sexta-feira, 22 de maio de 2015

Bradesco capta R$ 82 milhões com fundo de fundo imobiliário

Bradesco capta R$ 82 milhões com fundo de fundo imobiliário | Valor Econômico

Bradesco capta R$ 82 milhões com fundo de fundo imobiliário

Com início de negociação das cotas em bolsa previsto para esta semana, o novo fundo de fundos do Bradesco teve captação de cerca de R$ 82 milhões. O valor foi quase metade dos R$ 150 milhões estimados inicialmente - caso fossem emitidas 1,5 milhão de cotas ao preço unitário de R$ 100 -, mas ficou 64% acima do volume mínimo de R$ 50 milhões.

Coordenada pelo Bradesco BBI, com a Bradesco Asset Management (Bram) como gestora e o Bradesco como administrador, a oferta teve a subscrição de 278 investidores pessoas físicas, que responderam por R$ 76,7 milhões da captação total.

Sem revelar a composição do fundo "Bradesco Carteira Imobiliária Ativa", Marcos Mertens, superintendente-executivo da Bram, afirma que não haverá limite para cada ativo, mas que a ideia é ter uma carteira diversificada e sem um nível alto de concentração. O cenário atual é visto com bons olhos por ele.

"Hoje existe um desconto relevante do valor de mercado desses fundos em relação ao valor patrimonial e, em alguns casos, eles estão muito próximos do valor de reposição, o que nos indica um bom momento para entrar", afirma.

Além de as condições atuais do mercado já se refletirem nos preços das cotas negociadas em bolsa, o superintendente considera que o retorno com dividendos segue atrativo ao investidor. "Passado esse ciclo, que ainda não se encerrou, queremos estar bem posicionados para o próximo momento dos fundos", diz Mertens, ressaltando que a carteira terá gestão ativa e que o investidor precisa considerar um horizonte mínimo de três anos nesse mercado.

Também nesse nicho de atuação, são negociadas em bolsa os fundos de fundos Fator Ifix, BTG Pactual Fundo de Fundos, Gávea Fundo de Fundos Imobiliário, Brasil Plural Absoluto Fundo de Fundos e JS Real Estate Multigestão.

Conforme os dados da BM&FBovespa, ao fim de abril, havia 125 fundos imobiliários registrados, com valor de mercado de R$ 25,8 bilhões e patrimônio líquido de R$ 36,6 bilhões. O número de investidores pessoas físicas voltou a cair no mês passado, para 90.705.

Responsável pelos serviços de administração de 15 fundos imobiliários, a Citibank DTVM decidiu deixar a atuação nessa indústria. "O Citi tomou a decisão de descontinuar o serviço de administração de fundos imobiliários, reforçando o foco em serviços nos quais tem maior expertise e relevância no mercado, como custódia, no qual é líder no mercado nacional", informou o banco, por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo a instituição, dez carteiras serão transferidas e cinco deverão ser liquidadas neste ano.



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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Fundo permite investir em imóveis nos EUA

Fundo permite investir em imóveis nos EUA - InfoMoney

Fundo permite investir em imóveis nos EUA

MIAMI* - Depois de passar por um boom até o início de 2013, os últimos anos foram complicados para os fundos imobiliários brasileiros. Na esteira da desaceleração do mercado de imóveis, estes fundos também viram suas cotas perderem valor na Bovespa e muitos investidores assustados decidiram abandonar o barco. Como alternativa para o atual momento conturbado no Brasil, a gestora TRX decidiu expandir seu negócio e criar a TRX Investiments, seu braço para atuação no mercado norte-americano.

Em sua sede em Miami, Flórida, a companhia realizou o TRX Day para apresentar seu novo fundo. Ele já está em fase de captação e pretende arrecadar US$ 100 milhões, com investimento mínimo de US$ 300 mil, mas que na expectativa da gestora deve chegar a aportes entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão. O fundo será sediado nas Ilhas Cayman e terá duração de cinco anos.

O foco são investidores de private banking e gestoras de patrimônio, sendo que os recursos serão direcionados de maneira equilibrada para quatro segmentos: "self storage" (armazenamento de móveis e mercadorias), galpões modulares, prédios comerciais e imóveis residenciais. Por conta disso, serão criadas quatro holdings, com o direito para o investidor podendo optar por apenas um dos negócios, que neste caso terá ticket mínimo entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões.

