela renda fixa ou as oportunidades encontradas na renda variável. Os ganhos citados referem-se à uma aplicação de R$ 1 milhão em títulos indexados à inflação, no primeiro caso, em papéis prefixados, no segundo, e ao retorno proporcionado pelo "dividend yield" médio de 66 fundos imobiliários negociados em bolsa.

Hoje há uma rara janela de oportunidades para carteiras com foco em renda ou na acumulação de recursos para o longo prazo, caso do patrimônio previdenciário. O investimento em renda, como o termo sugere, busca ativos que proporcionem distribuição regular de proventos, como ações boas pagadoras de dividendos, fundos imobiliários, títulos de renda fixa com distribuição de cupom de juros ou parcelas de amortizações. Para esse perfil de aplicador, o fator rendimento periódico torna-se tão importante quanto o ganho de capital.

Segundo gestores de patrimônio, consultores e planejadores financeiros consultados pelo Valor, as crises econômica e política, ao mesmo tempo em que causam grandes distorções nos preços dos mercados, abrem possibilidades de ganhos para quem pode manter recursos aplicados por alguns anos.

Papéis atrelados à inflação, como Tesouro IPCA+ com Cupom Semestral (antiga NTN-B), por exemplo, pagam a variação do índice de preços oficial mais uma taxa de juros prefixada que atualmente está acima de 7% ao ano para boa parte dos vencimentos. Uma aplicação de R$ 1 milhão em tais condições possibilitaria obter uma renda semestral de R$ 30 mil, líquida de IR, e, ainda assim, manteria o investimento principal protegido dos aumentos de preços.

Esse mesmo patrimônio, se fosse aplicado em títulos com juros prefixados, como o Tesouro Prefixado com Cupom Semestral (antiga NTN-F), que atualmente tem sido negociado a taxas nominais acima de 15% ao ano em diversos vencimentos, traria um retorno semestral de R$ 60 mil, descontado o IR. Para manter o poder de compra, seria preciso reinvestir o valor referente à inflação em seis meses. Com IPCA estimado em quase 10% neste ano, seria preciso reaplicar R$ 50 mil para compensar a alta de preços no semestre. Ainda assim "sobrariam" R$ 10 mil ou R$ 1,7 mil mensais para serem consumidos. No caso desses papéis, apesar de o rendimento parecer desfavorável em relação aos atrelados à índices de preços, é preciso ressalvar que, caso a inflação caia ao longo do tempo, o prêmio aumenta na mesma proporção.

Os mesmos R$ 1 milhão investidos em uma carteira de fundos imobiliários poderiam proporcionar uma renda mensal, isenta de IR para pessoa física, de cerca de R$ 10 mil, se considerarmos o dividend yield médio mensal de 1,09% em 2015 até outubro, referentes a 66 fundos imobiliários com cotas negociadas em bolsa e ponderados por valor de mercado, segundo cálculo da provedora de informações financeiras Quantum. Neste caso, porém, o montante principal fica sujeito ao risco de mercado, ou seja, a variação das cotas pode ser tanto positiva quanto negativa e, mesmo se houver ganho nominal, a rentabilidade pode ficar abaixo da inflação.

Conforme Luiz Severiano Ribeiro, diretor do private do Itaú Unibanco, as taxas de juros nominais estão tão altas que o patrimônio investido em títulos prefixados dobra a cada cinco anos - se a opção for sem pagamento de cupom semestral. "Hoje se você investe R$ 1 milhão em títulos prefixados daqui a cinco anos vira R$ 2 milhões sem risco nenhum", afirma.

No caso dos títulos atrelados ao IPCA, o prêmio pago atualmente representa quase o dobro em termos de pontos percentuais aos encontrados há três anos. Segundo Ribeiro, o investidor com R$ 10 milhões investidos em papéis indexados à inflação no início de 2012, se quisesse preservar o poder de compra, poderia gastar R$ 20 mil no mês. Esse mesmo indivíduo com esse valor hoje poderia gastar R$ 40 mil, estima o diretor do Itaú.

Essa vantagem, no entanto, faz sentido no longo prazo. No curto, a previsão é de forte volatilidade por conta dos cenários interno e externo. "O mais importante é separar o dinheiro do curto prazo e o dinheiro do longo prazo", afirma Ribeiro.

De acordo com Rudolf Gschliffner, superintendente do private banking do Santander, "estamos vivendo um momento hoje que poderíamos classificar como uma anormalidade, que se reflete nos preços dos ativos". Para o executivo, no longo prazo, é justamente a perspectiva de normalização dos mercados que sugere a janela de oportunidades em diversas classes de ativos.

Na avaliação de Marcelo Cotrim, planejador financeiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF), um fechamento da curva de juros futuros é quase que uma convicção no médio prazo. "Após passar a fase de turbulências, a gente deve convergir para juros menores", explica. A exposição a esse movimento por meio de títulos mais longos pode ocasionar ganhos após o período de normalização.

Da mesma maneira que os papéis de renda fixa têm oferecido prêmios elevados, a renda variável apresenta oportunidades por meio do desconto nos preços dos ativos. Os fundos imobiliários, uma classe de ativos muito visada pelos investidores rentistas, sofreram forte desvalorização nos últimos anos. "Os preços estão num nível que é difícil imaginar que, no longo prazo, não tenha um ganho de patrimônio nessa entrada", afirma Leonardo Bortoloto, sócio da Aditus Consultoria.

Além do potencial de ganho de capital com valorização das cotas no longo prazo, os fundos imobiliários têm oferecido uma atrativa distribuição de dividendos. Segundo levantamento da Quantum, até outubro o ganho com o dividend yield médio de 66 carteiras do gênero alcançou 9,82%, acima até mesmo do retorno do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) no período, quando descontado o IR.

Na visão de Carlos Fagundes, da consultoria Integral Trust, "há uma janela para compra de cotas de fundos imobiliários, desde que se olhe para um horizonte de alguns anos". Conforme o consultor, o valor de mercado de grande parte das carteiras negociadas em bolsa atualmente está menor do que o valor de reposição dos imóveis, o que indica um forte desconto. Antes de aportar recursos em portfólios do gênero, porém, "é preciso prestar atenção à qualidade dos ativos em carteira e não apenas na renda que o produto está gerando", ressalta Ernesto Leme diretor comercial da gestora Claritas.

Fernando Monteiro, sócio da gestora de patrimônio Taler, alerta para os riscos desse tipo de produto no curto prazo. A forte correlação dos preços das cotas com as taxas de juros pós-fixadas deve acrescentar volatilidade no curto prazo. "A gente considera que os fundos imobiliários estão descontados em relação ao patrimônio, mas provavelmente teremos reprecificações para baixo no setor [devido à expectativa de elevação da taxa de juros pelo Banco Central em 2016]", diz.

Outros ativos de renda variável com lugar cativo nas carteiras de investidores rentistas, as ações boas pagadoras de dividendos, têm sofrido com o cenário de incertezas. Embora exista certo consenso de que os preços dos papéis estejam descontados, os especialistas divergem em relação ao momento de entrada.

Para Monteiro, da Taler, "não dá para imaginar um mercado de renda variável muito bom nos próximos 12 ou 24 meses". O gestor classifica o investimento em bolsa hoje como "remar contra a maré", ou seja, é necessário um grande esforço para obter um retorno provavelmente menor do que o proporcionado pela renda fixa.

Na avaliação de André Leite, da Tag, o preço dos papéis está muito deprimido, mas não é possível dizer que é hora de entrar na bolsa. "2015 é um ano que o Brasil jogou fora e se 2016 também for assim a bolsa fica difícil de andar", afirma.

Leme, da Claritas, lembra que as ações que pagaram dividendos consistentes nos últimos cinco anos, como Itaúsa, Ambev, Cielo, Vivo e Bradesco, também tiveram valorização no período. "Não necessariamente esses papéis têm um valuation atrativo como pode ser o da Bovespa como um todo", explica.

Segundo Ribeiro, do Itaú Unibanco, empresas com dividend yield atrativos, como Vivo, Comgás, Mahle-Metal Leve e BB Seguridade, embora possam valorizar-se no longo prazo, são ações que vão se beneficiar menos de uma melhora no humor do mercado. "Se o mercado virar, esses papéis sobem pouco, pois são empresas que têm um 'beta' menor [ou seja, oscilam menos que a média do mercado]". Na visão do executivo, quem quer montar uma carteira de renda "ganha mais se fizer isso através de títulos indexados à inflação e de fundos imobiliários".

Se o foco for acumulação de recursos no longo prazo, com objetivo previdenciário, os especialistas chamam a atenção para as oportunidades com títulos Tesouro IPCA+ (antiga NTN-B Principal), que não pagam cupons de juros. Nesses papéis o prêmio e a variação da inflação no período são pagos no resgate. Conforme o planejador financeiro Marcelo Cotrim, o produto que paga o cupom semestral vai ser tributado quando distribui o prêmio e, por conta disso, fica "menos eficiente" em termos de retorno.

Se o foco não for a renda, o investidor pode ainda aproveitar os produtos isentos de IR para pessoa física, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Os papéis, em geral, pagam um percentual do rendimento do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial de aplicações conservadoras que acompanha a variação da Selic. Com inflação alta, no entanto, o juro real proporcionado pelo CDI torna-se menor, lembra Leite, da Tag. "Nesse cenário de inflação elevada, se o investidor ficar no CDI talvez não tenha o ganho real dos últimos anos."



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