Criada em 2007 de uma joint venture entre uma gestora de recursos e uma incorporadora e construtora, atualmente a TRX possui R$ 4,7 bilhões em ativos sob gestão com cerca de 14 mil investidores, o que torna a empresa um dos três maiores players do Brasil.

Scott Pryce, sócio fundador e CEO da TRX USA, explicou que atualmente o mercado brasileiro pode ter oportunidades, já que muitos ativos estão com preço mais baixo. Por outro lado, para quem busca tranquilidade e estabilidade, segundo ele, a melhor escolha está nos EUA. Entre as vantagens do mercado americano listadas por Pryce estão o fato de ser um ambiente mais maduro de negócios, com mais tempo e melhor regulamentação. Além disso, ele destaca a maior transparência do mercado nos EUA, que apesar de diminuir a rentabilidade do negócio, também reduz bastante o risco.

Para quem se preocupa com o alto valor de tributação para investidores estrangeiros nos EUA, Pryce explica que da forma como estão sendo estruturados, os fundos da TRX reduzem boa parte deste custo. Segundo ele, dos 35% totais de impostos que caem sobre o investidor, neste negócio as taxas chegam a ficar entre 22% e 24%. O retorno projetado pela companhia é de 13,8% ao ano, já livre de impostos e taxas de administração.

Segundo o CEO da TRX, Luiz Augusto do Amaral, a nova filial em Miami será uma "cópia" do escritório brasileiro, com um ambiente igual e com conexão direta para que a qualquer momento seja possível que os executivos conversem estando no Brasil ou nos EUA. "Tudo isso para criarmos um ambiente que não seja estranho para o investidor brasileiro que já está acostumado a investir lá, agora também invista aqui [nos EUA] com a mesma tranquilidade", explica Luiz.

Entre os executivos que participaram do evento estavam representantes de grandes bancos nacionais, como o Bradesco, e internacionais, caso do Bank of America Merrill Lynch. "Quando tivemos a ideia de realizar o evento nos EUA, apesar da empolgação, tivemos dúvida sobre a quantidade de pessoas iriam comparecer ", explica o cofundador, sócio e vice-presidente da TRX, José Alves Neto. "Esperávamos cerca de 20 a 30 pessoas, mas o sucesso foi tanto que no fim estiveram presentes 100 convidados, com a presença de grandes players do mercado", afirma.

* O jornalista viajou a convite da TRX

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Governo prepara pacote para financiamentos imobiliários

Governo prepara pacote para financiamentos imobiliários | Exame.com

Governo prepara pacote para financiamentos imobiliários | Exame.com

Brasília - O governo prepara um pacote de medidas para resolver a questão da falta de recursos para os financiamentos imobiliários. Falta determinar qual o tamanho exato dos mecanismos para não comprometer dois pontos cruciais para a equipe econômica de Dilma Rousseff: o combate à inflação e o ajuste fiscal.

O mais provável é que sejam adotadas ações propostas tanto pelo Banco Central como pela Caixa, a principal prejudicada com os saques recordes da poupança. A Caixa ficou praticamente sem recursos para financiar a compra de imóveis avaliados em até R$ 750 mil.

"Esse conjunto de medidas - porque não basta apenas uma - é importante para mantermos o crédito imobiliário no País. Isso vai ser muito proximamente resolvido", disse a presidente da Caixa, Miriam Belchior.

Liberação de recursos

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o BC sugeriu liberar uma parte dos 20% dos recursos da poupança que os bancos são obrigados a deixar na instituição (chamados de depósitos compulsórios), desde que os bancos usem esse dinheiro para conceder financiamentos a casas populares.

Essa prerrogativa, que já foi adotada para o setor automobilístico, é importante para não aquecer a economia como um todo e dificultar o combate à inflação.

Mas não há hipótese, segundo fontes ouvidas pela reportagem, de o BC liberar os R$ 44,3 bilhões de compulsórios como as construtoras pediram.

Ao mesmo tempo, o BC deve apertar a fiscalização para que os bancos apliquem realmente os 65% dos depósitos das cadernetas nos financiamentos de casas próprias.

Isso porque as instituições conseguem burlar essa regra com o uso de títulos e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Na prática, o dinheiro da poupança, que era para ser usado na construção de casas, também financia imóveis comerciais.

Se os bancos privados, que ainda têm "gordura" para queimar, não quiserem seguir a nova flexibilização, eles podem ceder esses recursos mais "baratos" para os bancos menores, que assumiriam os riscos dos empréstimos.

Já a Caixa trabalha para que o conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) libere uma parte maior do orçamento para esses financiamentos.

Isso faria com que se pudesse ampliar o valor dos imóveis que podem ser financiados pelo fundo e cobrar taxas menores. Hoje, o limite é de R$ 190 mil para imóveis nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio e no Distrito Federal.

A ideia é ampliar para financiamentos de até R$ 300 mil a R$ 400 mil. A preocupação é que esse dinheiro não pode ser usado para financiar imóveis muito caros, o que seria uma distorção na função de distribuição de renda do FGTS.

Em meio à contenção dos gastos e sem poder fazer novos aportes no banco estatal, não restou outra alternativa ao governo do que recorrer ao FGTS.

Dessa forma também se evita o "patrimonialismo" de subsidiar um setor com dinheiro público, recorrentemente criticado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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O que o BTG viu na floresta?

O que o BTG viu na floresta? - ISTOÉ DINHEIRO

O que o BTG viu na floresta?

Poupança verde: André Esteves, controlador do BTG Pactual, está de olho na demanda do setor de celulose

Quando, em 2012, o banco BTG Pactual, controlado por André Esteves, assumiu o controle da TTG Brasil Investimentos Florestais houve um certo espanto. Afinal, tratava-se de uma empresa que administrava fundos de investimentos baseados no plantio de florestas de pinus e eucalipto pelo mundo afora, algo muito distante do universo do banqueiro, cujo QG está localizado na avenida Faria Lima, no sofisticado centro financeiro de São Paulo.Na terça-feira 12, essa história ficou um pouco mais clara com a bem-sucedida captação de US$ 860 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões), no mercado internacional.

"Os ativos florestais são como uma poupança segura por parte dos investidores de longo prazo, como os fundos de pensão", afirma o criador do TTG Brasil e CEO do BTG Pactual Timberland Investment Group, o americano Gerrity Lansing. "Melhor até que os imóveis que geram prejuízo em caso de vacância prolongada." Essa divisão do BTG administra US$ 3 bilhões em ativos espalhados por Estados Unidos, África do Sul e países da Europa e da América Latina. Pode até ser conversa de vendedor. Mas o fato é que as sucessivas ampliações de capacidade produtiva das fabricantes de celulose, especialmente no Brasil, indicam que o eucalipto e o pinus continuarão sendo bastante cobiçados.

"A demanda por ativos florestais não se resume ao setor de celulose", diz Éderson de Almeida, diretor-executivo da Consufor, consultoria baseada em Curitiba, especializada no setor. "Os segmentos de siderurgia, madeira e até os projetos de bioenergia (partir da queima de madeira de reflorestamento) respondem, hoje, por 65% do mercado." São estes componentes que ajudam a explicar o grande interesse dos investidores globais em se associar a esta tacada de Esteves. O volume captado ficou US$ 110 milhões acima do planejado. A estratégia desenhada por Esteves e Lansing mira em segmentos de consumo praticamente imunes à crise.

"Não importa o ritmo de crescimento do Brasil, China ou Estados Unidos", afirma Lansing. "O certo é que a demanda por papéis de embalagem e para produção de guardanapos e fraldas, por exemplo, seguirá crescendo na faixa de 5% ao ano." De acordo com o CEO da divisão de florestas do BTG Pactual a expectativa é aplicar no Brasil boa parte dos recursos captados nesta rodada. As vantagens comparativas do País justificam a preferência, pois vão desde o clima e a tecnologia até o curto período de maturação das árvores, a partir de cinco anos.



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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sangria na caderneta é liderada por grande poupador

Sangria na caderneta é liderada por grande poupador | Valor Econômico

Sangria na caderneta é liderada por grande poupador

Empurrados pela queda dos juros básicos da economia, grandes poupadores responderam por cerca de 77% das novas captações na caderneta de poupança nos últimos anos. Agora, com o aperto monetário, eles aparentemente estão liderando os saques.

A alta volatilidade nas captações da caderneta de poupança expõe a fragilidade do atual sistema de crédito direcionado para o setor imobiliário, que capta no curto prazo para fazer financiamentos de longo prazo. Em junho de 2011, começo do governo Dilma Rousseff, quando o Banco Central estava finalizando um ciclo de aperto monetário, os grandes aplicadores respondiam por 59,6% dos depósitos em caderneta de poupança.

Esse grupo inclui os clientes bancários com saldos aplicados a partir de R$ 30 mil. Muitos estavam na caderneta porque essa é uma aplicação tradicional, simples e considerada segura, com a vantagem da isenção de Imposto de Renda sobre ganho de capital.

Pelo dado mais recente, de junho de 2014, os maiores clientes já detinham 66,3% dos saldos das cadernetas. Até 2006, essa proporção girava em torno de 45%.

A partir de agosto de 2011, o Banco Central iniciou um ciclo de relaxamento monetário que levou a taxa básica de juros ao seu menor percentual da história recente, em 7,25% ao ano. Grandes aplicadores migraram para a poupança para se beneficiar da isenção de Imposto de Renda.

Para permitir a queda dos juros básicos e evitar uma migração mais forte de recursos de outras aplicações para a caderneta, o governo mudou a fórmula de remuneração desse investimento - na prática, acabou com o piso de 0,5% mensais para a sua remuneração. Quando os juros básicos caem abaixo de 8,5% ao ano, os poupadores passam a receber 70% da remuneração da Selic.

A mudança pode ter atenuado o movimento de migração de grandes poupadores para a caderneta, mas não o impediu completamente. De junho de 2011 a junho de 2014, os saldos em caderneta de poupança cresceram R$ 236 bilhões, mobilizando mais recursos para o financiamento da habitação. Desse acréscimo, 77% vieram dos clientes com saldo aplicado de pelo menos R$ 30 mil.

O crédito imobiliário cresceu R$ 255 bilhões no período entre junho de 2011 e junho de 2014. O sistema de crédito direcionado vigente no país determina que 65% dos saldos em caderneta de poupança sejam aplicados em crédito imobiliário. Os bancos também captaram recursos com outros instrumentos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI).

A tendência, agora, é inversa. A alta de juros básicos está levando a saques da caderneta de poupança, reduzindo o volume de recursos disponível para aplicar em crédito imobiliário.

O Banco Central começou a subir os juros em abril de 2013, mas apenas em fins do ano passado a taxa básica se tornou alta o suficiente para estimular grandes aplicadores a procurar alternativas mais rentáveis do que a caderneta. Um cliente com R$ 30 mil tem boas opções no mercado.

Nos primeiros quatro meses deste ano, os clientes sacaram R$ 29 bilhões da caderneta, dos quais R$ 23,7 bilhões vinculados ao sistema de crédito imobiliário. O restante se refere a cadernetas rurais, com recursos dirigidos ao financiamento agrícola.

Com recursos escassos, o setor imobiliário e bancos que atuam nesse nicho estão pressionando o Banco Central para liberar compulsórios da caderneta de poupança para financiar a habitação.

Uma eventual liberação de compulsórios teria impacto fiscal. Hoje, os recursos retidos no BC são remunerados pelo mesmo índice da poupança, ou seja, 6,17% ao ano mais a taxa referencial. A liberação dos compulsórios obrigaria o Banco Central a recolher o excesso de dinheiro em circulação na economia por meio de operações compromissadas que remuneram com a taxa Selic.

Todo o sistema que capta no curto prazo para emprestar no longo prazo está sujeito ao risco do descasamento entre aplicações. A mudança na fórmula de remuneração, em 2012, acabou com o piso na remuneração e evitou um afluxo mais forte e instável de depósitos. Uma mudança semelhante que se aplicaria quando a taxa Selic sobe a partir de determinado patamar poderia suavizar oscilações na direção contrária, quando clientes sacam recursos.



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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Crédito escasso freia negócios de incorporadoras

Crédito escasso freia negócios de incorporadoras | Valor Econômico

Crédito escasso freia negócios de incorporadoras

João Marcos Rosa/Ag. Nitro/ValorMenin, da Abrainc: "Caixa e BB mudaram o jogo, e empresas postergam atividades"

As incorporadoras pretendem colocar o pé no freio de novos investimentos devido às restrições de crédito imobiliário e ao aumento da taxa de juros. Empresas que fazem parte da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) têm sinalizado que vão reduzir a compra de terrenos e lançar ainda menos empreendimentos, de acordo com o presidente da entidade, Rubens Menin.

No primeiro trimestre, Cyrela, Direcional, Even, EZTec, Gafisa, Helbor, MRV, PDG, Rodobens Negócios Imobiliários e Tecnisa lançaram, em conjunto, R$ 1,74 bilhão, 66% abaixo do mesmo período de 2014. A retração dos lançamentos pelo setor pode se acentuar com a suspensão do crédito à produção pela Caixa Econômica Federal e o aumento da taxa de juros pelas instituições financeiras.

As mudanças no crédito imobiliário fazem com que os "próprios clientes fiquem mais restritivos nas aquisições", diante de parcelas maiores resultantes do aumento das taxas de juros, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Rodobens, Flávio Vidigal De Cápua.

O ambiente de demanda retraída, confiança do consumidor em baixa e estoques de imóveis elevados desestimula o lançamento de novos projetos, cenário agravado pela redução do crédito imobiliário. "A Caixa e o Banco do Brasil mudaram o jogo, e as empresas estão postergando as atividades", diz o presidente da Abrainc.

Uma das maiores preocupações do setor, segundo Menin, é o reflexo do custo maior do financiamento nos distratos, ou seja, nos cancelamentos de vendas. Com a elevação dos juros e do rigor dos bancos para conceder crédito, o número de compradores que consegue se enquadrar diminui. Nos últimos anos, os distratos cresceram com a entrega de empreendimentos lançados nos primeiros anos após a abertura de capital. "O ciclo de alta dos distratos pode não ter chegado ao fim", diz Menin.

Há tendência de aumento das rescisões de vendas quando o cliente opta por financiar a aquisição com um banco que não foi o que concedeu o crédito à produção, segundo o diretor financeiro da Helbor, Roberval Toffoli. O maior rigor das instituições financeiras também contribui para aumentar o prazo dos repasses.

Conforme Toffoli, as mudanças no crédito imobiliário "ainda não são impeditivas" para os lançamentos da Helbor. "Vamos lançar menos para equacionar nossos estoques. Mas, se sentirmos que os bancos privados começaram a sofrer reflexos da escassez de recursos da Caixa e do Banco do Brasil, é provável que isso se torne mais uma variável impeditiva de lançamentos", diz. Para se precaver, a Helbor tem antecipado a contratação do financiamento às obras com as instituições privadas.

A EZTec contrata, antecipadamente, os financiamentos à produção e não possui, no momento, contratação desse tipo de crédito com a Caixa. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da EZTec, Emilio Fugazza, a empresa mantém o planejamento de "lançar produtos conforme comprovação de demanda" e sua posição financeira "permite suportar cenários de crédito mais restrito, com caixa e recebíveis suficientes para execução de obras ou financiamento aos clientes".

Por enquanto, a Rodobens não deixou de conseguir financiamento para nenhum projeto, segundo De Cápua, mas tem encontrado taxas maiores e sentido as instituições financeiras mais cautelosas na avaliação da concessão de crédito.

Na semana passada, o diretor financeiro e de relações com investidores da Gafisa, André Bergstein, disse ao Valor que, como a Caixa está mais seletiva nos financiamentos à produção e aos compradores, a divisão tem buscado crédito com os bancos privados.

Questionado sobre o aumeno da procura de incorporadoras por financiamento dos bancos privados, o presidente da Abrainc afirmou que essas instituições estão "no limite da sua capacidade" e não têm como compensar a fatia que deixará de ser atendida pelos bancos públicos.

Para que haja mais recursos para o crédito imobiliário, o setor quer que o governo reduza a faixa de recolhimento compulsório da poupança. A Abrainc está concluindo estudo que pretende demonstrar que a diminuição do compulsório resultaria em superávit fiscal para o governo por conta da faixa de 4% a 7% dos impostos pagos, diretamente, pelas incorporadoras sobre o crédito à produção, além do aumento do recolhimento dos tributos de toda a cadeia.

Menin defende também que a terceira fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida seja anunciada em breve, com elevação do teto dos preços dos imóveis enquadrados nas faixas 2 e 3. "Não dá para entender como, em um cenário tão ruim, uma medida como essa seja postergada", diz o presidente da Abrainc.

No momento, mudanças no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), como a elevação do valor máximo financiado com esses recursos, estão em discussão. Na avaliação de Menin, o teto do preço do imóvel financiado com recursos do FGTS será elevado de R$ 190 mil para R$ 220 mil ou R$ 230 mil, e não para R$ 300 mil, como tem sido discutido. O aumento do valor é considerado benéfico pelo presidente da Abrainc, pois poderá financiar a nova faixa esperada do Minha Casa, Minha Vida pelo setor, entre a primeira e a segunda.

Outra discussão sobre os recursos do FGTS é a equiparação da remuneração das aplicações no fundo à da poupança. O diretor financeiro e de relações com investidores da Tenda, Felipe Cohen, diz não acreditar que a proposta seja aprovada nos termos apresentados, por colocar em risco a "saúde do fundo". Cohen ressalta que a medida beneficia a média e a alta renda. "A baixa renda é beneficiada por programas sociais que utilizam o FGTS, como o Minha Casa, Minha Vida", diz o executivo da Tenda.

As mudanças recentes do crédito imobiliário à produção não afetam a Tenda, de acordo com Cohen, pois a divisão de baixa renda da Gafisa atua apenas na faixa 2 do programa habitacional, a qual utiliza dinheiro do FGTS. "O que temos sentido, desde o fim do ano passado, é aumento das exigências pela Caixa e pelo Banco do Brasil para o crédito a pessoas físicas", diz o executivo. A Tenda tem aumentado os investimentos em marketing para levar mais clientes a suas lojas.



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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Governo rejeita socorro ao setor imobiliário

Governo rejeita socorro ao setor imobiliário | Valor Econômico

Governo rejeita socorro ao setor imobiliário

O Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC) rejeitam a proposta, feita por construtoras e bancos, de liberar o recolhimento compulsório das cadernetas de poupança com a finalidade de impulsionar o crédito imobiliário. A liberação geraria volume de recursos estimado em R$ 40 bilhões.

Segundo apurou o Valor, na opinião da equipe econômica não faz sentido afrouxar o crédito no momento em que o BC está promovendo um aperto monetário para controlar a inflação. Haveria, segundo fontes qualificadas, outras formas de funding, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI).

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Em uma tentativa de sensibilizar o governo a liberar os compulsórios, bancos têm alegado que a falta de recursos para financiamento imobiliário poderá provocar a queda da demanda e do preço dos imóveis, com possíveis desdobramentos sobre a saúde do sistema bancário. Simulações feitas pelo BC, entretanto, mostram que o sistema é forte o bastante para absorver eventuais quedas extremas nos preços dos imóveis.

De janeiro a abril, a poupança perdeu, em termos líquidos, R$ 29 bilhões. Os aplicadores estão migrando para outras formas de investimento financeiro, cujos rendimentos aumentaram depois que o BC elevou a taxa básica de juros.

Atualmente, o BC aplica alíquota de compulsório de 20% sobre os saldos da caderneta. Isto faz com que R$ 120 bilhões em recursos captados pelos bancos fiquem retidos. A poupança, por sua vez, é a principal forma de captação para o setor habitacional.

Testes de estresse conduzidos pelo BC concluem que os bancos teriam capital suficiente para suportar uma queda de até 30% nos preços dos imóveis residenciais, como a que ocorreu nos Estados Unidos ao longo de três anos e provocou a crise de 2008. Um primeiro banco só ficaria desenquadrado das exigências regulatórias de capital mínimo se a queda no preço dos imóveis fosse de pelo menos 35%. A situação de insolvência dessa mesma instituição financeira só se configuraria no caso de uma hipotética queda de pelo menos 55% nos preços dos imóveis residenciais.

Uma oscilação tão grande nos preços é um evento raro. O BC publica mensalmente o indicador de preços de imóveis nacional (IVG-R), que apresentou variação real de 1% a 3% nos últimos dois anos.



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